Porta-voz diz que havia 3 semanas que Israel aceitou trégua, fechada só agora pelo Hamas: 'mortes podiam ser evitadas'

BBC

O governo de Israel e grupos palestinos, incluindo o Hamas, aceitaram, nesta segunda-feira (04), promover um cessar-fogo de 72 horas em Gaza, informaram autoridades dos dois lados do conflito. A trégua está prevista para começar às 8h locais (2h de Brasília) desta terça.

Veja fotos do conflito entre israelenses e palestinos na Faixa de Gaza:

Nesta segunda, Israel empreendeu uma "janela humanitária" de sete horas em Gaza, mas retomou a operação militar logo após o fim do prazo. O novo cessar-fogo foi discutido por vários grupos palestinos no Cairo, embora Israel não tenha participado das negociações.

Em entrevista à TV americana CNN, o porta-voz do primeiro-ministro israelense Benjaamin Netanyahu, Mark Regev, afirmou que "o cessar-fogo proposto pelo Egito já havia sido aceito por Israel três semanas atrás".

"Foi o Hamas que não aceitou aquela proposta, que era basicamente a mesma, e aceita agora. Todas essas mortes já poderiam ter sido evitado", disse Regev.

O porta-voz do Hamas, Osama Hamdan, negou, à mesma CNN, que a proposta seja idêntica. "Todos sabem que houve mudanças", falou. "Nós esperamos que eles (Israel) consigam se controlar, foram eles que desrespeitaram as tréguas anteriores. Todos os palestinos estamos prontos para um cessar-fogo definitivo e viver em paz."

Azzam al-Ahmed, líder da delegação palestina, disse: "Os palestinos aceitaram um cessar-fogo proposto pelo Egito".

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O Egito havia tentado negociar uma trégua similar no início do conflito. Na ocasião, o armistício havia sido aceito por Israel, mas rejeitado pelo Hamas, que controla a Faixa de Gaza. O novo acordo propõe que integrantes de ambos os lados do conflito participem de futuras negociações no Cairo.

'Calma e segurança'
Mais cedo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia afirmado que a ofensiva em Gaza iria continuar "até que a calma e a segurança retornem aos cidadãos de Israel".

A declaração foi dada após o fim da "janela humanitária" de sete horas, uma curta trégua que vigorou entre as 10h locais (4h de segunda-feira em Brasília) e as 17h (11h de Brasília).

Os palestinos acusam Israel de ter quebrado a trégua ao atacar uma casa na cidade de Gaza. A ofensiva israelense foi retomada ao longo da segunda-feira e, no fim do dia, foi anunciado o novo cessar-fogo de três dias.

Na última sexta-feira, uma trégua de 72 horas anunciada por ambas as partes não chegou a durar mesmo 3 horas. Agora, a comunidade internacional aguarda pelo resultado do novo período de cessar-fogo.

Autoridades de saúde pública de Gaza informaram que, desde que a ofensiva começou, há quase um mês, mais de 1.800 palestinos foram mortos, em sua maioria civis. O número de feridos chega a quase 10 mil.

Do lado israelense, 67 morreram, três deles civis e o restante militares. Entre os civis mortos, está um tailandês que trabalhava em Israel.

Após uma reunião a portas fechadas em uma base militar no sul do país, nesta segunda, Netanyahu prometera continuar a Operação 'Margem Protetora'.

"O que precisa ser feito antes que a ofensiva cesse é que as Forças de Defesa de Israel deem solução aos túneis construídos pelo Hamas em Gaza", disse Netanyahu.

Israel alega que os militantes do Hamas usam uma rede de subterrâneos para realizar ataques em seu território. Netanyahu disse que Israel "não tinha intenção de ferir civis em Gaza" e acusou o Hamas de impedir a ajuda humanitária de chegar até o território.

O Hamas disse, por sua vez, que Israel estava usando a trégua para "desviar a atenção dos massacres israelenses".

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Autoridades de saúde palestinas afirmam que Israel realizou um ataque aéreo em um campo de refugiados dentro da Cidade de Gaza minutos depois que o cessar-fogo começou. Segundo fontes locais, uma adolescente morreu e outras 15 pessoas ficaram feridas, na maioria mulheres e crianças.

Morador de Gaza, Ayman Mahmud criticou a trégua à agência de notícias AFP. "Não houve trégua. Como pode ter havido uma trégua? Eles são mentirosos. Eles não respeitam nem mesmo as suas próprias promessas".

Em muitas áreas de Gaza, palestinos se dirigiram aos mercados e havia longas filas para retirar dinheiro.

Segundo o governo de Israel, dezenas de foguetes foram lançados de Gaza durante a trégua temporária.

Enquanto isso, em Jerusalém, um trator dirigido por um homem, identificado pela polícia como palestino morador do leste da cidade, virou um ônibus de cabeça para baixo. O episódio aconteceu em um bairro ultra-ortodoxo. Um pedestre morreu e outras pessoas ficaram feridas antes de a polícia matar a tiros o condutor.

Mais tarde, uma pessoa – que seria um soldado – ficou seriamente ferido em um tiroteio na área de Monte Scopus, também em Jerusalém.

Desdobramentos internacionais
Nesta segunda-feira, o presidente da França, François Hollande, pediu o fim do que chamou de "massacres em Gaza".

Já o chanceler francês, Laurent Fabius, afirmou que o direito de Israel à segurança não justificava "o assassinato de crianças e a chacina de civis".

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido informou que um cidadão do país foi morto em Gaza.

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