Pelo menos 50 morreram na madrugada deste sábado só em Rafah, onde Israel busca soldado desaparecido desde a sexta

BBC

Mais de cem palestinos já morreram em ataques a míssil israelenses desde o fracasso do cessar-fogo temporário na sexta-feira, afirmaram neste sábado autoridades médicas em Gaza.

Só durante a madrugada a violência deixou 50 mortos, a grande maioria deles em Rafah, no sul de Gaza, onde Israel busca um soldado que está desaparecido desde o dia anterior.

O militar, Hadar Goldin, desapareceu em uma emboscada do grupo militante Hamas que matou dois soldados israelenses.

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Em um comunicado neste sábado, o braço militar do Hamas, as Brigadas Qassam, disse ter perdido contato com os seus militantes na zona da emboscada, levantando a suspeita de que todos, incluindo o soldado capturado, estejam mortos.

"Acreditamos que todos foram mortos pelo bombardeio (israelense). Partindo do princípio de que conseguiram capturar um soldado durante os combates, avaliamos que ele também foi morto no incidente", disse o grupo.

Veja fotos do conflito:

As Forças Armadas israelenses continuaram a atacar Gaza no início do sábado, enquanto o Hamas continuou lançando foguetes contra Israel a partir do território palestino.

Fim da trégua: Israel retoma ataques em Gaza após cessar-fogo ser rompido

Fontes militares israelenses disseram que seu sistema de defesa aérea, Domo de Ferro, interceptou dois foguetes que tinham como alvo Tel Aviv e Beersheba.

Em Gaza, ataques israelenses atingiram 40 casas, três mesquitas e uma universidade. Trinta e cinco pessoas morreram em Rafah. Israel alega que a universidade era na verdade um "centro de desenvolvimento de armas".

Pelo menos 1.650 palestinos, a maioria civis, morreram nos ataques. Quase 9 mil ficaram feridos, segundo autoridades palestinas. O número total de desabrigados e desalojados chega a quase um quarto da população da Faixa de Gaza (1,7 milhão).

Do lado israelense, foram 63 mortos, a maioria soldados.

Diplomacia

As duas partes continuam negociando um possível cessar-fogo de longo prazo neste sábado no Egito.

Cenário: Entenda o atual conflito entre Israel e o Hamas

A trégua temporária, de 72 horas, mal entrou em vigor na sexta-feira antes de ser rompida, dando início à retomada dos confrontos. Ambos os lados se acusaram mutuamente pelo recrudescimento da violência.

O presidente do Egito, Abdul Fattah al-Sisi, que está mediando as negociações junto com EUA, Catar, Turquia e outros interlocutores, disse que a proposta é "a única chance real de encontrar uma solução para Gaza que ponha um fim ao derramamento de sangue".

"O tempo é decisivo. Temos de tirar vantagem dele rapidamente para apagar o fogo e parar o derramamento de sangue dos palestinos", disse o líder egípcio.

A agência de notícias oficial do Egito, Mena, informou que a fronteira egípcia com Gaza, em Rafah, foi aberta para permitir passagem de ajuda humanitária para as vítimas do conflito.

O presidente americano, Barack Obama, apontou o dedo para o Hamas e disse que "vai ser muito difícil promover um novo cessar-fogo se os israelenses e a comunidade internacional não tiverem certeza de que o Hamas vai manter seus compromissos para a trégua".

Ele também pediu a libertação imediata do soldado israelense que está desaparecido. "Os EUA condenam com veemência o Hamas e as facções palestinas responsáveis por matar dois soldados israelenses e capturar um terceiro minutos após o cessar-fogo ter sido anunciado", disse o líder americano.

"Eu quero ter certeza de que o Hamas está ouvindo. Se eles querem mesmo resolver essa situação, o soldado precisa ser libertado incondicionalmente."

Obama também disse que, embora os túneis usados pelo Hamas para atacar Israel precisem ser destruídos, essa missão pode ser realizada pelas forças israelenses sem sacrificar os grandes centros populacionais de Gaza.

O soldado israelense desapareceu durante uma dessas missões israelenses para destruir os túneis do Hamas.

Em 2006, militantes capturaram o soldado israelense Gilad Shalit - que só foi libertado cinco anos depois, em novembro de 2011, em troca de mil prisioneiros palestinos.

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