Exército americano desenvolve bala que persegue alvo

Por BBC |

compartilhe

Tamanho do texto

Desenvolvimento do protótipo que acaba de ser testado com sucesso levou seis anos e custou US$ 25 milhões aos EUA

BBC

Foram necessários seis anos e US$ 25 milhões para que o Exército norte-americano tornasse realidade algo que antes existia apenas em filmes: uma bala que persegue seu alvo.

Veja fotos de treinamento de fuzileiros navais nos EUA:

Tenente passa por obstáculos em treinamento dos Fuzileiros Navais. Foto: NYTMilitares têm de nadar com equipamento em piscina. Foto: NYT

Tenentes em treinamento passam por pesados exercícios físicos em Quantico
. Foto: NYTTreinamento inclui provas para militares tenentes. Foto: NYT

Uma das tarefas durante o treinamento é saber montar armas de Infantaria e colocá-las para funcionar
. Foto: NYT

O protótipo acaba de ser testado com sucesso pela Agência de Projetos de Pesquisa em Defesa Avançada (Darpa, na sigla em inglês), braço militar americano responsável por desenvolver as armas do futuro.

O vídeo da agência mostra o disparo de um rifle de calibre .50 em que o atirador mira não no alvo, mas em outro ponto próximo. Mesmo assim, a bala ajusta seu curso. 

A nova munição é parte do projeto Artilharia de Extrema Precisão, que tem como objetivo "melhorar a eficácia de francoatiradores e a segurança das tropas, ao permitir que os tiros sejam disparados de uma distância maior", segundo a página do projeto.

"Cada disparo que não atinge o seu objetivo põe em risco a segurança das tropas, porque alerta para a sua presença e, potencialmente, expõe sua posição."

'Santo graal' da balística
O princípio por trás da tecnologia é relativamente simples. A bala recebe sinais enquanto ainda está no ar para que altere seu curso.

"A ideia de balas teleguiadas sempre foi considerada o santo graal da tecnologia de projéteis. Mas só recentemente ficaram disponíveis os microssensores que as torna possível", diz Christopher Shepherd, professor de Ciência Forense da Universidade de Kent e especialista em balística. "É uma tecnologia pioneira, apesar de já ser pesquisada há anos."

A tecnologia de sistemas teleguiados já havia sido aplicada a armamentos maiores, como mísseis, mas o sucesso não tinha sido ainda possível com munições menores.

Leia também:
Exército dos EUA testa aviões não-tripulados da Nasa
Exército dos EUA revela cão robótico

"As armas de menor calibre oferecem um espaço limitado para estes tipos de mecanismos. A mudança de massa, e da distribuição de massa, em um projétil pode alterar significativamente o seu rendimento", afirma James Shackel, especialista em balística do Instituto Forense Cranfield.

No caso específico da bala inteligente, a Darpa mantém em segredo como funciona o sistema de direcionamento. Mas os especialistas têm algumas pistas.

"Anéis em torno da bala podem se contrair e expandir para alterar a distribuição de massa e o fluxo de ar na superfície dabala, o que pode fazer com que ela mude de posição", teoriza Shackel.

Mesmo assim, essa mudança de direção tem limites. E as balas de um rifle de calibre .50 são algumas das maiores dentre as munições menores.

"Provavelmente só será possível mudar a direção da bala em disparos mais distantes, devido à velocidade com que a bala se move", destaca Shepherd. "O pequeno tamanho da bala também limita a capacidade de frear sua queda de forma significativa para facilitar uma mudança maior de direção."

Guerra moderna
A deficiência do projeto está no fato de a tecnologia não poder ser aplicada a todos os tipos de conflitos atuais. "A guerra moderna não é travada em campos de batalha como ocorria antes", afirma Shepherd.

De acordo com o especialista, as disputas de hoje ocorrem de duas formas. As primeiras são lutas urbanas, em contato próximo com o adversário. Nelas, o sistema seria inútil, dado o curto alcance das balas usadas.

O segundo tipo são aquelas travadas a longas distâncias, com atiradores em condições adversas, como a que opôs o Exército americano a militantes talebãs no Afeganistão, com campos montanhosos, pouca visibilidade e onde os alvos não estão na linha de visão.

"É um desafio para os atiradores usar a tecnologia atual em condições desfavoráveis, com vento forte e poeira", afirma a página oficial da Darpa. "O novo sistema ajudará a disparar tiros a uma distância maior e atingir um alvo que talvez não esteja na linha de visão, mesmo que isso só ocorra em alguns poucos casos."

Leia tudo sobre: bala que persegue alvoexército americanoeuadarpa

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas