Pelo menos 15 pessoas morreram em prédio com 3 mil pessoas; ONU diz ter avisado Israel 17 vezes até horas antes do ataque

BBC

A ONU acusou Israel de ignorar alertas e atacar uma escola que abrigava cerca de 3 mil palestinos refugiados nesta quarta-feira (30).

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Criança ferida em bombardeio à escola com refugiados recebe tratamento
AFP
Criança ferida em bombardeio à escola com refugiados recebe tratamento


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O porta-voz da agência da ONU para assistência aos refugiados (UNRWA, na sigla em inglês), Chris Gunness, disse que o ataque, que deixou pelo menos 15 mortos, foi uma "vergonha universal".

Segundo ele, Israel foi informado 17 vezes que a escola abrigava civis refugiados - a última delas, horas antes do ataque. À BBC, outro porta-voz da agência, Bob Turner, disse acreditar "com confiança" que o incidente foi causado por artilharia israelense.

Forças Israelenses disseram que estão investigando o incidente e afirmaram que os soldados retribuíram os ataques de militantes que lançaram foguetes "das proximidades da escola".

A escola Abu Hussein, administrada pela ONU, fica no campo de refugiados de Jabaliya. Segundo Bob Turner, a escola foi atingida diversas vezes sem aviso prévio.

Ele apontou que a ONU havia deixado clara a localização da escola - em tese, uma área protegida dos ataques. Testemunhas afirmaram que os disparos destruíram paredes do edifício.

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Um repórter da agência de notícias Associated Press disse que havia uma grande buraco redondo no teto de uma sala de aula e outro em um dos banheiros. Em outra sala de aula, o ataque destruiu a parede da frente, disse a AP.

O porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, Ashraf al-Qidra, acusou Israel de atacar a escola e deu um número de mortos bem maior que o relatado.

Confronto mais longo

Pelo menos 1,2 mil palestinos e 55 israelenses foram mortos desde que Israel deu início à ofensiva, em 8 de julho. A maior parte dos mortos palestinos é formada por civis.

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Dois civis e 53 soldados israelenses foram mortos. Um operário tailandês também morreu em Israel.

Os ataques israelenses contra Gaza já estão na terceira semana - o mais longo confronto com o Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Em 2012, uma ofensiva durou oito dias e, em 2008, o conflito durou 22 dias.

Israel afirma que a ofensiva é uma resposta a um aumento no lançamento de foguetes do território. O Hamas diz que não vai parar de lutar até que o bloqueio à região, iniciado em 2007 por Israel e Egito, seja levantado.

Israel tem acusado insistentemente o Hamas de usar escolas e áreas civis como bases para lançamento de foguetes.

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Uma escola controlada pela ONU foi atingida na semana passada. Segundo os palestinos, 15 pessoas morreram no ataque. Mas o Exército de Israel descartou responsabilidade e disse que uma única bomba havia se desviado e caído em um pátio vazio. Segundo Israel, as forças israelenses haviam ficado sob o fogo dos militantes que usavam mísseis anti-tanques nas proximidades da escola.

Na terça-feira, a ONU revelou que um estoque de foguetes foi encontrado em uma escola em Gaza - o caso foi o terceiro do tipo.

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Mas a organização se nega a dar a localização da escola ou dizer quem é responsável pelas armas, protestando contra o que chamou de "violação" de suas "premissas".

Bombardeios pesados

Israel aumentou a intensidade de seus ataques na terça-feira e durante a noite de quarta-feira, dizendo que havia atingido diversos túneis escavados pelos integrantes do Hamas para atacar Israel. Militares israelenses disseram que foguetes continuam a ser disparados de Gaza.

Oficiais palestinos disseram que o porto de Gaza foi destruído na terça-feira, assim como a sua única usina de eletricidade.

Ofensiva: Israel volta a atacar Gaza após relativa diminuição da hostilidade

Uma pesquisa de opinião feita pela Universidade de Israel entre os dias 14 e 23 de julho mostrou que, entre os judeus israelenses, 97% apoiam a operação militar em Gaza e 55% se dizem favoráveis a negociações de paz.

As facções palestinas Hamas, Fatah e a Jihad islâmica devem se encontram no Cairo para discutir um cessar-fogo.

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