Combates entre rebeldes e forças ucranianas têm atrapalhado investigações sobre voo MH17, disse chefe da missão holandesa

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Peritos holandeses que tentam recuperar os restos das vítimas do avião da Malásia que caiu na Ucrânia não puderam novamente chegar ao local do desastre nesta quarta-feira (30) por causa dos combates entre separatistas pró-Rússia e forças ucranianas, disse o chefe da missão holandesa.

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Alexander Hug, à esq., vice-chefe da OSCE, monitora missão na Ucrânia após voo malásio ter sido abatido no leste do país
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Alexander Hug, à esq., vice-chefe da OSCE, monitora missão na Ucrânia após voo malásio ter sido abatido no leste do país


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"Hoje o comboio com os peritos holandeses não vai viajar para o local da queda do MH17. As condições são muito inseguras no local", disse Pieter Jaap Aalbersberg, o chefe da equipe holandesa, em um comunicado.

Embora a maioria dos corpos tenha sido recolhida no local do desastre de 17 de julho, no qual morreram todos os 298 passageiros e tripulantes, a equipe quer recuperar restos de algumas vítimas e pertences de 195 cidadãos holandeses que estavam a bordo.

"Nós vamos continuar a tentar chegar à área nos próximos dias, mas ainda é preciso ver quando as condições estarão mais seguras."

Negociações 

A Bielorrússia  vai sediar conversações entre Ucrânia, Rússia e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) sobre a crise no leste da Ucrânia, disse nesta quarta o gabinete do presidente bielo-russo, Alexander Lukashenko.

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O gabinete não informou quando as conversas acontecerão, mas o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, pediu a Lukashenko que fosse o anfitrião e se concentre no acesso seguro ao local onde o avião da Malaysia Airlines foi derrubado no leste a Ucrânia.

Não havia indicações de que os separatistas pró-Rússia que combatem o Exército da Ucrânia participariam, mas o gabinete de Lukashenko disse que "todas as partes interessadas" foram convidadas.

Sanções contra a Rússia

Os EUA e a União Europeia, em uma ação cuidadosamente coordenada, anunciaram novas sanções específicas contra os setores bancário, de energia e de defesa da Rússia na terça.

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Trata-se da resposta mais séria do Ocidente até agora contra o que considera incitação russa e apoio contínuo ao levante separatista no leste da Ucrânia e a derrubada de um avião de passageiros da Malásia em 17 de julho, na mesma região.

Barack Obama, falando na Casa Branca, disse que as sanções terão "um maior impacto sobre a economia russa do que temos visto até agora", em um esforço para forçar Moscou a parar de apoiar os separatistas.

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Até agora, a Europa tinha evitado impor medidas mais duras contra a Rússia por medo de retaliação. Obama disse que as novas sanções eram um sinal da "diminuição da paciência da Europa com as belas palavras do presidente (Vladimir) Putin que não correspondem a ações".

Autoridades dos EUA expressaram crescente preocupação com o acúmulo de tropas russas na fronteira com a Ucrânia e o fornecimento contínuo de armamento pesado para os separatistas. Estes são sinais de que, pelo menos até agora, as sanções não estão forçando Putin a recuar, apesar do dano que as sanções estão provocando para a economia russa.

"Não é uma nova Guerra Fria", disse Obama a jornalistas. "É uma questão muito específica relacionada à falta de vontade da Rússia de reconhecer que a Ucrânia pode traçar o seu próprio caminho."

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Ainda assim, Obama não parecia inclinado a fornecer ajuda militar letal para a Ucrânia, dizendo que o Exército ucraniano estava "melhor armado do que os separatistas" e que o assunto em questão é "como evitar derramamento de sangue no leste da Ucrânia."

Medidas políticas

Os EUA impuseram sanções ao VTB, ao Banco de Moscou, ao Banco da Agricultura russo e à United Shipbuilding Corp por conta do apoio de Moscou aos separatistas no leste ucraniano, informou o Departamento do Tesouro.

“As ações da Rússia na Ucrânia e as sanções que já impusemos deixaram a fraca economia russa ainda mais fraca”, disse o mandatário norte-americano.

“As grandes sanções que estamos anunciando hoje irão continuar a aumentar a pressão sobre a Rússia, incluindo os companheiros e as empresas que apoiam as ações russas ilegais na Ucrânia”, acrescentou Obama.

A nova ação norte-americana aprofunda a lista de bancos russos sujeitos a sanções dos EUA, englobando quase todos os grandes bancos com participação estatal de mais de 50 por cento, exceto o Sberbank. As sanções sobre os três bancos proíbem cidadãos e empresas norte-americanos de fazer transações com dívidas que excedam prazos de 90 dias, ou com novos acionistas.

As sanções sobre a United Shipbuilding Corp, empresa de remessas sediada em São Petersburgo, congelam todos os bens que ela possa ter nos EUA e impede qualquer transação norte-americana com ela.

A mais recente rodada de sanções dos EUA, anunciada em 17 de julho, atingiu a Rosneft, terceira maior produtora russa de petróleo, a Novatek, segunda maior produtora de gás do país, e o Gazprombank, seu terceiro maior banco, assim como outros bancos, indivíduos proeminentes e a fabricante de armamentos Kalashnikov.

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