Pró-russos acusam equipe de servir aos interesses dos EUA e de Kiev; peritos têm dificuldade para chegar ao local do acidente

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Rebeldes no leste da Ucrânia acusaram a Organização para Cooperação e Segurança na Europa (OSCE) de servir aos interesses dos Estados Unidos e do governo ucraniano nesta terça-feira (29), e ameaçaram proibir a presença dessa entidade, voltada para a segurança e os direitos humanos, no local da queda de um avião da Malásia.

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Mulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia
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Mulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia


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A autoproclamada República Popular de Donetsk disse em um comunicado por email que iria suspender a cooperação com a OSCE, até o momento a principal entidade encarregada da negociação pelo acesso de peritos internacionais ao local da queda do avião.

"Desde o início a OSCE não tem sido uma parte neutra e tem agido de acordo com os interesses da Ucrânia", diz a mensagem. "A OSCE, como se revelou, é uma estrutura totalmente controlada pelos Estados Unidos." A OSCE não fez comentários de imediato.

Peritos internacionais, incluindo a OSCE, bem como a polícia australiana e holandesa, já estavam enfrentando dificuldades para chegar ao local com a finalidade de recolher partes de corpos e investigar a derrubada do avião.

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Combates violentos em uma área mais ampla nos arredores impediram nesta terça-feira os peritos de chegarem ao local pelo terceiro dia seguido, enquanto o governo ucraniano e os rebeldes pró-Rússia acusam um ao outro pelo bloqueio do acesso.

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Os separatistas e o governo ucraniano também se acusam mutuamente pela derrubada do avião, que causou a morte de todas as 298 pessoas a bordo.

EUA e Rússia

Os chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, concordaram em uma conversa telefônica que o confronto perto do local onde um avião de passageiros malaio caiu, no leste da Ucrânia, deve ser interrompido, disse o Ministério das Relações Exteriores russo nesta terça.

Lavrov e Kerry "concordaram com a necessidade da observância meticulosa à resolução do Conselho de Segurança da ONU demandando o caráter independente e internacional da investigação e a interrupção dos combates na área em que os destroços estão localizados", disse o ministério em comunicado.

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O Ocidente diz que o voo MH17 foi quase certamente abatido por separatistas pró-Rússia usando um míssil terra-ar fornecido pela Rússia. A Rússia nega ter fornecido tal míssil.

Mais cedo, Barack Obama escreveu para Vladimir Putin a fim de informá-lo diretamente que o governo norte-americano determinou que a Rússia violou o acordo nuclear de alcance intermediário, disse o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest nesta terça.

"Isso é uma indicação de que este é um assunto que merece a séria atenção dos líderes tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia", disse Earnest a jornalistas, se recusando a dar mais informações sobre como a Rússia violou o acordo.

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