Autoridade palestina disse que facções rivais concordaram com trégua unilateral, mas porta-voz israelense desmentiu acordo

Mais de 100 palestinos podem ter sido mortos depois que Israel intensificou o bombardeio contra Gaza nesta terça-feira (29), segundo uma autoridade da área da Saúde. Funcionários da ONU podem estar entre os mortos.

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Palestino é amparado enquanto civis procuram por vítimas após casa ser destruída por ataque aéreo em Rafah, sul da Faixa de Gaza
Reuters
Palestino é amparado enquanto civis procuram por vítimas após casa ser destruída por ataque aéreo em Rafah, sul da Faixa de Gaza


Hoje: Bombardeios israelenses atingem usina e deixam Gaza sem energia elétrica

Segundo Ashraf al-Kidra, as mortes foram causadas por bombardeios e ataques com tanque nesta terça. Ele disse que número de mortos deve subir ao longo do dia.

Houve vários casos em que o número diário de mortos Gaza superou 100 nas mais de três semanas de conflitos entre Israel e o Hamas. Israel perdeu 53 soldados até agora, junto com dois civis e um cidadão tailandês.

A única usina elétrica de Gaza pegou fogo enquanto Israel realizou 60 ataques aéreos, tendo como alvo áreas associadas com o grupo islâmico que controla Gaza. 

Segundo porta-voz militar israelense, os ataques sinalizam um "aumento gradual da pressão" sobre o Hamas. Em discurso transmitido pela televisão na segunda (28), o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu enfatizou a necessidade de destruir túneis escavados sob a fronteira Gaza-Israel para impedir que militantes infiltrados entrem em Israel.

Após a grande ofensiva desta terça, autoridade palestina na Cisjordânia disse que facções palestinas rivais haviam concordado com uma trégua unilateral com duração mínima de 24 horas. Yasser Abed Rabbo, da Organização pela Libertação da Palestina, afirmou ter falado com o Hamas, mas o porta-voz do governo israelense, Mark Regev, disse que a oferta "não é séria", informou a Associated Press.

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De acordo com porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, Ashraf al-Kidra, a ofensiva já matou ao menos 1.156 palestinos, a maioria civis, desde o dia 8 de julho, enquanto Israel perdeu 53 soldados e três civis - dois israelenses e um trabalhador tailandês.

Por meio do Twitter, Chris Gunness, da ONU, disse que um número de membros da Organização havia sido morto. A ONU está atualmente cuidando de 182.604 palestinos em seus 82 abrigos em Gaza, disse ele.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, acusou Israel de agir como um "cão raivoso" e pediu aos muçulmanos para armar palestinos para que possam lutar contra o "genocídio.”

Pressão

Além de atacar a única usina elétrica da Faixa de Gaza, que ficou inoperante, Israel destruiu a casa do líder político local do grupo islâmico Hamas e bombardeou dezenas de seus principais alvos militares no enclave nesta terça, estendendo o conflito que já dura três semanas.

Antes do amanhecer, aeronaves israelenses dispararam um míssil contra a casa do líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, ex-primeiro-ministro palestino, destruindo a estrutura, mas sem causar vítimas, disse o Ministério do Interior de Gaza. O ataque israelense se intensificou após as mortes de dez soldados de Israel em ataques de militantes que cruzaram a fronteira na segunda.

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Uma grossa coluna de fumaça negra emergiu dos tanques de combustível em chamas na estação elétrica que fornece dois terços das necessidades de energia da Faixa de Gaza. A autoridade energética local disse que avaliações iniciais de danos sugeriam que a unidade poderá ficar foram de operação por um ano.

A eletricidade foi cortada na Cidade de Gaza e em muitas outras partes do território dominado pelo Hamas após o ataque de artilharia de tanques de guerra de Israel a contêineres que continham cerca de 3 milhões de litros cúbicos de diesel.

“A usina elétrica se foi”, disse seu director, Mohammed al-Sharif. Uma porta-voz militar israelense não fez comentários de imediato e informou apenas que estava checando a informação.

A prefeitura da Cidade de Gaza disse que o dano à estação pode tirar de operação muitas das bombas de água da região, e pediu que os residentes racionassem o consumo de água.

Foguetes

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Diversos foguetes foram disparados de Gaza para o sul e o centro de Israel, incluindo a área de Tela Avive. Pelo menos um foi interceptado pelo sistema atingísseis de Israel. Não foram registradas baixas ou danos significativos por conta desses ataques.

A pressão internacional vem aumentando sobre Netanyahu para que ele contenha suas forças. Tanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quanto o Conselho de Segurança das Nações Unidas pediram um cessar-fogo imediato para permitir que ajuda chegue aos 1,8 milhão de palestinos da Faixa de Gaza, seguido de negociações para uma paz durável.

Os esforços liderados pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, na semana passada fracassaram e a explosão de violência frustrou as esperanças internacionais de transformar uma breve trégua para o feriado muçulmano de Edil al-Fitr em uma trégua de longo prazo.

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Netanyahu disse na segunda que os militares não encerrariam a ofensiva até que fosse destruída uma rede de túneis do Hajas, a qual, segundo Israel, serve de abrigo para o grupo, para armazenar suas armas e realizar infiltrações além da fronteira para atacar israelenses.

Forças de Israel disseram que 70 alvos foram atacados durante a noite em Gaza, incluindo quatro cachês de armas que, segundo os militares, estavam escondidos em mesquitas, e um lançador de foguete, próximo a outra mesquita. Residentes disseram que 20 casas foram destruídas e duas mesquitas, atingidas.

Israel lançou sua ofensiva em 8 de julho dizendo querer parar os ataques de foguetes do Hamas e seus aliados. Pouco depois o país iniciou uma invasão por terra para encontrar e destruir uma série de túneis que cruzam a fronteira entre Gaza e Israel.

*Com Reuters, AP e BBC

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