Jatos voltam a atacar após foguete ter sido disparado a partir de Gaza; ação matou mais de 1 mil palestinos e 43 israelenses

Jatos israelenses atingiram três locais em Gaza nesta segunda-feira (28) depois de um foguete ter sido lançado contra Israel, de acordo com um militar, interrompendo período de relativa calmaria no território devastado pela guerra no início de um importante feriado muçulmano.

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Soldado israelense detém arma sobre veículo blindado após cruzar fronteira de Gaza para Israel
Reuters
Soldado israelense detém arma sobre veículo blindado após cruzar fronteira de Gaza para Israel


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Os ataques aéreos seguiram pausa de quase 12 horas nos combates e vieram enquanto os esforços internacionais se intensificam para acabar com a guerra que já dura três semanas entre Israel e o Hamas.

Nesta segunda a ONU pediu cessar-fogo "imediato" no conflito que já matou mais de 1.030 palestinos, 43 soldados israelenses e três civis israelenses. No domingo, o presidente Barak Obama telefonou para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para pressionar por um fim imediato do conflito.

Um militar israelense afirma ter atingido dois lançadores e uma fábrica de foguetes no norte e centro de Gaza após foguete atingir o sul de Israel no início do dia. O foguete não causou danos ou ferimentos.

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Pelo menos mais dois palestinos foram mortos nesta segunda-feira. Um menino de quatro anos morreu quando projéteis de tanque atingiram casa de sua família em Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, de acordo com autoridades de saúde de Gaza. Outra pessoa foi morta por um tanque em um incidente separado, também em Jabaliya.

O Exército israelense também informou ter lançado panfletos sobre a cidade de Gaza na tarde desta segunda, avisando a residentes palestinos na faixa costeira que Israel "não vai tolerar qualquer tentativa de prejudicar civis israelenses e que as consequências serão graves."

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Mais cedo, o militar disse que as tropas retomaram os esforços para destruir os túneis transfronteiriços construídos pelo Hamas para ataques dentro de Israel. Além disso, os militares abriram fogo de artilharia em Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza, em resposta ao foguete disparado em Ashkelon, de acordo com porta-voz do escritório militar de Israel. Os militares disseram que oito foguetes foram disparados de Gaza contra Israel desde a meia-noite de domingo.

Enquanto muçulmanos começam a celebrar o feriado de Eid al-Fitr, que marca o fim do mês de jejum do Ramadã, a atmosfera é de medo e luto nesta segunda ao invés da festa pelo feriado em grande parte da Faixa de Gaza.

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Famílias palestinas se amontoam dentro de suas casas, temendo mais ataques aéreos, enquanto grupos que seguiram para o cemitério do bairro Sheik Radwan para prestar tradicionais homenagens aos túmulos de seus antepassados se reuniram ao redor de uma grande cratera aberta por ataque aéreo que há uma semana tem atingido várias sepulturas.

Em Nova York, uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU chamou por um “imediado e incondicional cessar-fogo humanitário”. E apesar de ter sido a declaração mais forte do conselho sobre a guerra de Gaza, essa não foi uma resolução e, portanto, não será compulsória. O embaixador palestino na ONU, Riyad Mansour, não escondeu sua decepção.

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Ele disse que o conselho deveria ter adotado uma resolução forte e juridicamente vinculativa há muito tempo exigindo a suspensão imediata da “agressão” de Israel, proporcionando ao povo palestino proteção e retirando o cerco à Faixa de Gaza, para bens e pessoas poderem se mover livremente

“Você não pode manter 1,8 milhões de palestinos da Faixa de Gaza nessa enorme prisão”, Mansour disse aos repórteres. “Isso é receita para o desastre. É inominável e o cerco deve ser retirado."

O embaixador israelense na ONU, Ron Prosor, também criticou a declaração - embora a partir de uma perspectiva muito diferente - dizendo que faltou equilíbrio na frase, já que não foi mencionado o disparo de foguetes contra Israel pelo Hamas ou o direito de Israel de se defender dessas ofensivas.

Israel iniciou sua operação em Gaza no dia 8 de julho para interromper o lançamento de foguetes a partir do território costeiro e o intensificou no dia 17 de julho para neutralizar os túneis transfronteiriços do Hamas construídos para realizar ataques em território israelense, de acordo com o país.

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Hamas

Líder do Hamas exige novamente que Israel acabe sua ocupação tanto em Gaza quanto na Cisjordânia. Em entrevista divulgada nesta segunda-feira (28), Khaled Meshaal diz acreditar que o mundo tomou uma visão parcial do conflito israel-palestinos.

“Infelizmente o mundo não culpa os israelenses”, disse ele em entrevista ao âncora da CBS News, Charlie Rose, do Cairo.

Meshaal se queixou de que os palestinos também têm frequentemente ouvido apelos pela segurança do Estado judeu. Questionado se o Hamas acredita que só haja uma solução militar para o conflito regional de longa data, ele disse que "Como palestino, quero ser liberalizado. Quero viver sem ocupação". Ele definiu a ocupação como "a pior coisa que você pode imaginar."

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Ao ser perguntado se reconheceria o direito de Israel existir, Meshaal respondeu que "Não". No entanto, Meshaal se recusou a dizer se reconheceria Israel, se o país fosse retirado do território.

"Eu disse que não quero viver com um estado de ocupantes", disse ele. "Seria preciso um Estado palestino, então o Estado decidiria sobre suas políticas."

*Com AP

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