Primeiro-ministro descartou trégua de conflito, destacado por mortes na Faixa de Gaza, mais de mil já morreram no país

Apesar das mais de mil de mortes já ocorridas na Faixa de Gaza nas últimas semanas, o conflito entre as Forças de Defesa de Israel e militantes palestinos do Hamas deve ser prolongado. Foi o que deu disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nesta segunda-feira (28), quando, em discurso transmitido pela televisão, afirmou que o país deve se preparar para um conflito ainda mais prolongado, dizendo que trégua só ocorrerá quando território palestino estiver totalmente desmilitarizado.  

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Premiê israelense, Benjamin Netanyahu, gesticula durante coletiva no Ministério da Defesa em Tel Aviv, Israel (11/07)
AP
Premiê israelense, Benjamin Netanyahu, gesticula durante coletiva no Ministério da Defesa em Tel Aviv, Israel (11/07)


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Citando as palavras "perseverança e determinação" para se referir às ações de seu exército, Netanyahu ainda afirmou que a desmilitarização palestina depende não só de seu país ou dos militantes do Hamas, pois é algo que "a comunidade internacional precisa deles exigir."

O discurso foi reforçado por outro do ministro da defesa israelense, Moshe Yaalon, segundo quem a campanha atual pode durar mais longos dias: "Se as organizações em Gaza pensam que podem quebrar Israel e seus cidadãos, elas perceberão nos próximos dias que esse não é o caso".

Netanyahu também enfatizou a importância de acabar com as passagens subterrâneas entre Israel, territórios palestinos e de países vizinhos. "Os cidadãos israelenses não podem viver sob a ameaça de foguetes e de túneis da morte - a morte que vem de cima e de baixo", disse ele. "As operações não se encerram sem a neutralização desses túneis, cujo único propósito é matar pessoas."

Ataque em Israel
Combatentes palestinos vindos da Faixa de Gaza se infiltraram em um vilarejo israelense e travaram uma batalha com soldados nesta segunda enquanto trégua desmoronava durante o feriado muçulmano do Eid al-Fitr.

Segundo a televisão israelense, o confronto resultou na morte de cinco militantes, mas o movimento islâmico Hamas diz ter causado a morte de dez soldados de Israel. O conflito parece ter arruinado as esperanças internacionais de tornar uma breve trégua em um cessar-fogo duradouro.

Depois da infiltração em Nahal Oz, numa vila formada por um kibutz, a leste da Cidade de Gaza, o Exército israelense emitiu um alerta para que milhares de palestinos abandonem suas casas no entorno da Cidade de Gaza. Esse tipo de aviso normalmente precede ataques retaliatórios. Ao cair da noite em Gaza, fachos de luz do Exército iluminaram o céu, e o som de intenso bombardeio podia ser ouvido.

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O incidente não foi a única brecha na frágil trégua. Oito crianças palestinas e dois adultos foram mortos em uma explosão num jardim ao norte da Faixa de Gaza. Moradores culparam os bombardeios de Israel pela explosão no parque, na qual também ficaram feridos 40 pessoas, mas o governo israelense disse que se tratou de um foguete lançado pelo Hamas que errou o alvo e atingiu o jardim num campo de refugiados.

A mídia de Israel informou que quatro israelenses foram mortos por disparos de projéteis de morteiro de Gaza, em outro incidente. Os militares não fizeram comentários de imediato.

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As forças israelenses disseram que só estavam disparando para revidar os projéteis vindos de Gaza enquanto engenheiros vasculham a fronteira leste território em busca de túneis por onde se infiltram militantes. Eles acusaram os palestinos de lançar pelo menos 17 foguetes através da fronteira.

Trégua arruinada

Os militantes islamitas do Hamas, a força dominante em Gaza, pediram uma pausa nas hostilidades nesta segunda-feira, no 21º dia do conflito com Israel, para a celebração do Eid, que marca o fim do mês do jejum do Ramadã.

Inicialmente Israel recusou, tendo abandonado a sua própria oferta de estender uma trégua de 12 horas iniciada no sábado, já que os militantes palestinos continuavam lançando foguetes. No entanto, a calma imperou gradualmente durante a noite, com apenas troca ocasional de fogo, até que uma série de explosões sacudiu Gaza no período da tarde.

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Poças de sangue se espalhavam no jardim do campo de refugiados Praia, depois de uma das explosões.

"Nós saíamos da mesquita quando vimos as crianças brincando com seus brinquedos. Segundos depois, o foguete caiu", disse Munther Al-Derbi, morador do campo.

"Que Deus puna Netanyahu", disse ele, referindo-se ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Israel e os militantes palestinos em Gaza estão há três semanas envolvidos em confrontos nos quais 1.054 pessoas morreram em Gaza, na maioria civis, atingidos por bombardeios israelenses. Morreram também 43 soldados e três civis israelenses atingidos por foguetes e projéteis de morteiro disparados pelo Hamas.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, visitou a região na semana passada para tentar conter o derramamento de sangue, tendo o contato com o Hamas - o qual Hamas oficialmente não reconhece - facilitado por Egito, Turquia, Catar e pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, apoiado pelo Ocidente.

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Israel quer que o Egito, que também tem fronteira com a Faixa de Gaza e vê o Hamas como uma ameaça à sua segurança, assuma a liderança para conter os militantes islâmicos palestinos, preocupado com que o Catar e a Turquia cedam às pressões do Hamas para abrir as fronteiras do território bloqueado.

*Com agências de notícias

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