País diz estar preparado para acolher cristãos que receberam ultimato de rebeldes do Estado Islâmico, que ocupa a região

Reuters

A França disse nesta segunda-feira (28) que está pronta para acolher os cristãos do norte do Iraque que receberam um ultimato dos rebeldes do Estado Islâmico, agora governando a região, para se converterem ao islamismo, pagar um imposto religioso ou encarar a morte.

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Mulher que fugiu da violência em Mosul caminha com seu filho dentro do campo de refugiados Khazer, na periferia da cidade curda de Arbil
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Mulher que fugiu da violência em Mosul caminha com seu filho dentro do campo de refugiados Khazer, na periferia da cidade curda de Arbil


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Os insurgentes do grupo, uma ramificação da Al Qaeda, apreenderam grandes áreas do norte do Iraque no mês passado, o que levou centenas de famílias cristãs de Mosul a fugir da cidade que acolheu sua fé desde seus primeiros anos.

"Estamos oferecendo ajuda às pessoas deslocadas que fogem das ameaças do Estado Islâmico e que buscaram refúgio no Curdistão. Estamos prontos, se eles desejarem, para facilitar o seu asilo em nosso solo", disseram os ministros das Relações Exteriores e do Interior da França, em uma declaração conjunta.

"Estamos em constante contato com as autoridades locais e nacionais para garantir que tudo seja feito para protegê-los."

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O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, condenou no início deste mês o tratamento dado aos cristãos e instruiu um comitê do governo a ajudar os desabrigados. No entanto, ele não disse quando o Exército poderia tentar reconquistar o controle de Mosul.

O Estado Islâmico alertou todas as mulheres em Mosul a usar o véu que cobre todo o rosto, do contrário sofreriam uma punição severa. Os insurgentes sunitas, que declararam um califado em partes do Iraque e da Síria, também veem os xiitas majoritários do Iraque como infiéis que merecem ser mortos.

Possíveis execuções

A polícia iraquiana encontrou nesta segunda 15 corpos, incluindo os de três mulheres mortas com tiros na cabeça em uma execução no estilo de milícias, em um começo sangrento do feriado muçulmano que marca o fim do período de jejum do Ramadã, disseram fontes do setor de segurança.

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Os corpos foram encontrados em diferentes partes da capital, Bagdá, disseram fontes do setor de segurança. Entre eles estavam três mulheres de 25 a 30 anos que tinham sido algemadas e executadas com tiros na cabeça em uma área industrial ao norte do distrito xiita de Sadr City.

Aumentou no país o medo do retorno aos dias sombrios da guerra civil sectária que teve seu auge em 2006-2007, depois que no mês passado militantes sunitas se apoderaram de amplas áreas no norte, ampliando as conquistas de seus aliados no oeste do Iraque.

O Exército iraquiano, financiado e treinado pelos Estados Unidos, não conseguiu fazer frente ao rápido avanço dos militantes islâmicos sunitas. Agora, as milícias xiitas se equiparam às forças do governo nos confrontos com o grupo rebelde antes conhecido como Exército Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).

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Os necrotérios de Bagdá estão novamente cheios de vítimas da violência sectária, os sequestros estão aumentando e o derramamento de sangue tem forçado famílias a fugirem para o exterior ou se mudarem para bairros onde se sintam menos ameaçadas.

A celebração deste ano do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, está sendo marcada pela incerteza e a apreensão enquanto os insurgentes se preparam para avançar sobre Bagdá e os políticos iraquianos não chegam a um acordo para formar um governo com divisão de poderes, capaz de enfrentar os rebeldes.

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