Esquartejamento de jovem gera polêmica sobre relações familiares no Japão

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Garota de 16 anos foi presa pela polícia de Sasebo suspeita de ter matado e desmembrado sua colega de classe Aiwa Matsuo

BBC

Uma garota de 16 anos do ensino médio foi presa pela polícia de Sasebo, na província de Nagasaki, ao sul do Japão, por ter supostamente matado e desmembrado uma colega de classe.

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AFP
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O caso chocou a opinião pública, chamou a atenção da imprensa japonesa, foi destaque no noticiário internacional e acendeu uma discussão no país sobre as relações familiares e o papel dos pais na criação dos filhos. A adolescente morava sozinha em um apartamento pago pelo pai.

Segundo a polícia, a estudante usou um objeto de metal para desferir inúmeros golpes contra a cabeça da amiga Aiwa Matsuo. Depois, estrangulou-a com uma corda.

A suspeita, então, teria decepado a cabeça da vítima e também uma das mãos. O caso aconteceu na noite de sábado e o cadáver foi encontrado na madrugada do domingo, dia 27, pela polícia.

Os pais de Aiwa ficaram preocupados com o sumiço da filha, que havia enviado uma mensagem logo após as 19 horas locais dizendo que já estava voltando para casa.

A vítima foi encontrada estendida sobre uma cama no apartamento da suspeita. Perto do local estavam os acessórios que foram usados para espancar e cortar o corpo da vítima.

Debate

A garota presa vivia sozinha em um apartamento desde abril passado. O pai dela, que vive na mesma cidade, se casou novamente neste ano após a morte da mulher no ano passado.

O fato teria revoltado a garota, que decidiu morar sozinha. O lugar onde vivia estava alugado em nome do pai. Um crime poderia ter sido evitado caso a garota não vivesse tão isolada e solitária, dizem acreditar os especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

Veja crimes que chocaram o Brasil

Velório das crianças mortas a facadas pelo pai São Paulo . Foto: Futura PressSara Kelly, mãe das vítimas, durante velório das crianças mortas a facadas pelo pai São Paulo . Foto: Futura PressMarcelo Pesseghini ao lado do pai, o sargento da Rota Luiz Marcelo Pesseghini. Segundo a polícia, Marcelo é responsável pela morte dos pais. Foto: Arquivo pessoalEstudante de enfermagem Loanne Rodrigues da Silva Costa, de 19 anos, e o padrasto foram encontrados mortos e acorrentados pelos pés a uma árvore. Foto: Reprodução/FacebookSegundo a polícia, os filhos acreditavam que o padrasto de Loane poderia ter planejado matar a jovem e sentiria desejo por ela. Foto: Reprodução/FacebookLoanne e o padrastro tiveram abdômen cortado e órgãos arrancados, segundo a polícia. Foto: Reprodução/FacebookAntes do assassinato, a jovem já havia recebido ameaças de morte e sido agredida com uma paulada na cabeça. Foto: Reprodução/FacebookAmiga de Loanne disse à polícia que o padrasto ligava o tempo todo para a jovem. Foto: Reprodução/FacebookO corpo do menino Joaquim Ponte, de 3 anos, foi encontrado boiando em um rio . Foto: Alfredo Risk/Futura PressO padrastro Guilherme Longo é suspeito do assassinato de Joaquim. Foto: Reprodução/EPTVJoaquim Ponte Marques, de 3 anos, ficou desaparecido por cinco dias. Foto: Futura PressNatália Ponte, mãe de Joaquim, deve responder por omissão. Foto: Piton/Futura PressGuilherme Longo participa de reconstituição da morte de Joaquim. Foto: Futura PressA avó materna de Joaquim, Cristina Ponte, durante o velório. Foto: Futura PressFamiliares, amigos e moradores de São Joaquim da Barra participam do velório do menino Joaquim . Foto: Alfredo Risk/Futura PressUm casal de brasileiros e sua filha de 10 anos foram encontrados mortos dentro de casa. Foto: Reprodução/FacebookA polícia suspeita de duplo assassinato seguido de suicídio por conta dos problemas financeiros enfrentados pela família. Foto: Reprodução/FacebookO motoboy sandro Dota foi condenado a 31 anos por matar e estuprar a cunhada Bianca Consoli. Foto: Futura PressMãe mata as duas filhas e comete suicídio dentro de casa, no Butantã, zona oeste de São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressAmigas das adolescentes supostamente mortas pela mãe choram em frente à casa da família no bairro do Butantã. Foto: Futura PressGil Rugai foi condenado a 33 anos e 9 meses de prisão pelas mortes do pai e da madrasta. Foto: Futura PressAo ler da condenação do réu, o juiz se referiu a Gil Rugai como um pessoa "extremamente perigosa" e "dissimulada", já que tentava passar a imagem de "bom moço". Foto: Alice Vergueiro/Futura PressRéu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP. 'Eu não matei. Sou inocente', disse. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressGil Rugai chega ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo, com a mãe e o irmão. Foto: Futura PressMaioria do júri concordou que o duplo homicídio foi cometido por motivo torpe, pois Rugai não se conformou por ter sido afastado dos negócios do pai. Foto: AEAnna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, madrasta e pai da menina Isabella, foram condenados por arremessar a menina do 6º andar do prédio onde moravam. Foto: WERTHER SANTANA/AEAnna Carolina Jatobá cumpre pena na penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo. Foto: AEAnna Carolina Jatobá  e Suzane von Richthofen cumprem pena no mesmo complexo penitenciário. Foto: ArquivoSuzane von Richthofen e Anna Carolina Jatobá em Tremembé. Foto: ArquivoSuzanne foi condenada por participação no assassinato dos pais em 2002. Foto: Futura Press


Essa relação familiar nos choca e o fato de uma garota viver sozinha em um apartamento é muito triste e impressiona", disse a advogada Sayo Saruta, que divulgou recentemente uma pesquisa com crianças abandonadas pelos pais que vivem em instituições do governo japonês.

Para Sayo, as pessoas hoje vivem mais isoladas, e mesmo parentes mais próximos às vezes ficam de mãos atadas diante de dilemas familiares.

Para a psicóloga Neusa Emiko Miyata, que desenvolveu pesquisas na área de psicologia clínica pela Universidade de Kyoto e Universidade Tsukuba, o fato de os japoneses darem prioridade ao trabalho acaba enfraquecendo o núcleo familiar.

"O pai, mesmo sabendo que era o responsável pela menor, a deixou viver sem nenhum aparo ou atenção de um adulto."

A psicóloga afirma que, atualmente, poucas famílias mantêm o costume de jantar junto, o que faz que a família perca a oportunidade de trocar ideias e conversar sobre problemas. "Além disso, hoje não há mais aquela integração com os vizinhos e a e impressão é de que as pessoas evitam o contato", lamentou.

Sayo tem a mesma opinião. "São poucos os vizinhos que sabem, por exemplo, que eu tenho um bebê", falou.

O caso

Segundo uma agência de notícias de Kyoto, a adolescente disse à polícia que fez tudo "sozinha". A polícia investiga os motivos que teriam levado a jovem a praticar o crime. Diversos outros ferimentos foram encontrados no corpo da vítima.

Em entrevista à rede de televisão pública NHK, o diretor da escola onde as duas estudavam disse que elas, aparentemente, não tinham problemas de relacionamento.

A escola realizou uma reunião extraordinária com todos os estudantes nesta segunda-feira, dia 28 de julho, e pediu aos alunos para "pensarem novamente sobre o valor de uma vida humana".

Dez anos atrás, um crime semelhante abalou a mesma cidade, quando uma estudante de 11 anos esfaqueou uma amiga de 12 até a morte.

Naquele caso, a garota disse que agiu porque a vítima teria feito comentários sobre sua aparência em bate-papo na internet

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