Ainda segundo a presidente, o Brasil não pretende romper relações com Israel, mesmo depois de ter sido chamado de "anão diplomático"

BBC

A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff criticou nesta segunda-feira (28) a morte de civis em Gaza e chamou de "massacre" os ataques de Israel contra o território palestino.

"O que está ocorrendo na Faixa de Gaza é uma coisa perigosa. Não acho que é genocídio, mas é um massacre", disse Dilma, durante sabatina realizada por jornalistas da Folha de S. Paulo, pelo portal UOL, pelo SBT e pela rádio Jovem Pan.

A declaração da presidente vai de encontro ao que disse, na semana passada, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, que afirmou que os bombardeios israelense era um "genocídio" contra os palestinos.

Na sabatina, Dilma disse ainda que há uma "ação desproporcional" por parte de Israel: "Há uma ação desproporcional. Não é possível matar crianças e mulheres de jeito nenhum."

A candidata também foi questionada sobre os laços diplomáticos com Israel por conta da declaração do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, sobre o Brasil ser "politicamente irrelevante" e um "anão diplomático", feita após o Itamaraty divulgar nota condenando a violência em Gaza.

"Não vai haver ruptura nem nada. Mas lamento as palavras do porta-voz, pois as palavras produzem um clima muito ruim e deveríamos ter cuidados com as palavras."

Embaixador

Dilma afirmou ainda que o embaixador do Brasil em Tel Aviv, Henrique Sardinha Pinto, foi chamado para sanar algumas dúvidas e que "oportunamente" vai voltar a Israel.

A presidente foi cautelosa ao criticar o conflito, lembrando que o Brasil é uma nação amiga de Israel. "Eu tenho uma grande consideração [por Israel], até porque grande parte dos brasileiros é formada por cristãos novos e o Brasil foi o primeiro país a reconhecer o Estado de Israel."

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Para a presidente, a iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) de exigir um cessar-fogo imediato é muito bem-vinda: "É uma faixa muito pequena, há muita mulher e criança morrendo. A gente sabe que em uma guerra desse tipo, quem paga o preço são os civis."


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