Autoridades israelenses e palestinas trocaram acusações sobre autoria do ataque; explosão abala principal hospital de Gaza

Uma enorme explosão em um parque de Gaza matou dez pessoas, nove delas crianças, nesta segunda-feira (28). Autoridades israelenses e palestinas trocam acusações sobre a autoria do ataque enquanto os combates em Gaza se alastram, apesar de um importante feriado muçulmano.

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A mãe de uma criança palestina chora ao saber da morte de seu filho em hospital na cidade de Gaza
Reuters
A mãe de uma criança palestina chora ao saber da morte de seu filho em hospital na cidade de Gaza


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Uma trégua entre os lados permaneceu uma incógnita enquanto diplomatas tentaram acabar com a ofensiva no início do feriado de Eid al-Fitr, que marca o fim do mês sagrado muçulmano do Ramadã.

Em Israel, por sua vez, um militar disse que ataque de morteiro no sul de Israel deixou "mortos e feridos", mas não revelou mais detalhes. A imprensa israelense informou que o ataque matou ao menos quatro.

Os moradores atribuíram a explosão a um ataque aéreo israelense, mas Israel negou responsabilidade e afirmou que se tratou de uma falha num foguete lançado pelos militantes do grupo Hamas.

Quase à mesma hora uma outra explosão abalou o hospital de Shifa, o principal de Gaza, sem causar vítimas. Israel, que anteriormente acusou os militantes do Hamas de se esconderem no hospital, novamente atribuiu o fato a um erro no disparo de um foguete. Poças de sangue ficaram no parque em um campo de refugiados.

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"Nós saíamos da mesquita quando vimos as crianças brincando com seus brinquedos. Segundos depois, o foguete caiu", disse Munther Al-Derbi, um morador.

"Que Deus puna Netanyahu", disse ele, referindo-se ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Israel e os militantes palestinos em Gaza estão há três meses envolvidos em confrontos nos quais ao menos 1.049 morreram em Gaza, a maioria civis, atingidos por bombardeios israelenses. Morreram também 43 soldados e três civis israelenses atingidos por foguetes e projéteis de morteiro disparados pelo Hamas.

A explosão desta segunda ocorreu durante uma relativa trégua nos combates, com os dois lados baixando a temperatura durante o feriado religioso muçulmano do Eid al-Fitr.

Novos ataques

Os novos ataques seguiram pausa de quase 12 horas nos combates e vieram enquanto os esforços internacionais se intensificam para acabar com a guerra que já dura três semanas entre Israel e o Hamas.

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Nesta segunda a ONU pediu cessar-fogo "imediato" no conflito. No domingo, o presidente Barak Obama telefonou para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para pressionar por um fim imediato do conflito.

Um militar israelense afirma ter atingido dois lançadores e uma fábrica de foguetes no norte e centro de Gaza após foguete atingir o sul de Israel no início do dia. O foguete não causou danos ou ferimentos.

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Entre as vítimas fatais está um menino de quatro anos que morreu quando projéteis de tanque atingiram casa de sua família em Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, de acordo com autoridades de saúde de Gaza. Outra pessoa foi morta por um tanque em um incidente separado, também em Jabaliya.

O Exército israelense também informou ter lançado panfletos sobre a cidade de Gaza na tarde desta segunda, avisando a residentes palestinos na faixa costeira que Israel "não vai tolerar qualquer tentativa de prejudicar civis israelenses e que as consequências serão graves."

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Mais cedo, o militar disse que as tropas retomaram os esforços para destruir os túneis transfronteiriços construídos pelo Hamas para ataques dentro de Israel. Além disso, os militares abriram fogo de artilharia em Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza, em resposta ao foguete disparado em Ashkelon, de acordo com porta-voz do escritório militar de Israel. Os militares disseram que oito foguetes foram disparados de Gaza contra Israel desde a meia-noite de domingo.

Feriado pelo fim do Ramadã

Enquanto muçulmanos começam a celebrar o feriado de Eid al-Fitr, que marca o fim do mês de jejum do Ramadã, a atmosfera é de medo e luto nesta segunda ao invés da festa pelo feriado em grande parte da Faixa de Gaza.

Famílias palestinas se amontoam dentro de suas casas, temendo mais ataques aéreos, enquanto grupos que seguiram para o cemitério do bairro Sheik Radwan para prestar tradicionais homenagens aos túmulos de seus antepassados se reuniram ao redor de uma grande cratera aberta por ataque aéreo que há uma semana tem atingido várias sepulturas.

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Em Nova York, uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU chamou por um “imediado e incondicional cessar-fogo humanitário”. E apesar de ter sido a declaração mais forte do conselho sobre a guerra de Gaza, essa não foi uma resolução e, portanto, não será compulsória. O embaixador palestino na ONU, Riyad Mansour, não escondeu sua decepção.

Ele disse que o conselho deveria ter adotado uma resolução forte e juridicamente vinculativa há muito tempo exigindo a suspensão imediata da “agressão” de Israel, proporcionando ao povo palestino proteção e retirando o cerco à Faixa de Gaza, para bens e pessoas poderem se mover livremente

“Você não pode manter 1,8 milhões de palestinos da Faixa de Gaza nessa enorme prisão”, Mansour disse aos repórteres. “Isso é receita para o desastre. É inominável e o cerco deve ser retirado."

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O embaixador israelense na ONU, Ron Prosor, também criticou a declaração - embora a partir de uma perspectiva muito diferente - dizendo que faltou equilíbrio na frase, já que não foi mencionado o disparo de foguetes contra Israel pelo Hamas ou o direito de Israel de se defender dessas ofensivas.

Israel iniciou sua operação em Gaza no dia 8 de julho para interromper o lançamento de foguetes a partir do território costeiro e o intensificou no dia 17 de julho para neutralizar os túneis transfronteiriços do Hamas construídos para realizar ataques em território israelense, de acordo com o país.

*Com AP e Reuters

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