Disparo de tanque atingiu prédio no sul de Gaza antes de início da trégua humanitária de 12 horas; nº de mortos chega a 985

Um ataque de um tanque israelenses matou ao menos 20 palestinos da família, incluindo ao menos dez crianças, na cidade de Khan Younis, sul da Faixa de Gaza, na sexta-feira, pouco antes do início neste sábado de trégua humanitária de 12 horas .

Em vigor hoje: Israel anuncia trégua de 12 horas em conflito na Faixa de Gaza

Médicos palestinos retiram corpo de escombros de casa destruída por ataque de Israel em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza (25/7)
AP
Médicos palestinos retiram corpo de escombros de casa destruída por ataque de Israel em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza (25/7)

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A casa atingida pelo disparo desmoronou parcialmente e pessoas ficaram sob os escombros. A família havia se mudado recentemente para a construção após fugir de confrontos em uma vila vizinha, disse o funcionário de saúde palestino Ashraf al-Kidra.

Centenas de homens marcharam em uma procissão funerária na tarde deste sábado, gritando "há apenas Deus" enquanto carregavam os corpos, todos envoltos em tecidos, alguns deles com manchas de sangue.

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Israel lançou uma grande campanha aérea em Gaza em 8 de julho e, posteriormente, enviou soldados para o território controlado pelo grupo militante Hamas, em uma operação que, diz, tem o objetivo de impedir o lançamento de foguetes contra seu território e de destruir tunéis usados por militantes para atravessar em direção a Israel e lançar ataques.

Até agora, o Exército descobriu 31 túneis e destruiu metade deles. Desde 8 de julho, os militantes lançaram cerca de 2,5 mil foguetes contra Israel.

Ao menos 985 palestinos, em sua maioria civis, foram mortos e mais de 6 mil ficaram feridos nos últimos 19 dias, de acordo com funcionários palestinos. Os ataques israelenses destruíram centenas de casas e forçaram dezenas de milhares de pessoas a fugir, de acordo com grupos de direitos humanos palestinos.

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Mais de 160 mil palestinos deslocados procuraram abrigo em dezenas de escolas da ONU, um aumento de oito vezes desde o início da operação terrestre de Israel há uma semana, disse a ONU.

Israel afirma que faz o possível para evitar mortes de civis, incluindo enviando alertas de retirada para os residentes das áreas que serão alvo de ataques, e culpa o Hamas de colocar as vidas das pessoas em risco acusando-o de usá-las como escudo. Israel perdeu 37 soldados e dois civis, e um trabalhador tailândes também foi morto.

Trégua

Milhares de residentes do território que fugiram dos combates entre Israel e o Hamas retornaram neste sábado a áreas destruídas assim que começou a trégua de 12 horas acordada entre as duas partes e se depararam com uma destruição em grande escala: várias casas estão pulverizadas, enquanto estradas estão bloqueadas pelos escombros e cabos elétricos estão soltos pelas ruas.

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Assim que a trégua entrou em vigor às 8 horas locais (2 horas em Brasília), ambulâncias do Crescente Vermelho alcançaram as áreas mais atingidas para retirar corpos dos escombros. De acordo com Kidra, 85 corpos foram retirados dos destroços neste sábado.

A trégua de 12 horas foi apenas o resultado aparente de uma missão de mediação de alto nível do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante esta semana. Eles fracassaram em conseguir, como esperavam, um cessar-fogo de uma semana de duração como precursor de um acordo mais amplo.

Em vez disso, o ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, alertou que pode, em breve, expandir "de forma significativa" a operação em Gaza. Assim, parece pouco improvável que a trégua deste sábado mude o curso das atuais hostilidades, com ambos os lados se entrincheirando em suas posições.

Israel busca obter um poder de dissuasão. "No final da operação, o Hamas terá de pensar se vale a pena nos atingir no futuro", disse Yaalon na sexta-feira. O governo israelenses também vem sugerindo a desmilitarização de Gaza como condição para um cessar-fogo permanente, para que o Hamas não possa se rearmar. A atual guerra é a terceira em Gaza em cinco anos.

O Hamas, por sua vez, deseja suspender os ataques só quando receber garantias internacionais de que o bloqueio de sete anos contra Gaza será levantado. Israel e o Egito aumentaram o bloqueio depois que o Hamas capturou o território, em 2007.

*Com AP e Reuters

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