EUA pediram paralisação dos conflitos por período de sete dias; Israel prometeu contra-proposta, mas Hamas não respondeu

O gabinete de segurança do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou propostas para um longo cessar-fogo na Faixa de Gaza e está buscando mudanças nos planos, disse uma fonte do governo nesta sexta-feira (25).

Hoje: Kerry pressiona por trégua humanitária em Gaza; número de mortos supera 800

Muçulmanos macedônios, a maioria mulheres e crianças, protestam contra ação militar de Israel em Gaza, em Skopje
Reuters
Muçulmanos macedônios, a maioria mulheres e crianças, protestam contra ação militar de Israel em Gaza, em Skopje


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John Kerry, secretário de Estado norte-americano, tem pressionado pelo fim dos combates entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza após o número de civis mortos ter disparado e ameaça se espalhar para a Cisjordânia ocupada e também Jerusalém.

Com Israel e combatentes islâmicos do Hamas apresentando termos aparentemente irreconciliáveis para uma trégua, Kerry fez diversas ligações do Egito enquanto seus auxiliares deixaram claro que sua paciência estava se esgotando.

A urgência foi causada pela morte, na quinta, de 15 pessoas em uma escola da ONU onde civis buscam abrigo, no norte da Faixa de Gaza, em um ataque atribuído por autoridades locais à artilharia de Israel.

Israel disse que suas forças sofreram ataques de guerrilheiros palestinos na área da escola e revidaram fogo, e acusou o Hamas de evitar que qualquer remoção de civis fosse realizada.

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Autoridades de Gaza disseram que ataques de Israel mataram 27 nesta sexta, incluindo o chefe de mídia do Jihad Islâmico, aliado do Hamas, e também seu filho. Assim, o número de mortos palestinos em Gaza em 18 dias já supera 800, a maioria civis.

Detalhes sobre a trégua proposta não foram divulgados, mas o funcionário do governo, que não quis ser identificado, afirmou que Israel queria modificações antes de aceitar qualquer fim das hostilidades. O Hamas ainda não respondeu à proposta de cessar-fogo.

Ataques

Uma aeronave israelense atingiu 30 casas na Faixa de Gaza nesta sexta matando um líder do grupo militante Jihad Islâmica e dois de seus filhos, enquanto Gabinete de Segurança de Israel decide se vai ou não expandir sua operação ou considerar ideias de cessar-fogo. Tropas terrestres israelenses e atiradores do Hamas travaram batalhas intensas no norte e centro do território, de acordo com autoridades palestinas.

O Exército israelense afirma ter atingido 45 locais em Gaza, incluindo o que ele diz ter sido um posto de comando militar do Hamas enquanto militantes de Gaza continuaram a disparar dezenas de foguetes contra Israel - um deles atingiu uma casa vazia.

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No 18º dia dos conflitos, um dos planos pedia trégua humanitária de cinco dias durante o qual Israel e o Hamas deverão negociar novos acordos sobre as fronteiras que bloqueiam Gaza, disse Hana Amireh, um alto funcionário da Organização pela Libertação da Palestina na Cisjordânia, que está envolvido nos esforços de trégua.

O Hamas diz que não haverá trégua sem garantias internacionais de que o Egito e Israel vão abrir postos de fronteira da Faixa de Gaza e acabar com seus sete anos de bloqueio. Israel e Egito estão relutantes em aliviar o bloqueio, temendo que isso permita que o Hamas acerre seu controle sobre Gaza.

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Segundo porta-voz do governo israelense, Mark Regev, o chefe do Hamas, Khaled Mashaal, "coloca tantos pré-requisitos para o cessar-fogo que tornará a trégua impossível."

A imprensa israelense informou que o Exército do país quer mais tempo para continuar a destruir locais utilizados para disparos de foguetes e túneis que vão de Gaza para Israel. O Hamas tem utilizado esses canais para realizar ataques. Os militares dizem ter encontrado 31 túneis, mas apenas cerca de um terço foi destruído até agora.

Manifestações

Na Cisjordânia ocupada, onde o presidente palestino, Mahmoud Abbas, que tem o apoio dos EUA, governa em uma incômoda coordenação com Israel, cerca de 10 mil manifestantes marcharam em solidariedade com Gaza durante a noite, uma escala que relembra revoltas do passado.

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Manifestantes foram até um ponto de controle de Israel, atirando pedras e coquetéis molotov, e médicos palestinos disseram que uma pessoa morreu a tiros e 200 ficaram feridas quanto as tropas abriram fogo.

Nesta sexta, a polícia paramilitar israelense ficou em estado de alerta para quaisquer ocorrências na mesquita mais importante de Jerusalém durante as orações para a etapa final do mês sagrado muçulmano do Ramadã.

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Yitzhak Aharonovitch, ministro da polícia de Israel e membro do gabinete de segurança, disse estar realizando diversas consultas sobre como conter as crescentes hostilidades. “Temos uma noite muito difícil”, disse ele à rádio do Exército de Israel. “Espero que consigamos passar bem o dia hoje."

*Com AP e Reuters

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