Contra estereótipos, árabes e judeus se unem pela internet para pedir paz

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Contra generalizações de ambas as partes, grupos têm usado as redes sociais para criticar a ofensiva que 'não os representa'

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A guerra de estereótipos entre Israel e Palestina é menos sangrenta que os disparos de foguetes na faixa de Gaza, mas também deixa sequelas.

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Jews and Arabs Refuse to be Enemies
'Ele é muçulmano', 'Ela é judia'; 'Somos casados há décadas', 'Uau! Agora me diga você', dizem os cartazes


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Contra generalizações e a vilanização de ambas as partes, árabes e judeus têm usado nas redes sociais um mantra popular no Brasil desde junho do ano passado: este conflito, eles afirmam, "não os representa".

Por meio de perfis e páginas na internet, eles mostram que nem todos os judeus defendem ataques a escolas, hospitais e áreas residenciais da Palestina. Assim como não são todos os árabes que advogam por estratégias terroristas, uso de bombas ou antissemitismo.

Criada pelos colegas de classe Abraham Gutman, um rapaz de 23 anos nascido em Israel, e Dania Darwish, uma síria de 21 que cobre o rosto com um véu, a página "Jews and Arabs Refuse to be Enemies" (Judeus e Árabes se Recusam a ser Inimigos, em tradução livre) virou símbolo desta "contra-ofensiva".

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Com mais de 27 mil seguidores conquistados em duas semanas, o projeto publica fotos de judeus e árabes, posando sempre lado a lado, junto a cartazes com mensagens de paz e tolerância.

Concordar em discordar

Jews and Arabs Refuse to be Enemies
O casal Salem, árabe, e Matt, judeu

As imagens retratam casais de árabes e judeus junto aos filhos, professores israelenses ao lado de estudantes palestinos e filhos de casais formados por pessoas de ambos os lados.

"Já tivemos várias discussões sobre política", disseram os criadores ao #salasocial. "Mas não é porque não concordamos sempre que nossas opiniões vão transformar nossa amizade ou criar qualquer tipo de problema entre nós."

Estudantes de segundo grau em um colégio em Nova York, os dois amigos afirmam que o objetivo principal da página é desfazer a onda de ódio e tensão entre árabes e judeus nas redes sociais. "Temos que mostrar que nos recusamos a ser inimigos", explicam.

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Nas últimas semanas, imagens de jovens israelenses fazendo piquenique e comemorando enquanto assistiam ao disparo de bombas em Gaza ou notícias sobre palestinos postando ameaças de morte aos vizinhos se espalharam pela internet. A proposta, nesse caso, é justamente o contrário.

"Nossa iniciativa visa criar um espaço para discussão entre civis, entre pessoas que se identificam, mesmo com ideias políticas diferentes. É hora de se afastar dos estereótipos, da generalização da incitação ao ódio", explicaram Abraham e Dania.

Ativismo

Jews and Arabs Refuse to be Enemies
Junto à filha, o árabe Osama e a judia Jasmin dizem: 'Somos uma família'.

O mote "Jews and arabs refuse to be enemies" já é usado há alguns anos por ativistas em protestos que pedem o cessar-fogo definitivo em Gaza. Transformada em hashtag pelos dois jovens, o termo já foi usado 37 mil vezes apenas no Twitter, segundo estatísticas do site Topsy.

O professor de ioga israelense Eitan e a estudante palestina Suhad mandaram uma foto para o projeto. Lado a lado, eles seguram cartazes em que apresentam um ao outro: "Conheça Suhad, palestina, minha querida aluna e amiga e... um ser humano", diz o cartaz ele.

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"Conheça Eitan, israelense, professor, amigo, uma grande alma e... um ser humano", diz o cartaz dela.

Um casal gay também fez questão de mandar sua foto com o seguinte texto: "Judeu e árabe. Casal. Nós coexistimos em paz. Esta também é uma solução!". Em uma foto ao lado da filha, o casal Osama e Jasmin também deu seu recado: "Somos uma familia. Existem alternativas", dizem em seu cartaz.

Uma das fotografias traz uma jovem muçulmana sozinha. "Quando o poder do amor superar o amor pelo poder, o mundo conhecerá a paz". Trata-se de uma citação atribuída ao guitarrista Jimmy Hendrix, que teria dito isso nos anos 1970.

"Nos solidarizamos com as populações de árabes e judeus que foram para as ruas de Israel e da Palestina para demonstrar que se recusam a sucumbir ao sentimento de ódio da minoria. Não precisamos concordar em tudo, mas precisamos mostrar que não precisamos ser inimigos", resumem os criadores do projeto.

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