Líder da oposição vai a julgamento em Caracas, Venezuela

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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A sessão do julgamento de Leopoldo López será retomada em agosto; ele é acusado de incitar a violência durante os protestos

Líder dos protestos anti-governo que assolaram a Venezuela durante meses, Leopoldo López - preso desde o dia 18 de fevereiro por, entre outros crimes, incitar a violência e por formação de quadrilha - foi a julgamento na quarta (23) em um tribunal de Caracas. 

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AP
Simpatizantes colocam recortes de papelão em tamanho real do líder da oposição Leopoldo López fora do Palácio da Justiça em Caracas, Venezuela (23/07)


O advogado de defesa, Juan Carlos Gutierrez, disse à Associated Press após o fim da audiência na noite de quarta que Lopez defendeu a convocação dos protestos contra o governo socialista do presidente Nicolás Maduro.

Lopez testemunhou que seu chamado para as manifestações "estava na Constituição, que garante o protesto pacífico e não-violentos", segundo seu advogado. A juíza Susana Barreiros, que preside o julgamento, disse que a próxima sessão será realizada no dia 6 de agosto.

O ativista foi preso em fevereiro depois de comício que culminou no confronto com a polícia depois de a maioria dos manifestantes ter se dispersado. A ação marcou o início de três meses de protestos de rua turbulentos no país.

Após sua prisão, Lopez tem ficado em uma cela enquanto a maior parte do movimento diminuiu e os líderes da oposição começaram a lutar entre si. Mas ele se tornou célebre para os críticos do governo socialista da Venezuela.

Enquanto isso, a polícia de choque e tropas da Guarda Nacional bloquearam o acesso ao tribunal onde o caso de Lopez estava sendo julgado na quarta. Se condenado, o ex-aluno da Universidade de Harbard pode enfrentar anos de prisão.

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Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

Crise: ONG pede à Unasul para atuar em caso de abusos na Venezuela

Recentemente, vários líderes da oposições têm sido alvos das cortes venezuelanas, incluindo a ex-parlamentar Maria Corina Machado, que estava também envolvida nos protestos realizados em fevereiro e foi impedida de deixar o país.

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Investigação de crimes

A ONG Human Rights Watch (HRW), que atua na defesa dos direitos humanos, pediu em junho à União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para “estimular o governo venezuelano a abordar imediatamente a grave situação na área”, em carta enviada a vários ministros dos Negócios Estrangeiros.

Essa carta refere-se a um relatório da HRW sobre a situação no país desde o início das manifestações, em 12 de fevereiro, que ocorrem quase diariamente.

“Enquanto diversos organismos internacionais, incluindo relatores de direitos humanos das Nações Unidas e do Parlamento Europeu, expressaram a sua preocupação com as violações de direitos humanos na Venezuela, a Unasul não condenou os gravíssimos abusos cometidos por agentes estatais venezuelanos”, diz o diretor da HRW para as Américas, José Miguel Vivanco.

O pedido foi endereçado aos ministros dos Negócios Estrangeiros da Argentina, do Brasil, Chile, da Colômbia, do Equador, Peru e Uruguai.

A organização de defesa dos direitos humanos apela à Unasul para que “perante a inexistência, na Venezuela, de um poder judicial independente capaz de travar os abusos do governo (…) exorte a administração de [Nicolás] Maduro a proteger os direitos dos manifestantes”, em alusão ao Tratado Constitutivo da Unasul de 2008.

O tratado estabelece que “tanto a integração quanto a união sul-americana se fundam nos princípios da democracia - participação cidadã e pluralismo e direitos humanos universais, indivisíveis e interdependentes”, lembra a HRW.

*Com AP e Agência Brasil

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