Kerry chega a Israel e fala em progresso nas negociações por cessar-fogo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Secretário de Estado não ofereceu detalhes sobre o progresso; mais de 630 palestinos e ao menos 30 israelenses foram mortos

Oferecendo o primeiro vislumbre de esperança por um cessar-fogo em Gaza, os Estados Unidos disseram nesta quarta-feira (23) que as negociações para mediar a trégua entre Israel e o Hamas estão fazendo algum progresso, mesmo que o fim do derramamento de sangue, que já dura mais de duas semanas, não esteja nem perto.

Ontem: Companhias aéreas dos EUA e da Europa cancelam voos para Israel

AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, se reúne com secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Jerusalém


Diplomacia: EUA e Egito pressionam por cessar-fogo na Faixa de Gaza

"Nós certamente demos passos à frente", disse o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em Jerusalém, onde estava reunido pela segunda vez esta semana com o chefe das Nações Unidas, Ban Ki-moon. "Ainda há trabalho a ser feito."

Ele, porém, não ofereceu mais nenhum detalhe sobre o progresso que citou em seu terceiro dia de conversas com líderes do Oriente Médio. Kerry seguiu para Jerusalém pouco depois de aterrissar em Tel Aviv em um jato da Força Aérea - um dia após a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) proibir voos comerciais para o Aeroporto Ben-Gurion por causa de um ataque com foguetes do Hamas nas proximidades.

Os EUA, Israel e a União Europeia consideram o Hamas uma organização terrorista. Mesmo assim, Ki-moon e Kerry estavam fazendo lobby junto a um conjunto de funcionários da região para pressionar o Hamas e Israel por um cessar-fogo o mais rápido possível.

"Nós não temos tempo a perder", disse Ki-moon aos jornalistas antes da reunião com Kerry. Nem ele nem Kerry responderam perguntas da mídia durante seus breves comentários.

Mais cedo: Companhias aéreas dos EUA cancelam voos para Israel

Kerry também ofereceu sua "profunda gratidão" ao que ele descreveu como 30 mil israelenses que se alinharam espontaneamente pelas ruas de Jerusalém nesta quarta para o funeral do soldado israelense Max Steinberg, um cidadão americano de 24 anos que cresceu no sul da Califórnia e foi morto nos combates. "Essa é uma afirmação notável - estamos muito gratos", disse Kerry.

O secretário de Estado americano também planejava se reunir com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, durante o que parece ser um dia crucial para as negociações. Autoridades dos EUA minimizaram as expectativas para uma trégua imediata e duradoura entre Israel e o Hamas, que controla Gaza. Pelo menos a missão de Kerry desta quarta procura definir os limites do que cada lado aceitaria em um potencial cessar-fogo.

Cancelamento de voos

A FAA vai reavaliar sua proibição sobre os voos a Tel Aviv - que o Departamento de Estado diz não se aplicar a aeronaves militares - ao meio-dia desta quarta-feira em Washington. A Agência Europeia de Segurança da Aviação também emitiu um comunicado dizendo que "recomenda vivamente" evitar as companhias aéreas que seguem ao aeroporto israelense.

Segunda: Hamas rejeita cessar-fogo unilateral; Israel promete manter ofensiva

Autoridades israelenses disseram que a medida de precaução dos EUA era desnecessária e "deu um prêmio ao terror" ao reagir às ameaças do Hamas. Ele também levou uma queixa direta de Netanyahu para Kerry. A porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki disse que "A FAA está em estreito contato com Israel e continua a monitorar e avaliar a situação."

Mais de 630 palestinos e cerca de 30 israelenses foram mortos durante os episódios de violência. Israel diz que suas tropas mataram centenas de homens armados do Hamas, enquanto autoridades de Gaza dizem que a grande maioria são civis, incluindo crianças.

Israel e os EUA voltaram a falar da proposta de cessar-fogo unilateral oferecida pelo Egito, que seria seguida por negociações sobre um possível acordo de uma nova fronteira para Gaza. Israel e Egito têm restringido severamente o movimento dentro e fora de Gaza desde que o Hamas tomou o território, em 2007.

Bola de fogo sobe de explosão na torre de apartamentos de al-Zafer depois de um ataque aéreo de Israel na Cidade de Gaza, no norte do território (23/8). Foto: APMilitantes do Hamas vendam palestino suspeito de colaborar com Israel antes de executá-lo na Cidade de Gaza (22/8). Foto: ReutersFumaça cobre Gaza após o que testemunhas disseram ter sido um ataque aéreo israelense (19/08). Foto: ReutersPalestinos preparam chá próximos às ruínas de sua casa em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza (18/08). Foto: ReutersPalestina caminha pelas ruínas de casas que testemunhas disseram ter sido destruídas por ofensiva israelense na vila de Jöhr El-Deek, em Gaza (17/08). Foto: ReutersPalestina entre os restos de sua casa, que testemunhas disseram ter sido destruída durante a ofensiva israelense na vila Jöhr El-Deek, centro de Gaza (17/08). Foto: ReutersPalestino assiste às orações ao lado das ruínas de uma mesquita que testemunhas disseram ter sido destruída por ataque aéreo de Israel, em Gaza (15/08). Foto: ReutersPalestino carrega seu irmão ao lado dos restos de sua casa, que testemunhas dizem ter sido destruída por Israel, durante trégua em Gaza (13/08). Foto: ReutersSimone Camilli, 35, é o primeiro jornalista estrangeiro morto no conflito de Gaza (13/08). Foto: APSoldados israelenses patrulham Kibbutz Nahal Oz, perto da Faixa de Gaza cuja maioria dos moradores fugiu para se proteger de foguetes (10/08). Foto: Reutersmilitares israelenses retiram militante ferido após ataque a embarcação em israel (maio/2010). Foto: ReutersMulher chora durante funeral de familiar morto após ataque aéreo israelense no campo de refugiados de Nusseirat, Gaza (9/08). Foto: ReutersSoldados com a bandeira israelense em operação militar (8/08). Foto: APFumaça toma o céu na Faixa de Gaza após ataque israelense (8/08). Foto: ReutersFoto antiga mostra movimento na área onde hoje fica Israel (8/08). Foto: APPalestinos fogem de suas casas após ataque aéreo israelense nas proximidades, no norte da Faixa de Gaza (8/08). Foto: ReutersSoldado israelense carrega projétel perto da fronteira com a Faixa de Gaza (7/08). Foto: ReutersCerca de um quinto dos mortos durante a ofensiva israelense em Gaza são crianças (9/08). Foto: ReutersHomem com roupas manchadas pelo sangue é consolado em hospital em Khan Younis: cerca de 1.900 palestinos morreram em Gaza (9/08). Foto: ReutersA tia da palestina Yasmin al-Bakri, 11, a quem médicos disseram ter sido ferida em ataque aéreo israelense, segura a mão da  sobrinha em hospital de Gaza (6/08). Foto: ReutersO palestino Anas Shabat, 10, chora ao inspecionar os danos ao retornar para sua casa, destruída por ataques na cidade de Beit Hanoun, Faixa de Gaza (5/08). Foto: APPara pastor, ataques israelenses em Gaza são 'desumanos' (7/08). Foto: AFPPalestino chora após o corpo de sua mãe ser retirado de escombros de casa destruída por ataque aéreo israelense, segundo testemunhas, em Rafah, Gaza (4/08). Foto: ReutersConfronto atual pode ser apenas mais um episódio do conflito e se repetir nos próximos meses (6/08). Foto: APAtaque a escola matou ao menos dez pessoas (3/08). Foto: ReutersSoldado israelense em túnel construído pelo Hamas para atacar Israel (31/07). Foto: ReutersPalestino que, segundo os médicos, foi ferido após ataque israelense perto de mercado em Shejaia, aguarda atendimento em maca na Cidade de Gaza (30/07). Foto: ReutersPalestino carrega menina ferida no hospital Kamal Adwan. Ela recebeu tratamento após ataque israelense a uma escola da ONU, em Gaza (30/07). Foto: APPalestinos choram por um parente que os médicos dizem ter sido morto por bombardeio israelense perto de um mercado em Shejaia, em Gaza (30/07). Foto: ReutersFarah Baker, 16, mora ao lado do hospital Al-Shifa, em Gaza, e pede o fim dos conflitos pelas redes sociais (29/07). Foto: Reprodução/TwitterPalestino é amparado enquanto civis procuram por vítimas após casa ser destruída por ataque aéreo em Rafah, sul da Faixa de Gaza (29/07). Foto: ReutersHomem observa estrago em única usina elétrica de Gaza (29/07). Foto: AFPA mãe de uma criança palestina chora ao saber da morte de seu filho em hospital na cidade de Gaza (28/07). Foto: ReutersSoldado israelense detém arma sobre veículo blindado após cruzar fronteira de Gaza para Israel (28/07). Foto: ReutersCrianças palestinas seguram armas de brinquedo em frente ao Domo da Rocha durante protesto na cidade velha de Jerusalém (28/07). Foto: ReutersParentes de militante palestino da Jihad Islâmica Hazem Abu Shamala choram durante seu funeral em Khan Younis, sul de Gaza (27/7). Foto: ReutersDestroços de casa de família cristã atingida por ataque de Israel são vistos na Cidade de Gaza (27/7). Foto: ReutersSoldados israelenses são vistos durante enterro em Jerusalém de seu companheiro Amit Yeori, morto durante combates em Gaza (27/7). Foto: ReutersFumaça sobe depois de explosão no norte de Gaza (27/7). Foto: ReutersPalestinos se reúnem ao redor de escombros de prédio onde membros de uma mesma família foram mortos em ataque de Israel em Khan Younis (26/7). Foto: APPalestina carrega seus pertences após ter casa destruída (26/7). Foto: ReutersPalestinos choram durante funeral de Eid Fadhelat, 32, que foi atingido por soldados israelenses durante confronto na sexta na Cisjordânia. Foto: APMédicos palestinos retiram corpo de escombros de casa destruída por ataque de Israel em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza (25/7). Foto: APPessoas vão ao velório do palestino Mohammed al-Araj, morto por tropas israelenses, de acordo com médicos da região (25/7). Foto: ReutersPalestino ferido por ataque de Israel contra escola da ONU em Beit Hanoun, norte da Faixa de Gaza, grita em hospital (24/5). Foto: ReutersMenino palestino chora ao ver parentes feridos sendo levados à sala de emergência no hospital de Nasser após ataque em Khan Younis, sul de Gaza (24/7). Foto: APMãe do palestino Mahmoud al-Shawamrah chora durante seu funeral na cidade de Al-ram, Cisjordânia (22/7). Foto: ReutersPalestinos procuram por sobreviventes sob os escombros de uma casa destruída por um míssil israelense na Cidade de Gaza (21/7). Foto: APEquipe de resgate e civis palestinos removem corpo sem vida dos escombros de uma casa destruída por um míssil israelense na Cidade de Gaza (21/7). Foto: APPolicial israelense de fronteira mira sua arma durante confrontos com palestinos que protestam na Cisjordânia contra ofensiva na Faixa de Gaza (18/7). Foto: APTanque de Israel manobra para tomar posição ao longo da fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza (17/7). Foto: APFamiliares reagem à morte de quatro crianças vítimas de ataque aéreo israelense em Gaza (16/7). Foto: ReutersMenina chora enquanto palestinos fogem de suas casas no bairro de Shajaiyeh da Cidade de Gaza City depois de alerta de ataque de Israel (16/7). Foto: APParentes de quatro crianças palestinas que, segundo médicos, foram mortos por ataque de Israel choram na Cidade de Gaza (16/7). Foto: ReutersParentes de quatro meninos mortos na praia em ataque israelense choram durante funeral na Cidade de Gaza (16/7). Foto: APPalestino inspeciona danos a posto de polícia após ataque de míssil israelense que matou quatro meninos da mesma família na Cidade de Gaza (16/7). Foto: APParentes choram enquanto seguram corpo de Sarah Omar el-Eid, 4, que foi morta por ataque de Israel contra Gaza (15/7). Foto: APFumaça sobe após ataque aéreo de Israel contra a Faixa de Gaza (15/7). Foto: APBombeiro israelense inspeciona local atingido por fogo de militantes em Ashdod (15/7). Foto: APPalestino é visto perto de destroços de construção destruída por ataque aéreo israelense em Beit Lahiya, norte da Faixa de Gaza. Foto: APParentes de menina de 4 anos morta em ataque israelense choram durante enterro em Rafah, sul da Faixa de Gaza (15/7). Foto: ReutersParentes de menina de 4 anos morta em ataque israelense choram durante enterro em Rafah, sul da Faixa de Gaza (15/7)
. Foto: ReutersMenino chora morte de criança de 4 anos por ataque israelense em Rafah, sul da Faixa de Gaza (15/7). Foto: ReutersSoldados israelenses dormem no chão ao lado de um veículo blindado fora da Faixa de Gaza (15/7). Foto: ReutersPalestinos se reúnem em mesquita ao redor de corpo de homem morto por ataque aéreo de Israel (14/7). Foto: APMenina descansa no colo do pai depois de fugir de ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza (14/7). Foto: APPalestinos verificam danos em mesquita 
atingida por ataque de Israel durante a madrugada na Faixa de Gaza (14/7). Foto: APFumaça e destroços sobem durante ataque 
aéreo de Israel contra prédio no campo de refugiados de Jabalya, norte da Faixa de Gaza (14/7). Foto: APPalestina reage diante de destroços de sua casa, que a polícia diz ter sido destruída em ataque aéreo israelense em Rafah, sul da Faixa de Gaza (14/7). Foto: ReutersPalestinos fogem de suas casas para se abrigar em escola da ONU na Cidade de Gaza (13/7). Foto: APPalestinos levam corpo de Mohammed Sowelim, militante morto em ataque de Israel a Gaza (12/7). Foto: APIsrael tem à disposição arsenal mais sofisticado e soldados treinados (11/7). Foto: AFPPalestinos carregam seus pertences em uma casa depois de ela ser destruída por ataque de míssil de Israel na Faixa de Gaza (11/7)
. Foto: APIsraelenses em Tel Aviv procuram abrigo enquanto sirenes avisam sobre lançamento de foguete da Faixa de Gaza (11/7). Foto: APCarros destruídos são removidos de posto de gasolina na cidade de Ashdod, Israel, que foi atingido por foguete lançado da Faixa de Gaza. Foto: APParentes de família de oito palestinos mortos em ataque de Israel choram durante velório em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza. Foto: APFumaça sobe depois de ataques aéreos de Israel (10/7). Foto: APPalestinos fazem buscam em destroços de casa destruída onde oito membros da mesma família morreram em ataque de Israel (10/7). Foto: APParentes de oito membros de uma família palestina choram durante velório em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersFumaça sobe depois de ataque contra a Cidade de Gaza (10/7). Foto: APPalestinos se reúnem ao redor de destroços de carro que, segundo a polícia, foi alvo de ataque de Israel no norte da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersPessoas rezam perto de corpos de oito membros de uma mesma família palestina em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersMãe segura menina palestina de 4 anos que funcionários de hospital dizem que foi morta por ataque israelense em Jabaliya, norte da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersMísseis israelenses atingem túneis de 
contrabando entre o Egito e a Faixa de Gaza em Rafah, sul da Faixa de Gaza (9/7). Foto: APParentes de cinco membros de uma família do Hamas mortos por Israel choram em sua casa em Beit Hanoun, norte da Faixa de Gaza (9/7). Foto: APFumaça e destroços sobem depois de 
ataque aéreo de Israel na Faixa de Gaza (9/7). Foto: APFoguete disparado por militantes palestinos a partir da Faixa de Gaza é visto em direção a Israel. Foto: APFumaça e fogo sobem de ataque aéreo de Israel em Rafah (8/7). Foto: APPalestinos levam ferido a hospital na Cidade de Gaza (8/7). Foto: APPalestinos fazem buscas em destroços de veículo depois de ataque aéreo de Israel em Gaza (8/7). Foto: APFumaça sobe depois de ataque de míssil de Israel na Cidade de Gaza (8/7). Foto: APPalestinos fazem buscas em destroços de veículo depois de ataque aéreo de Israel em Gaza (8/7). Foto: APPalestinos tentam salvar o que podem de seus pertences de destroços de casa destruída por ataque de Israel em Gaza (8/7). Foto: APPalestinos fazem buscas em destroços de casa destruída por ataque aéreo de Israel em Gaza (8/7)
. Foto: APPalestinos olham casa destruída depois de ataque de míssil de Israel em Khan Younis, Faixa de Gaza (8/7). Foto: APIncursões em Gaza ocorreram em retaliação a ataques com foguetes contra Israel no domingo (7/7). Foto: AFPIluminador do Exército de Israel explode sobre a fronteira entre Israel e Gaza (7/7). Foto: AP

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Mas o Hamas rejeitou as propostas repetidas de trégua. O grupo militante, com o apoio de seus aliados Catar e Turquia, diz querer garantias sobre o bloqueio das fronteiras antes do cessar-fogo. Além de discussões com funcionários Egito, incluindo o presidente Abdel-Fattah el-Sissi, Kerry falou várias vezes do Cairo com o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, e o ministro das Relações Exteriores do Catar, Khalid al-Attiya.

No início desta semana, Netanyahu disse que a comunidade internacional deve responsabilizar o Hamas pelos episódios de violência mais recentes, dizendo que a recusa do grupo em concordar com um cessar-fogo havia impedido o fim da luta. Ele há muito tem acusado o Hamas - que pede a destruição de Israel - de não querer chegar a uma solução para o fim do conflito.

O Egito também está negociando com alguns funcionários do Hamas, mas as relações entre os dois lados têm estado tensas desde que o Egito baniu a Irmandade Muçulmana, que tem laços com o Hamas, após a queda do ex-presidente Mohammed Morsi no ano passado.

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Ao menos alguns diplomatas também veem as negociações de cessar-fogo como uma oportunidade para revitalizar as negociações de paz paralisadas entre Israel e as autoridades palestinas pessoalmente intermediadas por Kerry, mas foram rompidas em abril após quase nove meses de tentativas frustradas.

Tanto Ki-moon quanto o ministro das Relações Exteriores egípcio, Sameh Shuk, pretendem empurrar o cessar-fogo para negociações mais amplas, e na terça, Shukri chamou por uma ação "para pôr em prática mais uma vez o processo de paz que o secretário Kerry tem estado tão ativamente envolvido para acabar com o conflito em curso entre os palestinos e os israelenses."

É improvável que Washington esteja pronto para mediar as negociações de paz, rompidas em abril após quase nove meses de diplomacia de Kerry. Mas a nova rodada de combates entre Israel e o Hamas, que controlam os militantes de Gaza, alcançou o nível de violência que as autoridades americanas haviam alertado na última primavera, caso não houvesse uma trégua duradoura.

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Kerry não chegou a advogar uma nova rodada de negociações de paz. Ainda assim, ele deixou a porta aberta para amplas negociações entre Israel e autoridades palestinas uma vez que o cessar-fogo está em jogo.

Israel lançou uma campanha aérea massiva em 8 de julho para interromper o lançamento de foguetes implacável Hamas em Israel, e expandiu-a na semana passada para uma guerra terrestre destinada a destruir túneis militares que o país afirma que o Hamas construiu a partir de Gaza para atacar israelenses. Israel atingiu quase 3 mil áreas em Gaza, matou mais de 180 palestinos armados e descobriu 66 poços de acesso a 23 túneis, segundo exército israelense.

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Crimes de guerra

Israel pode ter cometido crimes de guerra ao matar civis e bombardear casas e hospitais durante suas duas semanas de ofensiva contra a Faixa de Gaza, disse a comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, nesta quarta.

Ao abrir um debate emergencial no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Pillay também condenou o disparo indiscriminado de foguetes e projéteis de morteiro por militantes palestinos contra Israel.

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Citando casos de bombardeios aéreos e disparos de artilharia que atingiram casas e hospitais no enclave costeiro, ela disse: "Esses são apenas alguns exemplos nos quais parece haver uma forte possibilidade de que a lei humanitária internacional esteja sendo violada, de um modo que pode caracterizar crimes de guerra. Cada um desses incidentes tem de ser investigado de modo adequado e independente", declarou Pillay, num de seus mais duros comentários sobre o conflito.

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A entidade, com sede em Genebra, convocou uma sessão especial de um dia a pedido dos palestinos, do Egito e do Paquistão. Israel acusa o Conselho de ser tendencioso e o boicotou durante 20 meses, tendo retomado sua cooperação em outubro. Seu principal aliado, os Estados Unidos, também Estado membro, dizem que Israel é injustamente acusada sozinha.

*Com AP e Reuters

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