Confundido com suposto terrorista, eletricista de 27 anos foi morto com sete tiros em estação de metrô londrina, em 2005

BBC

A família do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica em 2005, foi alvo de vigilância "inapropriada" da polícia como parte de uma operação de infiltração em grupos ativistas, informam reportagens desta quarta-feira (23) do jornal The Guardian e da emissora Channel 4, da Grã-Bretanha.

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Outras famílias que faziam campanha por justiça no país também teriam sido alvo de espionagem - como a do estudante Ricky Reel, cujo corpo foi encontrado no rio Tâmisa, em 1997, após ser atacado por homens que supostamente gritaram ofensas racistas, e de Cherry Groce, que ficou paralítica e morreu ao ser baleada por policiais que buscavam seu filho na casa dela.

Os dois meios de comunicação afirmam que a polícia entrou recentemente em contato com essas e outras famílias para revelar a vigilância indevida realizada pelo Esquadrão Especial de Demonstrações (SDS, na sigla em inglês) da polícia, admitindo que informações sobre elas foram obtidas e arquivadas irregularmente.

O SDS está sendo alvo de sindicância, e um relatório a respeito deve ser apresentado nesta quinta-feira.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira pela polícia britânica em nome do líder da investigação, o policial Mick Creedon, é dito que o relatório "deixa claro que não encontramos até o momento evidências de que qualquer oficial da SDS tenha baleado ou infiltrado qualquer família em campanha por justiça [...] e que não encontramos vestígios de quaisquer informações pessoais de familiares que tivessem sido arquivadas".

Mas Creedon afirma também que forças especiais da polícia "comumente buscam e retêm informações colaterais, não ligadas a nenhuma operação ou prevenção de crime, que deveriam ser destruídas".

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Investigações
A polícia não cita nomes de famílias em respeito à sua privacidade, mas diz que as mencionadas no relatório foram contactadas pela polícia.

Jean Charles de Menezes foi morto com sete tiros na cabeça, no dia 22 de julho de 2005, em uma estação de metrô de Londres.

O eletricista de 27 anos foi confundido pela polícia com um suposto terrorista que havia participado de um ataque frustrado à rede de transportes da capital britânica no dia anterior.

A morte dele desencadeou uma série de inquéritos que investigou as táticas da polícia, a supervisão dos policiais e decisões individuais tomadas no dia de sua morte.

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