Secretário de Estado americano se encontrou com o ministro egípcio; mais de 600 palestinos e 29 israelenses foram mortos

Os EUA e o Egito tentam, nesta terça-feira (22), encontrar uma saída para as duas semanas de derramamento de sangue na Faixa de Gaza. As autoridades levantam a possibilidade de reiniciar as negociações de paz paralisadas entre Israel e as autoridades palestinas como um passo necessário para evitar a sustentação da violência.

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O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, se reúne com o ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shukri, no Cairo
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O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, se reúne com o ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shukri, no Cairo


Esforço: John Kerry viaja ao Oriente Médio para pressionar por cessar-fogo em Gaza

É improvável que Washington esteja pronto para voltar a negociar a paz, rompida em abril, depois de quase nove meses de diplomacia do Secretário de Estado dos EUA, John Kerry. Mas a nova rodada de combates entre Israel e o Hamas, que controlam os militantes de Gaza, alcançou nível de violência que as autoridades americanas haviam alertado na primavera passada, caso uma trégua duradoura não fosse acertada.

Kerry, em reunião com o presidente do Egito e outras autoridades, não chegou a advogar uma nova rodada de negociações de paz. Ainda assim, ele disse que suas discussões no Cairo foram projetadas para "esperamos encontrar não só uma maneira de cessar-fogo, mas uma maneira de lidar com as questões subjacentes, que são muito complicadas."

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Os EUA e Israel apoiam plano de cessar-fogo proposto pelo Egito, mas o Hamas rejeita. O Ministro das Relações Exteriores egípcio, Sameh Shukri, disse que as negociações desta terça foram focadas "não só para resolver esse problema, mas também para definir mais uma vez o processo de paz que o secretário Kerry tem estado tão ativamente envolvido para acabar com este conflito em curso entre palestinos e israelenses."

Em encontro separado com Kerry, o presidente da Liga Árabe, Nabil Elaraby, chamou o derramamento de sangue em Gaza de "massacre". Mais de 600 palestinos e 29 israelenses foram mortos desde que as ofensivas começaram, no dia 8 de julho.

“Um grande número de pessoas está morrendo nas ruas”, Elaraby disse a Kerry. “E o que é preciso é acabar com as ações hostis o mais cedo possível. É como se alguém estivesse sangrando e você precisasse de um Band-Aid, mas não fosse o suficiente.”

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Aviões israelenses atingiram mais de 70 alvos na Faixa de Gaza na segunda, incluindo a casa do falecido líder da ala militar do Hamas, cinco mesquitas e um estádio de futebol, de acordo com um oficial da polícia de Gaza. Ao mesmo tempo, um funcionário da Defesa israelense disse à Associated Press que um soldado israelense desapareceu depois de uma batalha mortal em Gaza no fim de semana e não se sabe se ele está vivo ou morto. No passado, Israel pagou um preço muito alto para recuperar soldados capturados por seus inimigos.

As negociações de paz de abril, realizada após uma série de manobras diplomáticas entre Israel e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, corroeu toda a confiança ou progresso que os dois lados haviam construído ao longo de negociações. No golpe final, Israel arquivou as negociações depois de Abbas fechar um acordo para a criação de um governo de reconciliação com o Hamas.

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Hamas é considerado uma organização terrorista pelos os EUA, União Europeia e outros países em todo o mundo. No entanto, entre os palestinos, o novo acordo foi saudado como um passo histórico em direção a remendar o racha que dividiu seu povo entre dois conjuntos de governantes por sete anos.

Kerry também se reuniu com o chefe da inteligência palestina Majid Faraj nesta terça de manhã e deve seguir para Israel no final desta semana. Os EUA estão enviando US$47 milhões em ajuda humanitária para dezenas de milhares de palestinos que fugiram de suas casas em Gaza para escapar dos combates. O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, também está na região.

A guerra em curso em Gaza é o terceiro surto de violência entre o Hamas e Israel desde 2009 e da negociação de cessar-fogo mais recente, em novembro de 2012.

Violência

Na manhã desta terça ao menos seis, incluindo uma mulher grávida e uma criança, foram mortos pelo Exército israelense durante ofensiva na Faixa de Gaza.

"Nós vamos continuar esta operação para lutar contra o terrorismo”, declarou Peter Lerner, porta-voz do Exército de Israel.

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Os meios de comunicação palestinos comentaram, na noite de segunda-feira, sobre uma possível trégua humanitária de algumas horas nesta terça para permitir que moradores da Faixa de Gaza conseguissem mantimentos. Até o momento, porém, a trégua não foi confirmada.

Em Doha, capital do Catar, onde se encontraram na segunda, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e o chefe do Hamas, Khaled Mechaal, apelaram pelo fim “da agressão israelense” contra a Faixa de Gaza e o levantamento do bloqueio instituído em 2006.

“O Hamas e o presidente Abbas estão de acordo que todas as organizações palestinas devam trabalhar em conjunto a favor de um cessar-fogo”, disse um negociador do movimento nacionalista Fatah, Azzam Al Ahmad.

“É preciso, primeiro, um cessar-fogo e depois continuaremos a discutir com o Egito e todas as partes regionais e internacionais, até que nós concretizemos o conteúdo do acordo de paz final”, explicou Al Ahmad.

As Forças Armadas israelenses lançaram no dia 8 de julho uma operação aérea batizada de Margem Protetora e estendeu para uma ofensiva terrestre no dia 17, com o objetivo de neutralizar o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

*Com AP e Agência Brasil

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