David Cameron alertou que a economia russa pode sofrer novo golpe, a menos que Moscou facilite investigação sobre voo

A Grã-Bretanha alertou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta segunda-feira (21), de que a economia russa poderá sofrer sanções setoriais, a menos que Moscou conceda pleno acesso ao local da queda do avião da Malasyia Arlines e pare de instigar a instabilidade na Ucrânia.

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Primeiro ministro britânico David Cameron deixa a Downing Street em Londres, Inglaterra
Reuters
Primeiro ministro britânico David Cameron deixa a Downing Street em Londres, Inglaterra


Investigação: Putin exige acesso de especialistas a local onde voo malaio caiu

O governo britânico diz que um míssil russo disparado de território ucraniano sob controle de rebeldes pró-Rússia provavelmente derrubou o voo MH17 da Malaysia Airlines, causando a morte de 298 pessoas, entre as quais 10 britânicos.

"Nós deveremos discutir ir mais longe, com medidas setoriais de nível três", disse o primeiro-ministro David Cameron aos jornalistas.

"Se a Rússia não adotar, no próximo período, medidas tanto em termos de imediata resposta ao desastre, mas também às questões diretamente ligadas à instabilidade no leste da Ucrânia, então vamos argumentar que temos de ir mais longe."

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A Grã-Bretanha vai defender em uma reunião de ministros de Relações Exteriores da União Europeia, na terça (22), sanções contra a Rússia, disse o porta-voz do premiê britânico.

Cameron também lançou críticas contra membros da União Europeia por, de acordo com ele, agirem lentamente em relação ao Kremlin.

"Por muito tempo houve relutância por parte de muitos países europeus de encarar as implicações do que acontecia no leste da Ucrânia."

"É hora de fazer nosso poder, influência e recursos valerem. Nossas economias são fortes. Nós ainda algumas vezes nos comportamos como se precisássemos da Rússia mais do que a Rússia precisa de nós."

O porta-voz acrescentou que o governo britânico vai também impulsionar a adoção imediata das sanções contra pessoas e entidades russas definidas pela UE na semana passada.

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Rússia

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta segunda (21) que a derrubada do avião malaio no leste da Ucrânia não deve ser usado com propósitos políticos e pediu aos separatista que permitam o acesso dos especialistas internacionais ao local da queda da aeronave.

"Tudo deve ser feito para garantir a segurança dos especialistas internacionais no local da tragédia", disse Putin, vestido com terno e gravata negros, em um pronunciamento pouco comum na TV, no qual ele estava sentado em um escritório.

Putin, que parecia cansado, reiterou sua crença de que o incidente não teria acontecido se as forças do governo ucraniano não tivessem encerrado uma trégua e retomado a campanha militar contra os insurgentes pró-Moscou, no leste da Ucrânia.

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Os comentário de Putin, feitos em seguida a uma bateria de conversas diplomática ao telefone, pareceu ter como objetivo contrapor as críticas dos líderes ocidentais, que acusam o mandatário russo de não se esforçar em convencer os separatistas russos, a quem culpam pela derrubada do avião de passageiros, a interromperem o conflito. Putin defendeu seu papel na crise e reiterou seus pedidos pelo fim das hostilidades no leste ucraniano.

"Temos mais de uma vez pedido a todas as partes no conflito que interrompam imediatamente o derramamento de sangue e comecem a negociar", disse ele.

Perícia

O chefe de uma equipe forense holandesa disse nesta segunda que um trem transportando os restos mortais de vítimas do desastre da companhia aérea da Malásia deverá deixar a região da queda esta noite com destino a um lugar "onde possamos realizar nosso trabalho".

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"O trem vai sair. Não sabemos a hora e o destino. Temos uma promessa: hoje, partirá", disse ele a repórteres na estação ferroviária da cidade de Torez, no leste da Ucrânia.

"Só quero que o trem vá a uma cidade onde possamos realizar nosso trabalho. E isso é do interesse de todos, especialmente das famílias das vítimas."

Três investigadores holandeses têm examinado corpos das vítimas do avião. Os EUA e outros países afirmam que há cada vez mais evidências da cumplicidade russa na derrubada do avião na semana passada.

*Com AP e Reuters

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