Obama: Rússia tem responsabilidade sobre rebeldes na área onde avião malaio caiu

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Em pronunciamento na Casa Branca, Obama disse que a 'Rússia incitou e armou' os insurgentes responsabilizados pela tragédia

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O presidente americano, Barack Obama, endureceu o discurso em relação ao governo da Rússia nesta segunda-feira (21), afirmando que o presidente russo, Vladimir Putin, tem a "responsabilidade direta de obrigar os rebeldes pró-Rússia a cooperar" com a investigação e os esforços de recuperação dos corpos de passageiros do voo MH17 da Malaysia Airlines, que caiu na quinta-feira na Ucrânia.

Hoje: Especialistas holandeses analisam corpos do voo da Malásia

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Obama disse que assegurar devolução de corpos é prioridade dos EUA


Autoridade: Presidente russo exige acesso de especialistas a local onde avião caiu

O local da queda do voo - leste ucraniano - é controlado por separatistas pró-Rússia, acusados pelos EUA de remover possíveis pistas da área antes da chegada de investigadores.

Em um pronunciamento na Casa Branca, Obama afirmou que "a Rússia tem grande influência sobre estes separatistas. Ninguém nega isso. A Rússia os incitou, os treinou e sabemos que a Rússia os armou com equipamento militar, incluindo escudos anti-aéreos. Alguns dos principais líderes separatistas são cidadãos russos."

A prioridade dos Estados Unidos, segundo o presidente, é recuperar os corpos dos passageiros. "Garantir que os corpos sejam recuperados e devolvidos a seus entes queridos é o mínimo que a decência exige", afirmou.

Ontem: Corpos resgatados do MH17 são colocados em trem, mas destino é incerto

Em uma declaração, o próprio Putin reconheceu que é essencial que investigadores tenham segurança para investigar a tragédia no local onde ela ocorreu.

Pressão

Obama disse ainda ter falado com diversos líderes mundiais desde a queda do Boeing 777, que caiu quando viajava de Amsterdã a Kuala Lumpur com 298 pessoas a bordo. Os governantes estão "em estado de choque, mas, para dizer a verdade, também estão indignados", disse.

De acordo com o líder americano, os investigadores devem ter acesso imediato e irrestrito ao local da queda. "Separatistas estão removendo evidências do local. O que eles estão tentando esconder?", questionou.

O caos no local onde o avião caiu, próximo à cidade de Donetsk, é um "insulto" às famílias dos mortos, de acordo com Obama. Para ele, Putin tem que provar que "apoia uma investigação completa e justa".

Quinta: Avião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa

Horas antes, o Ministério da Defesa russo disse que um avião de guerra ucraniano voava próximo ao Boeing da Malaysia Airlines minutos antes de que ele fosse abatido e exigiu explicações de Kiev.

O ministério russo afirmou ainda que não detectou o lançamento de nenhum míssil próximo à trajetória da aeronave e negou ter transferido o sistema de mísseis BUK (que se acredita terem sido usados para abater o avião) aos rebeldes.

Atirador protege área onde caiu Boeing 777 da Malaysian Airlines (24/7). Foto: ReutersGuardas de honra levam caixão de uma das vítimas do voo malaio abatido na Ucrânia no aeroporto de Kharkiv (23/7). Foto: ReutersRebeldes fazem guarda enquanto monitores da Osce checam destroços do voo abatido na Ucrânia (22/7). Foto: ReutersEquipes resgatam corpos em meio aos escombros de avião que caiu na Ucrânia (21/7). Foto: APPeter Van Vilet, líder da equipe holandesa de investigações forenses, sai de vagão após inspecionar trem refrigerado na Ucrânia (21/7). Foto: APLíder separatista Aleksander Borodai, ao centro, entrega caixas-pretas do voo MH17a Mohamed Sakri (D.), da Malásia (21/7). Foto: Maxim Zmeyev/Reuters/NewscomBoa parte das cidades da Holanda tiveram o sábado (19) marcado por homenagens aos 193 cidadãos mortos em queda de avião na Ucrânia (19/7). Foto: AP PhotoReprodução de vídeo divulgada por Kiev nesta sexta (18/7) supostamente mostra caminhão carregando lançador de míssil Buk usado para abater avião malaio. Foto: ReproduçãoA malaia Siti Dina chora após ver o nome da filha na lista de passageiros a bordo do voo MH17 da Malaysia Airlines em aeroporto de Sepang, Malásia (18/07). Foto: ReutersHomem (azul) cuja família estava a bordo do voo MH17 consola outro que tinha acabado de chegar com a esposa para confirmar mortes (18/07). Foto: ReutersMulher reage a notícias sobre a queda de avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia no aeroporto internacional de Kuala Lumpur em Sepang, Malásia (18/07). Foto: APParentes de passageiros a bordo do voo malaio que caiu na Ucrânia chegam a ao aeroporto internacional de Kuala Lumpur, Malásia (18/07). Foto: ReutersReação de uma mulher em frente a embaixada holandesa em Moscou, Rússia (18/07). Foto: Reuters'Nós sentimos muito, muito, muito. É uma vergonha terrível', diz mensagem deixada em frente a embaixada da Holanda em Moscou, Rússia (18/07). Foto: ReutersGaroto deixa flores em frente a embaixada da Holanda em Moscou, Rússia (18/07). Foto: ReutersMembros do Ministério de Emergência ucraniano procuram corpos perto do local onde avião malaio caiu na Ucrânia (18/07). Foto: ReutersTapete cobre corpo de passageiro do voo malaio que caiu em vila perto de Donetsk, Ucrânia (18/07). Foto: ReutersFlores sobre pertences pessoais de passageiros do voo malaio abatido perto de Donetsk, Ucrânia (18/07). Foto: ReutersPertences pessoais de passageiros do voo malaio abatido perto de Donetsk, Ucrânia (18/07). Foto: ReutersMulher afirma que parente estava no avião da Malaysia Airlines e se emociona(17/07). Foto: ReutersDestroços de avião da Malásia e corpos são encontrados no leste da Ucrânia (17/07). Foto: ReutersDestroços de avião da Malásia e corpos são encontrados no leste da Ucrânia (17/07). Foto: ReutersSegundo uma autoridade da Ucrânia, a aeronave teria sido abatida por um míssil lançado por militantes pró-Rússia (17/07). Foto: Reprodução TwitterSegundo uma autoridade da Ucrânia, a aeronave teria sido abatida por um míssil lançado por militantes pró-Rússia (17/07). Foto: Reprodução TwitterSegundo uma autoridade da Ucrânia, a aeronave teria sido abatida por um míssil lançado por militantes pró-Rússia (17/07). Foto: ReproduçãoBoeing com 295 passageiros voava de Amsterdã para Kuala Lumpur (17/07). Foto: ReutersAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa (17/07). Foto: Reprodução TwitterBoeing com 295 passageiros voava de Amsterdã para Kuala Lumpur (17/07). Foto: ReutersVídeo feito após queda do avião da Malásia que caiu na Ucrânia (17/07) . Foto: Reprodução TwitterAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa (17/07). Foto: ReproduçãoAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa (17/07). Foto: Reprodução/TwitterAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa
. Foto: ReutersAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa
. Foto: Reprodução/TwitterAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa
. Foto: ReutersVisão geral mostra o local onde um Boeing 777 da Malaysia Airlines caiu em Grabovo, na região de Donetsk, Ucrânia. Foto: Reuters

Dos 298: Equipes de emergência dizem ter achado 196 corpos do avião da Malásia

A afirmação contradiz os relatórios da inteligência americana, que dizem que um míssil foi lançado de uma região sob controle dos rebeldes pró-Rússia.

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse que os EUA captaram movimento de equipamentos militares da Rússia para a Ucrânia no mês passado, incluindo um comboio de veículos blindados, tanques e lançadores de foguetes.

Promotores holandeses abriram uma investigação de crimes de guerra a respeito da queda do voo. O governo ucraniano afirmou estar disposto a ceder o controle do inquérito para o Tribunal Internacional de Haia.

Após queda de avião da Malásia: Presidente russo pede cessar-fogo na Ucrânia

ONU

Ainda nesta segunda-feira, o Conselho de Segurança da ONU deverá votar uma resolução condenando a derrubada do avião da Malaysia Airlines, após disputas com a Rússia a respeito das palavras usadas no documento.

Ministros de relações exteriores europeus se encontrarão na terça-feira para discutir sanções contra a Rússia.

Também nesta segunda, o rei Willem-Alexander, da Holanda, fez um pronunciamento nacional pela televisão após um encontro com parentes das vítimas. "Este desastre terrível deixou uma ferida profunda na nossa sociedade. A cicatriz será visível e tangível por muitos anos", disse.

Autoridade dos EUA à rede CNN: Avião da Malásia foi abatido sobre a Ucrânia

Investigadores holandeses examinaram nesta segunda-feira os corpos das vítimas do avião da Malaysia Airlines que foram colocados em um trem, em meio à pressão crescente sobre rebeldes pró-Rússia para que ampliem o acesso à área. Estes foram os primeiros especialistas estrangeiros a chegar na região onde o Boeing 777 caiu.

O trem, com 196 corpos, deixou a cidade de Torez, controlada pelos rebeldes, para iniciar o processo de identificação. Um segundo trem chegou no domingo para recolher mais corpos.

Monitores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) já haviam visitado o local, mas o acesso deles aos destroços foi limitado pelos rebeldes.

Dúvidas sobre investigação

Separatistas disseram que irão entregar as caixas-pretas do MH17 à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), mas o Departamento de Estado dos EUA afirma que rebeldes modificaram outras potenciais pistas.

Equipamentos pesados foram vistos removendo destroços no local da queda do avião no domingo. A investigação sobre as causas da queda da aeronave enfrenta diversas dificuldades. Segundo a OACI, um órgão da ONU, a responsabilidade pela investigação é do Estado onde o acidente ocorreu. 

Crise: Jato russo derruba caça ucraniano sobre o leste da Ucrânia

No entanto, quase toda investigação de um grande incidente aéreo torna-se um caso internacional que reúne diversos países devido a especialistas técnicos, recursos ou - como neste caso - as ramificações políticas do desastre.

Diversos países ocidentais pediram uma investigação internacional completa e independente.

A autoridade de aviação russa - que inclui ex-Estados soviéticos, como a Ucrânia, como signatários de seu tratado - disse que qualquer investigação deveria ocorrer sob supervisão da OACI.

Correspondentes dizem que, se for confirmado que o Boeing foi derrubado por separatistas com armamento fornecido por Moscou, isto poderá mudar significativamente o debate sobre a crise na Ucrânia.

Nove mortos: Helicóptero militar ucraniano é derrubado por rebeldes

Confrontos entre rebeldes e forças do governo seguem na cidade de Donetsk, também no leste da Ucrânia, com relatos de armamento pesado sendo usado. Um prédio foi incendiado e correspondentes da BBC na região citaram um alto número de pessoas deixando a cidade. Estima-se que o conflito iniciado em abril já tenha matado mais de mil pessoas.

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