Secretário de Estado deve exortar ao Hamas que aceite acordo oferecido pelo Egito; mais de 500 palestinos já foram mortos

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, renovou esforço por um cessar-fogo entre Israel e o Hamas por meio de outra viagem ao Oriente Médio nesta segunda-feira (21). 

Hoje: Projéteis israelenses atingem hospital e matam ao menos quatro em Gaza

Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, durante pronunciamento em Washington (24/04)
AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, durante pronunciamento em Washington (24/04)


Em meio a crise: ONU pede cessar-fogo imediato em Gaza

Kerry deixou Washington nesta segunda e seguiu para o Cairo, onde usará esforços diplomáticos para retomar a trégua que havia sido alcançada em novembro de 2012. Ele deve exortar ao grupo militante palestino que aceite acordo oferecido pelo Egito. Mais de 500 palestinos foram mortos nesse período.

A administração de Obama, incluindo o próprio Kerry, tem afiado suas críticas ao Hamas por seus ataques com foguetes contra Israel e outros atos provocativos, como túneis sob a fronteira. E também tem enfraquecido sua repreensão pelos ataques contra a Faixa de Gaza que mataram civis, incluindo crianças.

Em um comunicado emitido no domingo (20), porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki disse que os parceiros internacionais e os EUA estavam "profundamente preocupados com o risco de uma nova escalada e a perda de vida de mais inocentes."

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Dois americanos, Max Steinberg, da Califórnia e Nissim Carmeli, Texas, que lutaram com as Forças de Defesa de Israel, foram mortos em combates na Faixa de Gaza. O Departamento de Estado confirmou os nomes dos dois cidadãos norte-americanos na noite de domingo.

O plano de cessar-fogo do Cairo é apoiado pelos EUA e Israel. Mas o Hamas rejeitou o plano egípcio e está contando com os governos da Turquia e Catar para uma proposta alternativa. Qatar e Turquia têm ligações com a Irmandade Muçulmana, que também está ligada ao Hamas, mas foi banida no Egito.

Durante entrevistas no domingo, Kerry disse que o Hamas precisa reconhecer sua responsabilidade no conflito.

"É horrível. A guerra é horrível e coisas ruins vão acontecer", disse Kerry ao programa da ABC "This Week".

Tanto o presidente Barack Obama quanto Kerry disseram que Israel tem o direito de se defender dos frequentes ataques com foguetes do Hamas a partir da Faixa de Gaza. Kerry acusou o Hamas de tentar sedar e sequestrar israelenses através de uma rede de túneis que os militantes usaram para encenar ataques transfronteiriços.

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Ele disse ao "State of the Union", da CNN, que o Hamas deve "intensificar e mostrar um nível de razoabilidade e eles precisam aceitar a oferta de um cessar-fogo". O conflito de quase duas semanas parece ter aumentado enquanto o chefe da ONU, Ban Ki-moon, já estava na região para tentar reviver os esforços de cessar-fogo.

Obama, em um telefonema no domingo, disse ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que Kerry seguia para o Oriente Médio e condenou os ataques do Hamas, segundo um comunicado da Casa Branca.

A agência de ajuda da ONU em Gaza estima que 70 mil palestinos fugiram de suas casas nos combates e estão buscando abrigo em escolas e outros abrigos das Nações Unidas.

Sábado: Soldados israelenses são mortos por militantes do Hamas

Baixas israelenses

Sete soldados israelenses foram mortos nesta segunda durante confrontos com militantes palestinos, de acordo com o Exército de Israel, o que eleva o número de mortos entre os militares israelenses para 25 em duas semanas de conflito na Faixa de Gaza.

O Exército não forneceu mais detalhes sobre os casos. A mídia local informou que houve vítimas quando combatentes palestinos se deslocaram sob a fronteira com Gaza no início do dia através de um túnel clandestino. 

Comemoração palestina

Os moradores da Faixa de Gaza, em sua maioria atemorizados e fechados em suas casas após 13 dias de bombardeios israelenses, soltaram fogos de artifício e gritaram "Deus é grande!" na escuridão da madrugada desta segunda, depois que o Hamas disse ter capturado um soldado israelense.

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Com roupas de camuflagem, Abu Ubaida, um porta-voz mascarado do braço armado do grupo militante islâmico palestino, anunciou que um soldado chamado Shaul Alon foi preso durante combates na fronteira de Gaza no domingo. Ele apresentou um o documento de identidade com foto de Alon, mas não mostrou imagens do soldado em cativeiro.

O embaixador de Israel nas Nações Unidas negou a alegação do Hamas, mas o Exército israelense não confirmou nem negou a notícia e um porta-voz militar disse nesta segunda-feira: "Nós ainda não podemos descartá-la".

A informação levantou o moral dos exaustos habitantes de Gaza. Se for confirmada, vai cumprir as promessas de longa data do Hamas de prender membros das tropas israelenses na esperança de trocá-los por prisioneiros palestinos, o que aumenta a popularidade do grupo.

"Centenas de mártires caíram e nós estamos sob ataque 24 horas por dia, mas hoje é como um feriado e nós sentimos a alegria de ter um soldado em nossas mãos e nós esperamos que outros se seguirão", disse o vendedor de legumes Musa Abu Attiyeh, interrompido por um foguete israelense que passou zunindo e caiu nas proximidades, sacudindo sua loja.

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"As palavras de Abu Ubaida são balas, mais forte do que as balas. Ele não mente, nunca", disse o lojista.

"Agora é a vez dos judeus sentirem a pressão e preocupação, e vamos ver os nossos filhos nos presídios celebrando em casa em breve, se Deus quiser."

Somente no domingo, 13 soldados israelenses foram mortos em combates na cidade fronteiriça oriental de Shejaia, onde o Hamas disse ter capturado o soldado durante ataque com foguetes contra um veículo que transportava tropas israelenses. Israel ainda não divulgou os nomes de todos os mortos, sugerindo que ainda está verificando suas identidades a partir dos corpos.

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O grupo Hamas conquistou prestígio e elogios de apoiadores no mundo árabe quando, em 2011, trocou um soldado israelense raptado cinco anos antes durante uma incursão israelense na fronteira pela libertação de mais de 1 mil palestinos de prisões de Israel.

*Com AP e Reuters

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