Líder do grupo militante islâmico afirmou que não concordará com medida unilateral; mais de 566 palestinos já foram mortos

O principal líder do Hamas na Faixa de Gaza sinalizou nesta segunda-feira (21) que o grupo militante islâmico não vai concordar com um cessar-fogo unilateral com Israel. Enquanto isso, o ministro da Defesa de Israel comprometeu-se a continuar lutando "enquanto for necessário" - levantando nova dúvida sobre possível mediação.

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Equipe de resgate e civis palestinos removem corpo sem vida dos escombros de uma casa destruída por um míssil israelense na Cidade de Gaza
AP
Equipe de resgate e civis palestinos removem corpo sem vida dos escombros de uma casa destruída por um míssil israelense na Cidade de Gaza


Hoje: Projéteis israelenses atingem hospital e matam ao menos quatro em Gaza

O chefe da ONU, Ban Ki-moon, e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, seguiram para o Cairo nesta segunda para tentar acabar com o conflito mais letal entre Israel e o Hamas em Gaza em pouco mais de cinco anos.

Enquanto isso, os conflitos continuam inabaláveis, com ataques israelenses deixando famílias inteiras soterradas sob escombros e militantes do Hamas militantes disparando mais de 50 foguetes e tentando esgueirar-se até Israel através de dois túneis. 

Somente nesta segunda-feira o número de palestinos mortos ultrapassou 100, empurrando o total de vítimas fatais desde o dia 8 de julho para ao menos 566, de acordo com autoridades palestinas, acrescentando que aproximadamente 3.350 foram feridos.

Sete soldados israelenses também foram mortos nesta segunda em confrontos com militantes palestinos, informou o Exército israelense. Isso elevou o número total de mortos de Israel a 27, incluindo dois civis. Os militares israelenses informaram que quatro soldados foram mortos em uma troca de tiros com combatentes do Hamas que tentavam passar por um túnel e que os outros três foram mortos em batalhas em Gaza.

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EUA

Nesta segunda, o presidente Barack Obama reafirmou acreditar que Israel tem o direito de se defender contra os foguetes lançados pelo Hamas contra seu território. No entanto, ele afirmou que a ação militar em Gaza já fez "dano significativo" para a infra-estrutura terrorista do Hamas e disse que não quer ver mais civis sendo mortos.

Aviões de combate israelenses atingiram casas e arranha-céus em Gaza deixando dois ou mais membros de uma única família sob os escombros, disse Ashraf al-Kidra, um oficial de saúde palestino. Ao menos 11 morreram e 30 ficaram feridos após ataque aéreo a um prédio da Faixa de Gaza com 40 apartamentos, disseram autoridades.

"Isso não mostra a crueldade de Israel?", disse um dos membros da família, Sabri Abu Jamea. "Nós somos os mentirosos? As provas estão aqui nas geladeiras do necrotério. As provas estão nos frigoríficos."

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Projéteis de tanque israelense também atingiram o hospital Al Aqsa na cidade de Deir el-Balah matando ao menos cinco e ferindo cerca de 70, disse al-Kidra. Segundo o médico Fayez Zidane, o terceiro e quarto andares e a recepção foram danificados. Por causa disso, os pacientes foram levados para andares inferiores.

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“As baixas entre civis são tragicamente inevitáveis devido a exploração brutal e sistemática de casas, hospitais e mesquitas em Gaza”, disse o Exército israelense.

Os militares têm dito com frequência que faz grandes esforços para minimizar as baixas entre civis, mas que o Hamas coloca os habitantes de Gaza em perigo ao esconder armas e combatentes em áreas residenciais.

Durante confrontos, o exército israelense afirmou que dez militantes infiltrados do Hamas foram mortos ao tentar atravessar um túnel depois de serem interceptados e alvejados por aviões israelenses.

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O Hamas também disparou mais de 50 foguetes contra Israel, incluindo dois em Tel Aviv, sem causar ferimentos ou danos. Desde o início da operação israelense, o Hamas disparou quase 2 mil foguetes contra Israel.

O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon disse que a operação militar em Gaza não tem limite de tempo.

"Se necessário, vamos recrutar mais reservistas a fim de continuar a operação durante o tempo necessário até concluir a tarefa e conquistar a calma em todo o território de Israel, especialmente a partir da Faixa de Gaza", disse Yaalon a uma comissão parlamentar.

Israel aceitou um apelo egípcio de cessar-fogo unilateral na semana passada, mas retomou a operação militar depois que o Hamas rejeitou a proposta. O grupo islâmico diz que quer garantias de que Israel e Egito irão facilitar o bloqueio às fronteiras de Gaza antes de aceitar o plano de paz.

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Ismail Haniyeh, líder do Hamas em Gaza, assinalou nesta segunda que o grupo está aderindo a sua posição. Ele disse que o objetivo da batalha é quebrar o bloqueio de sete anos ao território palestino, que foi imposto por Israel e Egito depois que o Hamas invadiu Gaza em 2007. Durante o ano passado, o Egito reforçou ainda mais as restrições, levando o Hamas a uma profunda crise financeira.

Haniyeh disse em um discurso transmitido pela televisão que "nós não podemos voltar atrás, não podemos voltar para a morte silenciosa" do bloqueio. Ele afirmou que todos os 1,7 milhão de moradores de Gaza compartilham essa demanda.

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"Gaza decidiu pôr fim ao bloqueio através do seu sangue e de sua coragem", disse ele.

Kerry deixou Washington nesta segunda em direção ao Cairo onde pretende unir  esforços diplomáticos para retomar a trégua que havia sido acordada em novembro de 2012. Ele deve exortar ao Hamas que aceite o plano de cessar-fogo fomentado pelo Egito.

O plano de cessar-fogo do Cairo é apoiado pelos EUA e Israel. Mas o Hamas rejeitou o plano egípcio e está contando com os governos da Turquia e Catar para uma proposta alternativa. Qatar e Turquia têm ligações com a Irmandade Muçulmana, que também está ligada ao Hamas, mas foi banida no Egito.

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Israel invadiu Gaza na semana passada, precedida por uma campanha aérea de dez dias. Os ataques aéreos e de artilharia têm como alvo áreas de fronteira da Faixa de Gaza, em uma tentativa de destruir túneis e lançadores de foguetes.

*Com AP

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