Tragédias aéreas raras dão histórico macabro à Malaysia Airlines

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Malásia vive 2ª tragédia em menos de cinco meses envolvendo a mesma companhia aérea; voo pode ter sido abatido na Ucrânia

Dois Boeings 777. Dois desastres de aviação incrivelmente raros. E uma companhia aérea.

Ontem: Avião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa

AP
Mulher chora ao saber que avião da Malaysia Airlines caiu no leste da Ucrânia, no aeroporto internacional de Kuala Lampur em Sepang, Malásia (17/07)


Declaração: Ucrânia e separatistas pró-Rússia negam ter abatido avião da Malásia

No que parece ser uma coincidência espantosa, a Malásia está se recuperando da segunda tragédia que atinge a companhia aérea nacional em menos de cinco meses.

Em 8 de março, avião da Malaysia Airlines desapareceu cerca de uma hora depois de decolar de Kuala Lumpur dando início a um mistério internacional que permanece sem solução. Na quinta-feira (17), a companhia aérea - e a nação - foi lançada em outra crise após o mesmo tipo de aeronave ter caído sobre a Ucrânia.

De acordo com a Ucrânia, o avião foi derrubado por um míssil sobre a parte oriental do país, região assolada pela violência. Outros detalhes sobre o incidente estão apenas começando a aparecer. Mas o que é certo é que a companhia aérea e a nação devem se preparar para outro encontro com a dor, recriminações, crítica internacional e intensas implicações jurídicas e diplomáticas.

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Em meio a tudo isso, uma pergunta: como poderia o desastre atacar a mesma companhia aérea duas vezes em tão curto espaço de tempo?

"Qualquer um desses eventos tem uma probabilidade incrivelmente baixa de acontecer", disse John Cox, presidente e CEO da Segurança Sistemas Operacionais, ex-piloto de linha aérea e investigador de acidentes. "Para acontecer dois deles com poucos meses de diferença então, é certamente sem precedentes."

Atirador protege área onde caiu Boeing 777 da Malaysian Airlines (24/7). Foto: ReutersGuardas de honra levam caixão de uma das vítimas do voo malaio abatido na Ucrânia no aeroporto de Kharkiv (23/7). Foto: ReutersRebeldes fazem guarda enquanto monitores da Osce checam destroços do voo abatido na Ucrânia (22/7). Foto: ReutersEquipes resgatam corpos em meio aos escombros de avião que caiu na Ucrânia (21/7). Foto: APPeter Van Vilet, líder da equipe holandesa de investigações forenses, sai de vagão após inspecionar trem refrigerado na Ucrânia (21/7). Foto: APLíder separatista Aleksander Borodai, ao centro, entrega caixas-pretas do voo MH17a Mohamed Sakri (D.), da Malásia (21/7). Foto: Maxim Zmeyev/Reuters/NewscomBoa parte das cidades da Holanda tiveram o sábado (19) marcado por homenagens aos 193 cidadãos mortos em queda de avião na Ucrânia (19/7). Foto: AP PhotoReprodução de vídeo divulgada por Kiev nesta sexta (18/7) supostamente mostra caminhão carregando lançador de míssil Buk usado para abater avião malaio. Foto: ReproduçãoA malaia Siti Dina chora após ver o nome da filha na lista de passageiros a bordo do voo MH17 da Malaysia Airlines em aeroporto de Sepang, Malásia (18/07). Foto: ReutersHomem (azul) cuja família estava a bordo do voo MH17 consola outro que tinha acabado de chegar com a esposa para confirmar mortes (18/07). Foto: ReutersMulher reage a notícias sobre a queda de avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia no aeroporto internacional de Kuala Lumpur em Sepang, Malásia (18/07). Foto: APParentes de passageiros a bordo do voo malaio que caiu na Ucrânia chegam a ao aeroporto internacional de Kuala Lumpur, Malásia (18/07). Foto: ReutersReação de uma mulher em frente a embaixada holandesa em Moscou, Rússia (18/07). Foto: Reuters'Nós sentimos muito, muito, muito. É uma vergonha terrível', diz mensagem deixada em frente a embaixada da Holanda em Moscou, Rússia (18/07). Foto: ReutersGaroto deixa flores em frente a embaixada da Holanda em Moscou, Rússia (18/07). Foto: ReutersMembros do Ministério de Emergência ucraniano procuram corpos perto do local onde avião malaio caiu na Ucrânia (18/07). Foto: ReutersTapete cobre corpo de passageiro do voo malaio que caiu em vila perto de Donetsk, Ucrânia (18/07). Foto: ReutersFlores sobre pertences pessoais de passageiros do voo malaio abatido perto de Donetsk, Ucrânia (18/07). Foto: ReutersPertences pessoais de passageiros do voo malaio abatido perto de Donetsk, Ucrânia (18/07). Foto: ReutersMulher afirma que parente estava no avião da Malaysia Airlines e se emociona(17/07). Foto: ReutersDestroços de avião da Malásia e corpos são encontrados no leste da Ucrânia (17/07). Foto: ReutersDestroços de avião da Malásia e corpos são encontrados no leste da Ucrânia (17/07). Foto: ReutersSegundo uma autoridade da Ucrânia, a aeronave teria sido abatida por um míssil lançado por militantes pró-Rússia (17/07). Foto: Reprodução TwitterSegundo uma autoridade da Ucrânia, a aeronave teria sido abatida por um míssil lançado por militantes pró-Rússia (17/07). Foto: Reprodução TwitterSegundo uma autoridade da Ucrânia, a aeronave teria sido abatida por um míssil lançado por militantes pró-Rússia (17/07). Foto: ReproduçãoBoeing com 295 passageiros voava de Amsterdã para Kuala Lumpur (17/07). Foto: ReutersAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa (17/07). Foto: Reprodução TwitterBoeing com 295 passageiros voava de Amsterdã para Kuala Lumpur (17/07). Foto: ReutersVídeo feito após queda do avião da Malásia que caiu na Ucrânia (17/07) . Foto: Reprodução TwitterAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa (17/07). Foto: ReproduçãoAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa (17/07). Foto: Reprodução/TwitterAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa
. Foto: ReutersAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa
. Foto: Reprodução/TwitterAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa
. Foto: ReutersVisão geral mostra o local onde um Boeing 777 da Malaysia Airlines caiu em Grabovo, na região de Donetsk, Ucrânia. Foto: Reuters

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O primeiro desastre que marcou profundamente a Malásia deixou o mundo estupefato. Como poderia um Boeing 777-200ER, um jato jumbo moderno, simplesmente desaparecer? O voo MH370 saiu de curso durante trajeto para Pequim e acredita-se que caiu no Oceano Índico, ao longe da costa da Austrália Ocidental.

A área de buscas foi alterada várias vezes, mas não houve nenhum sinal da aeronave ou das 239 pessoas a bordo. Desde então, a forma como o avião chegou até o local da queda provavelmente permanecerá um mistério.

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Na quinta não havia mistério algum sobre o paradeiro do Boeing 777-200ER, que caiu durante um voo de Amsterdã a Kuala Lumpur com 280 passageiros e 15 tripulantes. Seus destroços foram encontrados na Ucrânia e não houve sobreviventes.

Autoridades disseram que o avião foi abatido a uma altitude de 10 mil metros. A região tem sido palco de lutas intensas entre forças ucranianas e separatistas pró-Rússia nos últimos dias.

A Malaysia Airlines foi amplamente criticada pela forma como lidou com a caçada e investigação sobre o voo MH370. Parentes das vítimas acusam a companhia de encobrir os fatos, além de teorias da conspiração persistentes sobre o destino do avião, incluindo a que ele possa ter sido abatido.

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Não há nenhuma razão imediata que interligue os dois desastres que se abateram sobre a companhia aérea. Cox disse que de acordo com seu conhecimento, não havia nenhuma proibição contra voar sobre o leste da Ucrânia, apesar da violência em terra. Ele disse que, se o avião foi abatido por um míssil, o piloto provavelmente nem soube.

"Um míssil como esse normalmente atinge o avião pela parte de trás. Não há razão para o piloto ter visto isso", disse ele. 

Malaysia Airlines foi especialmente criticada pela forma como lidou com a comunicação após o desaparecimento da aeronave, que apresentou desafios únicos devido à incerteza dos parentes das pessoas a bordo. Com o avião batendo sobre a terra nesta quinta e seus destroços já localizados, não haverá esse problema. Mas a investigação de agora será tão sensível quanto a anterior. Haverá implicações legais e diplomáticas, quando o responsável for apontado.

"A companhia aérea e o Ministério dos Transportes da Malásia sofreram grandes críticas pelo modo como lidaram com o MH370, devido à sua inexperiência", afirmou Charles Oman, professor do departamento de aeronáutica e astronáutica no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

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"Esperamos que eles sejam melhores desta vez", continuou ele.

O acidente certamente irá causar mais prejuízos financeiros a Malaysia Airlines. Mesmo antes do desastre ocorrido em março, a companhia havia informado perdas por causa da forte concorrência de companhias de baixo custo. Depois disso, passageiros têm cancelado voos e apesar de a companhia aérea ter assegurado, enfrenta incerteza sobre os pagamentos às famílias das vítimas.

*Com AP

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