Apelo é feito um dia após Putin culpar Kiev pelo incidente afirmando que governo era responsável pelos conflitos no leste

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu nesta sexta-feira um cessar-fogo entre as forças do governo ucraniano e dos separatistas pró-russos em combate no leste da Ucrânia para permitir negociações de paz assim que possível.

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Reprodução de vídeo divulgada por Kiev nesta sexta (18/7) supostamente mostra caminhão carregando lançador de míssil Buk usado para abater avião da Malásia na Ucrânia
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Reprodução de vídeo divulgada por Kiev nesta sexta (18/7) supostamente mostra caminhão carregando lançador de míssil Buk usado para abater avião da Malásia na Ucrânia

Autoridade dos EUA à rede CNN: Avião da Malásia foi abatido sobre a Ucrânia

O apelo foi feito um dia depois de Putin ter culpado a Ucrânia pela queda de um avião da Malásia no leste ucraniano , dizendo que Kiev era responsável pelos confrontos na região oriental do país. O  líder russo, porém, não acusou a Ucrânia de abater o Boeing 777-200ER da Malaysia Airlines com 298 pessoas a bordo (283 passageiros, sendo três crianças, e 15 tripulantes) e não abordou se foi a Rússia que deu aos rebeldes um míssil potente capaz de abater um voo comercial.

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"Conversações diretas entre os lados opostos têm de ser estabelecidas tão logo possível. Todos os lados do conflito têm de interromper rapidamente a luta e começar as negociações de paz", disse Putin em um encontro com líderes da Igreja Ortodoxa russa. "É com grande preocupação e tristeza que estamos observando o que está acontecendo no leste da Ucrânia. É terrível, é uma tragédia."

Equipes de resgate, policiais e mesmo mineiros em seu dia de folga se espalharam por campos de girassóis e por vilas no leste da Ucrânia nesta sexta para buscar os destroços do jato supostamente abatido enquanto sobrevoava o país.

Entre os quase 300 mortos de quinta-feira estão cidadãos de mais de dez países — incluindo pessoas em férias, estudantes e um amplo contingente de cientistas que se dirigiam para uma conferência de aids na Austrália.

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Autoridades de inteligência dos EUA dizem que um míssil terra-ar abateu o voo MH17 enquanto ele viajava de Amsterdã, na Holanda, para Kuala Lumpur, mas não especificaram quem o disparou. O governo ucraniano em Kiev e os rebeldes pró-Rússia que combate, assim como a Rússia, que acusa de apoiar os rebeldes, negaram que tenham abatido o avião . Moscou também nega apoiar os separatistas.

O Ministério do Interior da Ucrânia divulgou um vídeo que supostamente mostra um caminhão carregando um lançador de mísseis Buk que disse, foi usado contra o avião, com um de seus quatro mísseis aparentemente sumido. O ministério afirmou que a gravação foi feita pela equipe de vigilância da polícia no anoitecer de sexta enquanto o caminhão se encaminhava para a cidade de Krasnodon em direção à fronteira russa. Não houve forma de verificar de forma independente o vídeo.

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A Ucrânia pediu uma investigação internacional para determinar quem atacou o avião, e os EUA ofereceram ajuda. Mas o acesso à área continua difícil e perigosa. A estrada de Donetsk, a maior cidade na região, para o local da queda está marcada por cinco postos de controle rebeldes, com os documentos sendo checados de cada vez.

Até agora, as equipes de resgate recuperaram ao menos 181 corpos. Segundo a Malaysia Airlines, entre os passageiros havia 189 holandeses, 29 malaios, 27 australianos, 12 indonésios, nove britânicos, quatro alemães, quatro belgas, três filipinos, um canadense e um neozelandês, além dos quatro passageiros cujas nacionalidades ainda não foram identificadas. "Estamos no processo de verificar os restantes", disse diretor para Europa da companhia aérea, Huib Gorter. 

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Os separatistas concordaram em prestar assistência aos peritos que investigam a queda do avião e disseram que vão garantir acesso seguro aos especialistas internacionais que se dirigem ao local, disse a Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE). Mas Nataliya Bystro, uma porta-voz dos serviços de emergência ucranianos, disse que os milicianos estão interferindo na operação.

*Com AP e Reuters

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