Israel aprofunda ação em Gaza para destruir túneis do Hamas

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ofensiva por terra mata ao menos 25 palestinos e 1 soldado; ao menos 265 foram mortos desde o início dos conflitos, no dia 8

As tropas israelenses foram mais a fundo em Gaza nesta sexta-feira (18) para destruir locais usados para o lançamento de foguetes e túneis.

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Reuters
Unidade de artilharia móvel israelense dispara em direção a Faixa de Gaza

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Elas dispararam uma saraivada de projéteis por meio de seus tanques e entraram em confronto com combatentes palestinos em uma ofensiva terrestre de alto risco destinada a enfraquecer os governantes do Hamas no enclave.

Israel lançou a operação na quinta após campanha de dez dias com mais de 2 mil ataques aéreos contra Gaza que não conseguiu deter o lançamento implacável de foguetes do Hamas sobre as cidades israelenses.

A primeira grande ofensiva terrestre de Israel em Gaza em apenas cinco anos aconteceu enquanto esforços de cessar-fogo egípcio diminuíram. No início desta semana, Israel aceitou a oferta do Cairo para deter as hostilidades, mas o Hamas recusou-a, exigindo que Israel e Egito primeiro deem garantias de que vão diminuir o bloqueio a Gaza.

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Israel havia se calado sobre possível lançamento de uma ofensiva terrestre, por medo de colocar em risco seus próprios soldados e atrair a condenação internacional sobre mortes de civis palestinos. Mas, depois de milhares de soldados ficarem em estado de prontidão durante vários dias, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou ter ordenado aos militares para se preparar para "expansão significativa" da ofensiva terrestre.

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"Como não é possível lidar com os túneis só pelo ar, os nossos soldados estão fazendo isso também por terra", disse antes de uma reunião especial de gabinete em Tel Aviv. "Optamos por começar a operação depois de as outras opções terem se esgotado e com o entendimento de que, sem a operação, o preço que vamos pagar pode ser muito alto."

Ao longo da noite, o som das bombas lançadas por tanques ecoou sobre Gaza, muitas delas apenas com alguns segundos de intervalo. Várias explosões de mísseis israelenses balançaram prédios altos no centro da Cidade de Gaza e deixaram o céu cheio de colunas de fumaça.

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Os feridos foram levados para o principal hospital de Gaza, Shifa, incluindo vários membros de uma mesma família atingidos por estilhaços de projéteis dos tanques. Entre os que foram feridos estavam uma criança e um menino em idade escolar primária, seus corpos atingidos por pequenas feridas.

Unidade de artilharia móvel israelense dispara em direção a Faixa de Gaza (18/07). Foto: ReutersUnidade de artilharia móvel israelense dispara em direção a Faixa de Gaza (18/07). Foto: ReutersSoldados israelenses viajam sobre tanque em área do lado de fora da Faixa de Gaza (18/07). Foto: ReutersSoldado israelense segura projétil perto de unidade de artilharia móvel do lado de fora da Faixa de Gaza (18/07). Foto: ReutersFumaça toma o céu após, segundo testemunhas, ataques israelenses na Faixa de Gaza (18/07). Foto: ReutersPalestina carrega a filha enquanto foge de sua casa depois de ofensiva terrestre israelense em Rafah, sul da Faixa de Gaza (18/07). Foto: ReutersPalestinos viajam em um riquixá após fugirem de suas casas depois de ofensiva terrestre israelense no sul da Faixa de Gaza (18/07). Foto: ReutersMoradores correm para inspecionar danos após edifício ser atingido por um míssil israelense na cidade de Gaza (18/07). Foto: APFumaça cobre o céu após ataque com mísseis israelense na cidade de Gaza, no norte da Faixa de Gaza (18/07). Foto: APMédicos palestinos tratam menina ferida na sala de emergência do hospital Shifa, no norte da Faixa de Gaza (18/07). Foto: APFumaça toma céu após ataque com mísseis israelense na cidade de Gaza, no norte da Faixa de Gaza (18/07). Foto: APTanque de Israel manobra para tomar posição ao longo da fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza (17/08). Foto: APTanque cruza para a Faixa de Gaza, na fronteira Israel-Gaza, no início de ofensiva terrestre (17/07). Foto: APTropas cruzam para a Faixa de Gaza na fronteira Israel-Gaza no início de ofensiva terrestre (17/07). Foto: APTropas israelenses depois de cruzar para a Faixa de Gaza, no início de ofensiva terrestre (17/07). Foto: AP

Autoridades de saúde de Gaza disseram que ao menos 25 palestinos foram mortos desde que a operação por terra começou, incluindo três irmãos adolescentes mortos por estilhaços. No necrotério, um dos rostos da vítima estava enegrecida pela fuligem e ele e seus irmãos foram individualmente envoltos em uma mortalha branca.

O Exército israelense afirmou ter matado 17 militantes em diferentes trocas de tiros, enquanto 13 foram capturados depois de se renderem. Não ficou imediatamente claro se os militantes estavam entre as vítimas registradas pelas autoridades de Gaza.

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"A ofensiva terrestre não nos assusta e nos comprometemos a afogar o Exército [israelense] na lama de Gaza", disse o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, em comunicado.

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O Exército israelense disse que um soldado foi morto no norte da Faixa de Gaza, a primeira vítima de Israel entre as tropas. As circunstâncias por trás da morte do sargento Eitan Barak, 20, não estavam imediatamente claras, enquanto a ala militar do Hamas informou ter realizado emboscadas em várias unidades israelenses no norte da cidade de Beit Lahiya e causou vítimas, mas meios de comunicação israelenses disseram que era provavelmente um caso de fogo amigo.

O porta-voz do chefe militar de Israel, brigadeiro-general Moti Almoz, disse à Rádio do Exército que estava investigando as circunstâncias por trás da morte do soldado. Tanques, infantaria e forças de engenharia estavam operando dentro da faixa costeira. Os militares disseram que atingiram lançadores de foguetes, túneis, mais de 100 outros alvos e que um número de soldados ficou ferido durante a noite. Autoridades israelenses disseram que o objetivo da operação é enfraquecer o Hamas militarmente.

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AP
Parentes de quatro meninos mortos na praia em ataque israelense choram durante funeral na Cidade de Gaza (16/7)

No entanto, o Hamas já sobreviveu a outras ofensivas israelenses, incluindo uma grande operação terrestre de três semanas que aconteceu em janeiro de 2009. Desde então, o Hamas tem milhares de foguetes estocados e construiu um sistema de túneis subterrâneos.

Desde o começo da campanha aérea em 8 de julho, ao menos 265 palestinos foram mortos e mais de 2 mil feridos, segundo as autoridades de saúde palestinas. Em Israel, um civil morreu e várias pessoas ficaram feridos.

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A opinião pública israelense parece apoiar fortemente a ofensiva depois de dias de disparos implacáveis de foguetes a partir de Gaza e de anos de residentes do sul de Israel viverem sob ameaças. Militantes de Gaza dispararam mais de 1,5 mil foguetes contra Israel nos últimos 11 dias.

Israel diz ter lançado o ataque aberto em várias frentes, com o objetivo principal de destruir túneis subterrâneos construídos em Israel pelo Hamas que poderiam ser usados ​​para realizar ataques.

Na quinta, 13 militantes do Hamas fortemente armados tentaram se deslocar através de um dos túnel, mas foram parados por um ataque aéreo depois de emergirem a cerca de 250 metros dentro de Israel.

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Autoridades de Defesa de Israel disseram que os soldados enfrentaram pouca resistência durante a primeira noite da operação terrestre. As forças militares devem passar um dia ou dois demarcando posições no norte, leste e sul da Faixa de Gaza antes de passar para a segunda fase do ataque, que visa a destruir túneis, uma operação que pode demorar até duas semanas.

Os funcionários falaram sob condição de anonimato porque não foram autorizados a discutir a estratégia dos militares.

"A missão está progredindo bem", disse o tenente-general Benny Gantz, chefe militar de Israel. "Houve uma série de incidentes durante a noite que nós superamos e seguimos em frente.”

Antes da reunião do gabinete israelense, vários ministros disseram esperar uma ofensiva prolongada. "Precisamos entrar e terminar o trabalho, eliminar todos os terroristas. Eles não têm imunidade", disse Uri Ariel, um ministro do gabinete do linha-dura Partido Casa Judaica.

Enquanto isso, o Egito manteve seus esforços sobre uma proposta de trégua. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse nesta sexta aos repórteres no Cairo que, enquanto as ofensivas terrestres eram assunto complicado, ele se reuniu com a liderança da Jihad Islâmica. A Jihad, facção militante menor em Gaza, diz estar aberta à proposta, mas não em sua forma atual.

O chanceler francês Laurent Fabius viaja para o Egito, Jordânia e Israel nesta sexta como parte de um esforço diplomático para deter os combates em Gaza.

Ele disse em uma declaração que quer o cessar-fogo e a trégua duradoura "respondam às necessidades de segurança de Israel e às necessidades econômicas palestinas". Ele também pediu para Israel se “conter”.

*Com AP

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