Graduado especialista em aids é um dos 298 mortos de avião da Malásia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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'O movimento HIV/AIDS perdeu um gigante', diz presidente de associação; entre vítimas estão cidadãos de mais de dez países

Pesquisadores e ativistas que seguiam para uma conferência sobre aids na Austrália estavam no jato malaio abatido sobre a Ucrânia, informaram as autoridades nesta sexta-feira (18). A notícia provocou comoção em toda a comunidade científica.

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Reprodução/Youtube
Joep Lange está entre as vítimas do avião malaio abatido por míssil no leste da Ucrânia


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Entre os passageiros estava o ex-presidente da da Sociedade Internacional de Aids (AIS, na sigla em inglês) Joep Lange, um conhecido pesquisador da Holanda, disse o líder da oposição, Bill Shorten, no Parlamento da Austrália.

"Há australianos que haviam planejado ir ao aeroporto amanhã à noite para cumprimentar amigos e familiares - entre eles, alguns dos principais especialistas em Aids do mundo", disse Shorten. 

O voo MH17 da Malaysia Airlines, que seguia de Amsterdã a Kuala Lumpur, na Malásia, caiu na quinta (17) com 298 pessoas a bordo. Autoridades de inteligência americanas acreditam que um míssil terra-ar tenha derrubado a aeronave, mas ainda não está claro quem fez o disparo.

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Entre os quase 300 mortos de quinta-feira estão cidadãos de mais de dez países. Até agora, as equipes de resgate recuperaram ao menos 181 corpos. Segundo a Malaysia Airlines, entre os passageiros havia 189 holandeses, 29 malaios, 27 australianos, 12 indonésios, nove britânicos, quatro alemães, quatro belgas, três filipinos, um canadense, um americano e um neozelandês, além dos três passageiros cujas nacionalidades ainda não foram identificadas.

"Estamos no processo de verificar os restantes", disse diretor para Europa da companhia aérea, Huib Gorter.

Conferência

A 20ª conferência internacional sobre a aids começa domingo (20) em Melbourne, capital do estado australiano de Victoria. Chris Beyrer, presidente eleito da Sociedade Internacional de aids, disse que, se os relatos da morte de Lange fossem verdadeiros, "então o movimento HIV/AIDS realmente perdeu um gigante".

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Laureada com o Prêmio Nobel, a doutora Françoise Barre-Sinoussi, co-descobridora do vírus e presidente da Sociedade Internacional de Aids, prestou homenagem a Lange em discurso na capital australiana, Canberra.

"Joep era uma pessoa maravilhosa - um grande profissional...mas mais do que isso, um ser humano maravilhoso", disse ela. "Eu não tenho palavras, realmente, para tentar expressar a minha tristeza. Eu me sinto totalmente devastada."

Mais tarde, ela disse a jornalistas que a conferência continuaria por respeito as vidas perdidas: "Porque sabemos que isso era o que eles gostaríamos que fizéssemos."

Lange estava trabalhando com o HIV desde os primeiros anos da epidemia, participando de ensaios clínicos e pesquisas em todo o mundo, disse Barre-Sinoussi. Ele dedicou sua vida ao "benefício da humanidade", disse ele.

Sharon Lewin, co-presidente da conferência, chamou Lange de um homem verdadeiramente renascentista que também tinha um grande interesse nas artes e na literatura.

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"Ele era apaixonado por seu trabalho, apaixonado por saúde global e por melhorar a vida das pessoas em países de baixa renda", disse Lewin. "Ele era visionário, na verdade, acho que desde os primeiros dias da epidemia ele previu os desafios que estavam por vir."

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. Foto: ReutersAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa
. Foto: Reprodução/TwitterAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa
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O porta-voz da Organização Mundial da Saúde com base em Genebra, Glenn Thomas, que estava a caminho da conferência, também está entre os mortos, disse Christian Lindmeier, porta-voz da OMS para a região do Pacífico Ocidental. "Todo mundo está devastado", disse Lindmeier. "É um verdadeiro golpe."

A Sociedade Internacional da Aids expressou seu pesar pela notícia de que vários de seus colegas e amigos estariam a bordo.

"Nesse momento incrivelmente triste e sensível, o IAS está com a nossa família internacional e envia condolências aos familiares que perderam entes queridos nessa tragédia", disse o comunicado do grupo.

Robin Weiss, professor emérito da University College London, disse que a morte de Lange foi comparável ao de Jonathan Mann, que liderou primeiro departamento da OMS Aids - e que foi morto depois que seu voo para Genebra foi sabotado, há 17 anos. Weiss observou que a comunidade da aids cresceu muito mais após isso.

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Weiss disse que, embora as identidades dos passageiros que seguiam para a conferência de Melbourne ainda estejam sendo verificadas, a comunidade de aids é robusta o suficiente para se recuperar.

"Parece cruel, mas se qualquer um de nós (que trabalha com HIV) estivesse em um acidente de avião ou tivesse um ataque cardíaco, seria uma perda para as pessoas que nos conhecem", disse ele. "É um momento de grande tristeza, mas eu não acho que a perda [se referindo a Lange] regrida nossa luta contra a Aids. O impulso para continuar ainda existe."

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Jennifer Cohn, dos Médicos Sem Fronteiras, disse que a comunidade voltada a descobrir a cura para a aids honraria a perda de seus colegas pesquisadores por "re-dobrar (seus) o compromisso e os esforços para enfrentar a pandemia de HIV", em um comunicado.

O ex-presidente dos EUA Bill Clinton fará um discurso na conferência sobre a aids, que reúnirá milhares de cientistas e ativistas para discutir os últimos desenvolvimentos na investigação sobre HIV e aids.

Bandeiras em prédios do governo de Victoria ficarão a meio mastro durante a conferência, disse que o primeiro-ministro do estado.

O porta-voz da Câmara dos Representantes Bronwyn Bishop, que chegará à conferência segunda-feira (21), pediu um minuto de silêncio no parlamento. "Eu sei que haverá muitos lugares vazios" na conferência, disse Bishop. "Queremos ver justiça, mas de uma forma ponderada."

Os separatistas concordaram em prestar assistência aos peritos que investigam a queda do avião e disseram que vão garantir acesso seguro aos especialistas internacionais que se dirigem ao local, disse a Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE). Mas Nataliya Bystro, uma porta-voz dos serviços de emergência ucranianos, disse que os milicianos estão interferindo na operação.

*Com AP e Reuters

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