Comissário do avião malaio abatido na Ucrânia perdeu a mulher no voo MH370

Por BBC Brasil | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Sanjid Singh era casado com comissária de bordo que também havia trocado de turno e estava a bordo do voo desaparecido

BBC

Uma das mentes mais brilhantes da pesquisa sobre a aids e um comissário que não deveria estar trabalhando fazem parte das 298 vítimas do voo MH17 da Malaysia Airlines, abatido no leste da Ucrânia na quinta-feira (17). Veja mais histórias:

Quinta: Avião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa

Gigante da pesquisa contra a aids

AFP
Joep Lange era considerado um 'gigante' da luta contra a Aids


Obama: Evidências indicam que míssil de área pró-Rússia abateu avião da Malásia

O holandês Joep Lange estava entre os mais proeminentes do grupo de cerca de 100 pesquisadores e ativistas que viajavam para a 20ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids em Melbourne, Austrália. Relatórios sugerem que a bordo do MH17 estavam ainda oficiais de comunicação e ativistas que iriam participar da conferência.

Lange era um dos ex-presidentes da sociedade, descrito como uma das mentes mais brilhantes da pesquisa sobre a doença. Antes da confirmação de sua morte, a sociedade afirmou, em nota, que "o movimento realmente perdeu um gigante".

Após queda de avião da Malásia: Presidente russo pede cessar-fogo na Ucrânia

No Twitter, vários colegas prestaram homenagem a Lange. A médica Seema Yasmin se referiu a ele como um amigo que foi dedicado a suas cinco filhas e tuitou: "Pessoas como Joep mudam o curso de uma epidemia."

"Joep foi um grande cientista clínico, e um grande amigo do Wellcome Trust", disse Jeremy Farrar, diretor do grupo de pesquisa médica Wellcome Trust. A mulher de Lange, Jacqueline van Tongeren, também estava a bordo.

Passageiro acidental

Um comissário de bordo da Malaysia Airlines trocou seu turno de trabalho e acabou voando no jato que caiu em território controlado pelos rebeldes na Ucrânia.

Autoridade dos EUA à rede CNN: Avião da Malásia foi abatido sobre a Ucrânia

Foi uma triste coincidência já que sua esposa, comissária de bordo como ele, também havia trocado de turno e estava a bordo do avião da Malaysia Airlines que desapareceu a caminho de Kuala Lumpur no dia 8 de março, com 239 passageiros a bordo, de acordo com uma reportagem do jornal The Malaysian Insider. Sanjid Singh vivia com a mulher e o filho de sete anos em Kuala Lumpur.

"Ele esteve aqui [em Penang] há mais ou menos um mês. Ele nos disse recentemente que trocou com um colega o voo de volta Amsterdã-Kuala Lumpur," seu pai Jijar Singh disse ao jornal. Singh disse que o filho faria uma visita após seu retorno de Amsterdã.

"A mãe dele havia preparando todos os seus pratos favoritos", disse.

Piada no Facebook

Reprodução/BBC
Holandês brincou sobre voo desaparecido da Malaysia Airlines antes de embarcar no MH17

Cor Pan brincou no Facebook sobre seu avião desaparecendo pouco antes de decolar. O holandês estava saindo de férias com sua namorada, Neeljte Tol, e postou uma foto do avião no Facebook com a legenda:

"Se o meu voo para a Malásia desaparecer, era assim que ele era."

Hoje: Rebeldes permitirão acesso de investigadores à área de queda de avião na Ucrânia

Seus amigos reagiram desejando-lhe boas férias, mas assim que veio a notícia da queda do avião as mensagens em sua página do Facebook começaram a demonstrar preocupação, que no fim se tranformou em tristeza.

Segunda perda

Uma família australiana foi duplamente afetada pelas seguidas tragédias com aviões da Malaysia Airlines. Kaylene Mann, uma australiana que perdeu seu irmão e sua cunhada - Rody Mary Burrows - no acidente ocorrido há 4 meses, soube nesta sexta-feira (18) que sua enteada, Maree Rizk, estava entre os mortos.

Sem mea culpa: Ucrânia e separatistas pró-Rússia negam ter abatido avião da Malásia

Seu irmão, Greg Burrows, disse que a família não podia acreditar nem aceitar seu destino: "(Kaylene) perdeu seu irmão e agora sua enteada...estamos destruídos novamente".

Rizk, de Melbourne, voltava para casa após férias de quatro semanas na Europa. Estava com o marido, Albert, membro do comitê do Clube de Futebol Sunbury, da Austrália. Phil Lithgow, presidente do clube, disse que ela trabalhava como voluntária na cafeteria e que um de seus filhos, James, jogava na equipe.

"Eram pessoas adoráveis, não há nada de ruim que se possa dizer sobre eles. Eram muito generosos no tempo em que dedicavam à comunidade", disse Lithgow.

Entenda: Caixas pretas, acusações e outras questões sobre a queda do avião

Visita ao túmulo da mãe 

Arquivo pessoal
Yuli Hastini, John Paulisen e seus dois filhos visitariam túmulo da mãe dela

Yuli Hastini, John Paulisen e seus dois filhos estavam indo visitar o túmulo da mãe de Yuli.

Saiba mais: Veja casos de voos comerciais abatidos por fogo hostil

Hastini, de 44 anos, seu marido holandês John Paulisen, de 47, e os dois filhos do casal, o menino Arjuna, 5 anos, e a menina Sri, 3, visitavam sua família na cidade natal dela, Solo, Java Central, a cada dois anos durante o feriado muçulmano do Eid.

Seu cunhado disse à BBC Indonésia que ela trabalhava para uma empresa farmacêutica na Holanda. Ela havia ficou arrasada por não ter conseguido ir ao funeral de sua mãe no ano passado. Por isso, a família planejou a viagem para visitar o túmulo da mãe.

Golpe: Tragédias aéreas raras dão histórico macabro à Malaysia Airlines

Ex-jornalista da BBC

Reprodução/BBC Brasil
O jornalista Glenn Thomas trabalhava para a OMS e foi jornalista da BBC

Cenário: Destroços de avião da Malásia e corpos são encontrados no leste da Ucrânia

Glenn Thomas, um jornalista e coordenador de relações com a mídia da OMS, estava viajando para a conferência sobre Aids na Austrália. Thomas, de 49 anos de idade, trabalhava em Genebra e foi um dos nove britânicos que morreram no acidente. Ele também era um ex-jornalista da BBC. Colegas e amigos prestaram homenagens no Twitter.

Peter Horrocks, diretor do Serviço Mundial da BBC, disse em um e-mail para os funcionários que Glenn era conhecido como um "indivíduo calmo, amável e totalmente profissional".

Sorte: Família escapou da morte por falta de assento no avião da Malásia; assista

"Ele fará falta. Nossos pensamentos estão com sua família e amigos neste terrível momento".

Aeromoça persistente

A atendente de voo Nur Shazana Mohd Salleh era uma pessoa feliz e achava que este mês seria especial. A família da aeromoça de 31 anos disse à mídia local que ela morreu fazendo o que amava.

Assista: Vídeo mostra explosão no momento do impacto de avião da Malásia na Ucrânia

"Ela passou por tantas entrevistas para finalmente conseguir este trabalho", o pai disse, acrescentando que ela trabalhou para a companhia pelos últimos nove anos.

Ele disse que ela era solteira e que tinha a esperança de se casar em breve, e que ela achava que este mês, de alguma forma, seria especial. Seu tio disse que ela era a mais velha de quatro filhos e estava sempre alegre.

Professora inspiradora

Arquivo pessoal
Professora era 'uma inspiração' para seus colegas

A professora australiana Francesca Davison e seu marido, Liam, estavam voltando para a casa após férias na Europa. Conhecida como Frankie, a professora de 54 anos é descrita pela diretora do colégio em que trabalhava como "uma inspiração para todos que entraram em contato com ela".

Ela ensinava literatura e humanidades em Toorak College, em Victoria, e é descrita como uma "querida amiga, generosa e amável".

Leia tudo sobre: voo mh17malaysia airlinesucraniacollegeaustraliamh370

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas