Iniciado após o assassinato de três adolescentes judeus, conflito já deixou mais de 200 mortos em dez dias

A presidente Dilma Rousseff criticou, em discurso feito nesta quinta-feira (17), a ofensiva israelense ao território palestino controlado pelo grupo islâmico Hamas, na Faixa de Gaza.

Afirmando que a América Latina é uma região pacífica - apesar do fato de alguns dos países mais violentos do mundo estarem localizados nela -, Dilma ressaltou que o Brasil defende a existência concomitante dos dois Estados na região - o de Israel (estabelecido pela ONU em 1948, após o massacre de seis milhões de judeus na II Guerra Mundial) e o da Autoridade Palestina - e criticou o uso da violência.

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“No Oriente Médio, por exemplo, estamos vivendo uma situação muito triste, para não dizer lamentável. É o que está ocorrendo na Faixa de Gaza. Porque estamos vendo pessoas perdendo a vida, saindo de suas casas", disse ela. Dilma ainda ressaltou considerar os ataques israelenses como desproporcionais quando comparados aos palestinos. 

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirma que o governo brasileiro “rechaça” a atual incursão terrestre israelense em Gaza, iniciada nesta quinta-feira (17), e considera a iniciativa um “grave retrocesso nos esforços de paz”.

No documento, a diplomacia brasileira expressa solidariedade aos feridos e à família das vítimas dos ataques tanto na Palestina quanto em Israel e pede que seus líderes negociem um cessar-fogo “duradouro”.

“O governo brasileiro conclama ambas as partes a aderir imediatamente aos esforços empreendidos pelo governo do Egito e pelas Nações Unidas neste sentido. Reitera que a solução de dois Estados, Israel e Palestina, requer que as partes respeitem suas obrigações nos termos do direito internacional e retomem sem demora as negociações de paz para encerrar o conflito”, acrescenta a nota do Itamaraty.

O Exécito de Israel lançou nesta quinta-feira uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza após ordem do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Em um comunicado, o Exército afirmou que "iniciou uma operação em terra dentro da Faixa de Gaza" com o objetivo de dar um "significativo golpe na infraestrutura de terror do grupo militante Hamas". As forças israelenses não deram mais detalhes ou informaram quantos soldados estão envolvidos na operação.

A ordem foi dada após um dia de fortes confrontos entre Israel e o grupo militante Hamas, incluindo um ataque aéreo que matou três crianças palestinas que alimentavam pombos em seu telhado, depois de ter sido observado um cessar-fogo temporário que permitiu que a população local estocasse suprimentos.

A operação começou depois de dez dias de confrontos intensos entre Israel e o Hamas, no qual Israel atingiu mais de 2 mil alvos em Gaza e o Hamas lançou quase 1,5 mil foguetes contra Israel.

*Com Agência Brasil

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