Mas Exército diz que retaliará se for atacado durante a trégua que vigorará na quinta para permitir estocagem de suprimentos

O Exército de Israel anunciou nesta quarta-feira que concordou com uma proposta da ONU de fazer uma pausa em seus ataques contra a Faixa de Gaza para permitir que os palestinos consigam voltar a estocar suprimentos. Em nota, o Exército afirmou que não atacará por cinco horas a partir das 10 horas locais de quinta-feira (4 horas de Brasília). 

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Parentes de quatro meninos mortos na praia em ataque israelense choram durante funeral na Cidade de Gaza
AP
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O Exército, porém, alertou que retaliará "de forma firme e decisiva" se o Hamas ou qualquer outro grupo militante lançar ataques contra Israel nesse período.

A medida foi anunciada no dia em que aviões de guerra e embarcações da Marinha de Israel intensificaram os ataques em toda a Faixa de Gaza, tendo como alvo graduados membros do Hamas e bombardeando a área costeira, onde quatro meninos palestinos foram mortos .

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A nova rodada de violência veio depois de o Hamas formalmente rejeitar uma proposta de cessar-fogo que havia sido aceita por Israel para pôr fim ao conflito iniciado no dia 8, que deixou ao menos 213 palestinos e um israelense mortos .

O Hamas lançou dezenas de foguetes contra Israel nesta quarta e prometeu não concordar com o cessar-fogo até que suas demandas sejam acatadas, incluindo a amenização dos bloqueios dos postos de fronteira e a libertação de ex-prisioneiros do Hamas que foram soltos por Israel em uma troca de presos de 2011 e voltaram a ser detidos no mês passado na Cisjordânia.

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O site do Ministério do Interior de Gaza afirmou que aviões israelenses lançaram dezenas de ataques nesta quarta-feira, atingindo 30 casas, incluindo as dos líderes graduados do Hamas Mahmoud Zahar, Jamila Shanti, Fathi Hamas e Ismail Ashkar. O Exército israelense não fez comentários imediados sobre suas ações.

Zahar foi uma figura-chave da tomada de controle da Faixa de Gaza pelo Hamas contra o Fatah em 2007, enquanto os outros três foram membros do Parlamento palestino eleito em 2006. Muitos líderes do Hamas se esconderam desde o início da ofensiva israelense.

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Os quatro meninos, que eram primos com idades entre 9 e 11 anos, foram mortos enquanto brincavam em uma praia de uma estrada costeira no oeste da Cidade de Gaza, disse Ashraf Al-Kedra, um médico palestino. Outros sete — adultos e crianças — ficaram feridos no ataque, que o ativista dos direitos humanos palestinos Khaki Au Shamalla afirmou que veio de um navio israelense operando na costa.

Abdel Kareem Baker, 41, tio dos meninos, revoltou-se contra Israel depois do ataque. "É um frio massacre sangrento", disse. "É uma vergonha que não os identificaram como crianças com toda essa tecnologia avançada que alegam usar." O Exército israelense afirmou que analisa o incidente.

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Parentes de quatro crianças palestinas que, segundo médicos, foram mortos por ataque de Israel choram na Cidade de Gaza (16/7)
Reuters
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A proposta egípcia pediu a suspensão das hostilidades até a noite de terça seguida de negociações sobre os termos de um cessar-fogo mais longo, incluindo a diminuição do bloqueio de sete anos imposto por Israel e o Egito a Gaza.

O Hamas vê a amenização do bloqueio contra a faixa costeira como essencial para sua sobrevivência, mas não confia nos atuais líderes egípcios — que depuseram um governo amigável aos Hamas no Cairo no ano passado — como fiéis mediadores.

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Enquanto o esforço do Cairo ruía, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alertou que o Hamas pagará um alto preço por rejeitar a oferta de trégua.

Juntamente com os ataques aéreos, Israel também alertou a dezenas de milhares de residentes da vila de Beit Lahiya e dos bairros de Zeitoun e Shijaiyah da Cidade de Gaza, todos próximos da fronteira com Israel, a sair de suas casas até as 8 horas locais desta quarta. Os alertas foram entregues em telefonemas automáticos, mensagens de texto e panfletos jogados de aviões.

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O Exército israelense disse em sua mensagem que um grande número de foguetes foram lançados dessas áreas e que Israel planejava bombardear essas localizações. "Aqueles que desconsideraram essas instruções e fracassem em se retirar imediatamente põem em risco suas próprias vidas, assim como de seus parentes", afirmou a mensagem.

Na manhã desta quarta, centenas de residentes de Zeitoun e Shijaiyah foram vistos nas ruas carregando pequenas sacolas com seus pertences.

Apenas um israelense morreu até agora no conflito muito por causa da efetividade do sistema de defesa aérea Domo de Ferro de Israel em interceptar os foguetes.

*Com AP

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