Decisão coloca sobre o Estado holandês parte da culpa pelo massacre de 8 mil em 1995, o pior na Europa desde a 2ª Guerra

Reuters

A Holanda tem responsabilidade em cerca de 300 das mais de 8 mil mortes no massacre de Srebrenica em 1995, decidiu uma corte holandesa nesta quarta-feira, colocando sobre o Estado holandês parte da culpa pelo pior massacre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

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Bósnia muçulmana chora próximo de onde parentes mortos em Srebrenica estão enterrados (11/7/2012)
AP
Bósnia muçulmana chora próximo de onde parentes mortos em Srebrenica estão enterrados (11/7/2012)

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Uma corte distrital em Haia reconheceu a possibilidade de que as tropas de paz da Holanda em Srebrenica, um enclave muçulmano bósnio em território controlado pelos servo-bósnios, soubessem que os 300 homens em busca de refúgio na base holandesa na vila de Potocari seriam assassinados caso fossem expulsos das instalações holandesas.

A corte disse que a Holanda não era responsável pelas mortes daqueles que fugiram para os bosques nos arredores de Srebrenica, onde muitos homens e meninos depois foram enterrados em covas coletivas.

A decisão judicial pode estabelecer um precedente com implicações em futuras missões de paz da Holanda e de outros países.

Durante a guerra bósnia, o batalhão holandês Dutchbat foi enviado para proteger Srebrenica, designada como zona de segurança pela Organização das Nações Unidas, mas as tropas holandesas se renderam ao Exército servo-bósnio comandado por Ratko Mladic , que está sendo julgado por crimes de guerra em uma corte internacional de Haia.

O caso foi aberto pelas Mães de Srebrenica, grupo que representa os parentes das vítimas sobreviventes. O grupo fracassou em ter reconhecida a responsabilidade da ONU pelo massacre.

"No momento que os homens foram mandados embora, o Dutchbat sabia ou deveria saber que o genocídio estava em curso e que, em decorrência, haveria um sério risco de que os homens fossem assassinados", disse o juiz Peter Blok.

O fracasso dos soldados holandeses em proteger os muçulmanos de Srebrenica deixou uma marca profunda na política holandesa, contribuindo para a renúncia do governo holandês em 2002.

A guerra Bósnia durou três anos e deixou ao menos 100 mil mortos no mais sangrento de uma série de conflitos que se sucederam ao desmembramento da Iugoslávia nos anos 1990.

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