Hamas quer garantias detalhadas de que as fronteiras de Gaza serão abertas e desconfia do mediador, o governo do Egito

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Israel e o Hamas trocaram fogo nesta terça-feira , ignorando um cessar-fogo mediado pelo Egito com o objetivo de pôr fim a um conflito iniciado em 8 de julho . O governo israelense inicialmente aceitou a proposta, enquanto o Hamas a rejeitou .

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Palestino é visto perto de destroços de construção destruída por ataque aéreo israelense em Beit Lahiya, norte da Faixa de Gaza
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Palestino é visto perto de destroços de construção destruída por ataque aéreo israelense em Beit Lahiya, norte da Faixa de Gaza

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Sob o plano egípcio, proposto no fim da noite de segunda, um período de 12 horas de diminuição da tensão começaria ao meio-dia local desta terça. O Hamas lançou dezenas de foguetes contra Israel seis horas antes de que começasse o período sugerido, fazendo Israel retomar a ofensiva. A oferta, entretanto, ainda está sobre a mesa, e Israel afirma que suspenderá suas ações se o Hamas aceitá-la.

Veja a seguir o que cada lado quer em um acordo e o que provavelmente conseguirá:

Fim das hostilidades

A proposta egípcia pede o fim das hostilidades de ambos os lados, dizendo que Israel deterá seus ataques e não adotará uma ofensiva terrestre e os militantes palestinos interromperão o lançamento de foguetes. Em oito dias de conflito, Israel atingiu mais de 1,6 mil alvos em Gaza, deixando quase 200 mortos, a maioria civis. O Hamas e outros militantes palestinos dispararam 1,1 mil foguetes contra vilas e cidades israelenses, causando uma morte e danos materiais e deixando mais de dez feridos. Assim que ambos os lados concordarem com o fim das hostilidades, negociarão os termos de uma trégua de longo prazo.

Postos de fronteira

O Hamas, pressionado pela falta de dinheiro e pelo bloqueio imposto tanto pelo Egito quanto Israel, prioriza conseguir a abertura de seus postos de fronteira para permitir o fluxo de mercadorias e pessoas. De acordo com uma cópia do acordo de cessar-fogo, os postos abririam "assim que a situação de segurança se tornasse estável no terreno". O Hamas quer garantias detalhadas de que as fronteiras de Gaza serão abertas, particularmente o posto de Rafah entre Gaza e o Egito, a principal porta do território ao mundo. O Egito restringiu fortemente as viagens para dentro e fora de Gaza durante o ano passado depois da deposição por um golpe militar da Irmandade Muçulmana , aliada do Hamas, do poder. Hamas vê com cautela as garantias egípcias de que amenizará o bloqueio. Tais promessas também faziam parte de uma trégua que pôs fim a mais de uma semana de conflitos em 2012 , mas não foram totalmente cumpridas.

Prisioneiros

Israel prendeu centenas de operativos do Hamas em sua ampla ação na Cisjordânia no mês passado enquanto procurava três adolescentes israelenses desaparecidos , cujos corpos foram encontrados mais de duas semanas depois do desaparecimento . Dezenas desses operativos haviam sido soltos em uma troca de prisioneiros em 2011 pelo soldado israelense Gilad Schalit . Israel afirma que eles violaram os termos de sua soltura, mas o Hamas sugeriu que eles sejam libertados como parte do acordo de cessar-fogo. A oferta egípcia não inclui essa reivindicação, e não é provável que Israel a aceite.

Desmilitarização

Bombeiro israelense inspeciona local atingido por fogo de militantes em Ashdod (15/7)
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Bombeiro israelense inspeciona local atingido por fogo de militantes em Ashdod (15/7)

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, diz que Israel aceitou o acordo de cessar-fogo com o objetivo de "dar uma oportunidade à desmilitarização da Faixa de Gaza de mísseis, foguetes e túneis". O Hamas expandiu seu arsenal de foguetes, que agora podem alcançar de forma mais profunda Israel, atingindo não somente o centro econômico e cultural do país em Tel Aviv, mas também tão longe ao norte quanto os arredores de Haifa, a mais de 160 km de Gaza. Apesar de os foguetes terem deixado apenas um morto entre no lado de Israel, eles perturbam a vida de milhões de israelenses e deixam traumatizados aqueles que vivem mais perto da Faixa de Gaza. A oferta do Egito não discute a desmilitarização, e é improvável que o Hamas aceite quaisquer limites a suas capacidades militares, um de seus poucos fatores de dissuasão contra Israel.

Período de calma

Se nada além disso, Israel e os palestinos podem esperar um período de calma seguido da rodada de hostilidades. A última miniguerra em 2012 trouxe meses de calma, com apenas ocasionais ataques de cada lado. Israel espera que, ao atacar o Hamas, a próxima pausa dure muito mais. Hamas usou o período prévio de tranquilidade para voltar a estocar foguetes e provavelmente terá de se reagrupar depois do atual confronto.

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