Israel diz que retomada de ataques é resposta a lançamento de foguetes no período da trégua, que o Hamas havia rejeitado

Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza nesta terça-feira, poucas horas depois de o gabinete do premiê Benjamin Netanyahu ter aceitado uma proposta de cessar-fogo do Egito , que foi rejeitada pelo grupo militante Hamas.

Hoje: Israel aceita proposta de cessar-fogo do Egito; braço armado do Hamas rejeita

Saiba mais:  Entenda o atual conflito entre Israel e Hamas

Fumaça sobe depois de explosão no norte da Faixa de Gaza
Reuters
Fumaça sobe depois de explosão no norte da Faixa de Gaza

Relato: 'Não vale a pena viver', diz palestino morador da Faixa de Gaza

Cenário:  Conheça o dia a dia da vida repleta de restrições em Gaza

As ações contra Gaza haviam sido interrompidas após a trégua. Israel afirma que neste breve período de cessar-fogo, foguetes foram disparados pelo Hamas. Em retaliação, Israel respondeu com mais de vários ataques contra Gaza nesta terça. No total, os palestinos lançaram cerca de 125 foguetes desde o início da manhã desta terça, quando a trégua estava perto de começar. À tarde, uma rápida barragem de 40 foguetes caiu em poucos minutos, um dos quais em uma escola vazia.

O braço armado do grupo militante Hamas, que controla a Faixa de Gaza, justificou não aceitar a proposta egípcia classificando-a de "rendição". Autoridades do grupo também afirmaram não terem sido consultadas sobre o plano, que retrataram como um ultimato apresentado por Israel e o Egito. A proposta estabelecia um cessar-fogo imediato e uma série de reuniões no Cairo com a participação de delegações de alto nível de ambos os lados.

Depois que os foguetes voltaram a ser lançados de Gaza, Netanyahu e o ministro da Defesa Moshe Yaalon "ordenaram ao Exército agir com intensidade contra os alvos terroristas em Gaza", disse um funcionário israelense sob condição de anonimato.

Crise: Israel derruba drone lançado da Faixa de Gaza

A rápida retomada da violência ilustra que será mais difícil dessa vez do que no passado negociar um término para o conflito entre Israel e o Hamas. Uma diferença-chave em relação a uma trégua de 2012 é o fato de que o Hamas não confia nos atuais governantes do Egito, que depuseram um governo amigável ao grupo militante há um ano .

A nova onda de violência na região começou há oito dias. Israel lançou ataques aéreos como tentativa de interromper o disparo de foguetes por militantes de Gaza contra o seu território, que expõe milhões de israelenses a risco.

Segundo autoridades palestinas, os ataques israelenses deixaram ao menos 192 mortos. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de três quartos das vítimas sejam civis. Cerca de 1,4 mil palestinos ficaram feridos.

Entenda: Israel usa arsenal sofisticado contra foguetes palestinos obsoletos

Segundo Israel, ao menos 15 israelenses, incluindo crianças, ficaram feridos gravemente desde o início da ofensiva, tendo sido registrada a primeira morte nesta terça . A atual rodada de violência é a terceira em apenas cinco anos. A anterior, em 2012 , terminou com o auxílio do Egito, na época visto como um mediador confiável pelo Hamas.

Infográfico: Saiba os principais fatos do conflito entre Israel e palestinos

Mas o grupo desconfia dos atuais líderes egípcios, que aumentaram o bloqueio de fronteira de Gaza, incluindo impedindo viagens para dentro e fora do território. Uma amenização do bloqueio contra a faixa costeira é essencial para a sobrevivência do Hamas.

O Oriente Médio vive um momento de tensão desde o sequestro e morte de três jovens israelenses no mês passado. Israel acusou o Hamas dos assassinatos, mas o grupo palestino negou. Dias depois, um jovem palestino foi morto, supostamente como vingança.

*Com BBC e AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.