Ministério da Defesa nega que Força Aérea tenha cometido o ataque, mas moradores da cidade de Snizhne acusam militares

Ataque aéreo demoliu um prédio residencial no leste da Ucrânia nesta terça-feira (15) e matou ao menos 11 civis, de acordo com equipes de resgate. O ataque aumenta o número crescente de civis mortos ao longo dos quatro meses de revolta no país.

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Mulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia
AP
Mulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia


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Enquanto isso, o governo ucraniano nega que as Forças Aéreas tenham sido responsáveis pela ação. O Ministério da Defesa da Ucrânia insistiu que o bombardeio não poderia ter sido realizado pelos militares pois nenhum de seus aviões estaria em missão no momento. O porta-voz do Conselho de Segurança, Andrei Lysenko, chamou o incidente de "provocação cínica e sangrenta" que visa desacreditar as forças armadas.

Equipes de resgate em Snizhne, cidade tomada por rebeldes separatistas, disseram ter recuperado nove corpos enquanto residentes vasculhavam os escombros em busca de possíveis pertences. Não há uma contagem oficial confiável sobre o número de mortos, mas centenas de civis foram mortos até o momento em território ucraniano. O governo não anunciou quem estaria por trás dos ataques; forças rebeldes parecem não ter poderio aéreo.

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Na segunda-feira a Ucrânia afirmou que um de seus aviões de transporte militar com oito pessoas foi abatido por um míssil disparado do território russo. O chefe do serviço de Segurança Valentyn Nalyvaichenko diz que não há "evidência" de que a Rússia esteja envolvida no ataque, informou a agência de notícias Interfax-Ucrânia nesta terça.

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Nas duas últimas semanas o governo reduziu pela metade o território ocupado por rebeldes no leste da Ucrânia. Os insurgentes pró-russos foram obrigados a voltar para as cidades de Luhansk e Donetsk. Muitos deles são conhecidos por serem cidadãos russos, mas Moscou diz que eles são simplesmente cidadãos lutando na Ucrânia por conta própria.

Snizhne pode ter sido atacada por vários mísseis. Um bloco do apartamento de quatro andares parece ter sido atingido em dois pontos distintos, o que causou o colapso de várias camadas e de uma casa vizinha. Equipes de resgate conseguiram retirar uma criança dos escombros. Suas pernas estavam quebradas.

Um repórter da Associated Press no local contou seis grandes crateras de impacto. Moradores disseram à AP que não há dúvidas de que o ataque havia sido realizado pela Força Aérea da Ucrânia.

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Nos últimos dias, a Ucrânia tem acusado a Rússia de estar envolvida em ataques contra suas tropas e por fornecer armas aos rebeldes. Nesta terça, Lysenko disse que guardas de fronteira da Ucrânia ficaram sob a mira de tiros vindos do território russo. Ele não especificou se acreditava que o país era diretamente responsável pelo ataque.

Moscou, por sua vez, acusou a Ucrânia de bombardear uma cidade da fronteira dentro da Rússia causando uma morte. A Ucrânia nega ter atirado em solo estrangeiro. Uma delegação de diplomatas e jornalistas internacionais foram visitar o local do bombardeio na terça, ação denominada por um funcionário russo do Ministério da Defesa como "ato de boa vontade."

*Com AP

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