Esforços por cessar-fogo aumentam enquanto o Hamas diz ter enviado diversos drones; aproximadamente 175 foram mortos

Exército israelense diz ter derrubado um drone lançado por militantes de Gaza nesta segunda-feira (14), no primeiro envio de uma aeronave não tripulada por parte dos militantes palestinos desde o início da ofensiva na semana passada, à medida que novos ataques aéreos israelenses aumentaram o número de mortos para ao menos 175.

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Palestina reage diante dos restos mortais de sua casa, que a polícia diz ter sido destruída em ataque aéreo israelense em Rafah, sul da Faixa de Gaza
Reuters
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O Hamas, grupo islâmico que governa Gaza, afirmou que seu braço armado enviou diversos drones para realizar "missões especiais" no interior de Israel - um desdobramento que, se confirmado, marcaria avanço na sofisticação de seu arsenal.

A aviação e navios de guerra israelenses atacaram 204 alvos durante a noite na Faixa de Gaza, segundo o Exército de Israel. Autoridades palestinas disseram que pelo menos 20 se feriram.

Segundo o Exército israelense, o drone, lançado a partir de Gaza, foi abatido em pleno voo por um míssil ao longo da costa sul israelense, perto da cidade de Ashdod. Em uma declaração à mídia, o Hamas afirmou ter lançado três drones contra Israel nesta segunda, embora militares insistiram ter havido apenas um.

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Como parte dos esforços diplomáticos internacionais para um cessar-fogo, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, cujo empenho por um acordo de paz palestino-israelense fracassou em abril, se ofereceu no domingo para ajudar a obter uma trégua. A oferta teve o respaldo da França e da Alemanha, que vai enviar seu ministro de Relações Exteriores à região nesta segunda.

Crise

A explosão da violência seguiu os sequestros e assassinatos de três adolescentes israelenses na Cisjordânia no mês passado, bem como o sequestro e assassinato de um adolescente palestino em um ataque aparentemente de vingança pelas primeiras mortes. Ao todo, o Ministério da Saúde palestino em Gaza diz que ao menos 175 foram mortos em ataques aéreos israelenses, incluindo dezenas de civis. 

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O Hamas diz ter desenvolvido dois tipos de drones - um para recolher informações e outro para entregar munição. O grupo também disse que perdeu o contato com um dos drones e que os alvos incluíam o Ministério da Defesa de Israel em Tel Aviv. Foi a primeira vez que o grupo militante reconheceu publicamente que tem drones em seu arsenal.

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Esses drones poderiam infligir baixas israelenses significativas - algo que os foguetes de Gaza não conseguiram fazer em grande parte por causa do sucesso do sistema de defesa aérea do exército israelense.

"O Hamas está tentando de tudo para ter algum tipo de conquista e é crucial que nós mantemos o nosso elevado estado de prontidão", disse o ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon. "O abate de um drone esta manhã pelo nosso sistema de defesa aéreo é um exemplo dos esforços em nos atacar de qualquer maneira possível."

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse no domingo que a operação atual pode durar "um longo tempo" e que os militares foram preparados "para todas as possibilidades". Isso inclui uma operação terrestre em Gaza, o que provavelmente causaria pesadas baixas na faixa litorânea.

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Mas Netanyahu está sob crescente pressão internacional para acabar com a operação em breve. No domingo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu um cessar-fogo imediato. O Egito, um importante mediador entre Israel e o Hamas, continua a trabalhar nos bastidores para acabar com o conflito.

O Hamas enviou sinais de que pode estar pronto para considerar um cessar-fogo e exigiu que centenas de ativistas presos recentemente sejam liberados como parte de qualquer trégua em perspectiva.

Por outro lado, Netanyahu deve procurar mostrar ao público israelense que conseguiu degradar significativamente a capacidade do Hamas de atacar alvos israelenses antes de avançar diplomaticamente.

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Também nesta segunda-feira, um palestino de 21 anos foi morto durante confrontos com soldados israelenses na aldeia da Cisjordânia de Samoa, perto de Hebron, disseram autoridades de saúde palestinas.

Segundo moradores da aldeia, soldados abriram fogo contra um grupo de palestinos que atiravam pedras contra eles. Os funcionários e os moradores falaram sob condição de anonimato porque não estavam autorizados a falar com a imprensa. O Exército israelense confirmou a morte e disse estar investigando o incidente.

*Com AP e Reuters

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