O que o Hamas pode ganhar com o conflito entre Isarel e Palestina?

Por BBC - Brasil |

compartilhe

Tamanho do texto

O enfraquecimento do grupo é um dos fatores que vai dificultar a contenção da escalada de violência entre Israel e Palestina

BBC

AP
Palestinos levam corpo de Mohammed Sowelim, militante morto em ataque de Israel à Gaza

Israel e militantes palestinos continuaram a trocar ataques durante a noite. Centenas de mísseis e foguetes foram disparados desde que Israel iniciou sua operação há cinco dias, após acusar o Hamas pelo sequestro e morte de três jovens israelenses em junho.

Fontes palestinas dizem que 123 palestinos foram mortos. Segundo a ONU, mais de três quartos são civis. O Exército de Israel afirma que acertou mais de 60 alvos "terroristas" com ataques aéreos e que seis foguetes atingiram Israel no sábado.

Premiê: Pressão internacional não deterá ofensiva contra Gaza

Não há nenhum sinal de que as partes concordem com um cessar-fogo, apesar de intensa diplomacia nas Nações Unidas.

Bola de fogo sobe de explosão na torre de apartamentos de al-Zafer depois de um ataque aéreo de Israel na Cidade de Gaza, no norte do território (23/8). Foto: APMilitantes do Hamas vendam palestino suspeito de colaborar com Israel antes de executá-lo na Cidade de Gaza (22/8). Foto: ReutersFumaça cobre Gaza após o que testemunhas disseram ter sido um ataque aéreo israelense (19/08). Foto: ReutersPalestinos preparam chá próximos às ruínas de sua casa em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza (18/08). Foto: ReutersPalestina caminha pelas ruínas de casas que testemunhas disseram ter sido destruídas por ofensiva israelense na vila de Jöhr El-Deek, em Gaza (17/08). Foto: ReutersPalestina entre os restos de sua casa, que testemunhas disseram ter sido destruída durante a ofensiva israelense na vila Jöhr El-Deek, centro de Gaza (17/08). Foto: ReutersPalestino assiste às orações ao lado das ruínas de uma mesquita que testemunhas disseram ter sido destruída por ataque aéreo de Israel, em Gaza (15/08). Foto: ReutersPalestino carrega seu irmão ao lado dos restos de sua casa, que testemunhas dizem ter sido destruída por Israel, durante trégua em Gaza (13/08). Foto: ReutersSimone Camilli, 35, é o primeiro jornalista estrangeiro morto no conflito de Gaza (13/08). Foto: APSoldados israelenses patrulham Kibbutz Nahal Oz, perto da Faixa de Gaza cuja maioria dos moradores fugiu para se proteger de foguetes (10/08). Foto: Reutersmilitares israelenses retiram militante ferido após ataque a embarcação em israel (maio/2010). Foto: ReutersMulher chora durante funeral de familiar morto após ataque aéreo israelense no campo de refugiados de Nusseirat, Gaza (9/08). Foto: ReutersSoldados com a bandeira israelense em operação militar (8/08). Foto: APFumaça toma o céu na Faixa de Gaza após ataque israelense (8/08). Foto: ReutersFoto antiga mostra movimento na área onde hoje fica Israel (8/08). Foto: APPalestinos fogem de suas casas após ataque aéreo israelense nas proximidades, no norte da Faixa de Gaza (8/08). Foto: ReutersSoldado israelense carrega projétel perto da fronteira com a Faixa de Gaza (7/08). Foto: ReutersCerca de um quinto dos mortos durante a ofensiva israelense em Gaza são crianças (9/08). Foto: ReutersHomem com roupas manchadas pelo sangue é consolado em hospital em Khan Younis: cerca de 1.900 palestinos morreram em Gaza (9/08). Foto: ReutersA tia da palestina Yasmin al-Bakri, 11, a quem médicos disseram ter sido ferida em ataque aéreo israelense, segura a mão da  sobrinha em hospital de Gaza (6/08). Foto: ReutersO palestino Anas Shabat, 10, chora ao inspecionar os danos ao retornar para sua casa, destruída por ataques na cidade de Beit Hanoun, Faixa de Gaza (5/08). Foto: APPara pastor, ataques israelenses em Gaza são 'desumanos' (7/08). Foto: AFPPalestino chora após o corpo de sua mãe ser retirado de escombros de casa destruída por ataque aéreo israelense, segundo testemunhas, em Rafah, Gaza (4/08). Foto: ReutersConfronto atual pode ser apenas mais um episódio do conflito e se repetir nos próximos meses (6/08). Foto: APAtaque a escola matou ao menos dez pessoas (3/08). Foto: ReutersSoldado israelense em túnel construído pelo Hamas para atacar Israel (31/07). Foto: ReutersPalestino que, segundo os médicos, foi ferido após ataque israelense perto de mercado em Shejaia, aguarda atendimento em maca na Cidade de Gaza (30/07). Foto: ReutersPalestino carrega menina ferida no hospital Kamal Adwan. Ela recebeu tratamento após ataque israelense a uma escola da ONU, em Gaza (30/07). Foto: APPalestinos choram por um parente que os médicos dizem ter sido morto por bombardeio israelense perto de um mercado em Shejaia, em Gaza (30/07). Foto: ReutersFarah Baker, 16, mora ao lado do hospital Al-Shifa, em Gaza, e pede o fim dos conflitos pelas redes sociais (29/07). Foto: Reprodução/TwitterPalestino é amparado enquanto civis procuram por vítimas após casa ser destruída por ataque aéreo em Rafah, sul da Faixa de Gaza (29/07). Foto: ReutersHomem observa estrago em única usina elétrica de Gaza (29/07). Foto: AFPA mãe de uma criança palestina chora ao saber da morte de seu filho em hospital na cidade de Gaza (28/07). Foto: ReutersSoldado israelense detém arma sobre veículo blindado após cruzar fronteira de Gaza para Israel (28/07). Foto: ReutersCrianças palestinas seguram armas de brinquedo em frente ao Domo da Rocha durante protesto na cidade velha de Jerusalém (28/07). Foto: ReutersParentes de militante palestino da Jihad Islâmica Hazem Abu Shamala choram durante seu funeral em Khan Younis, sul de Gaza (27/7). Foto: ReutersDestroços de casa de família cristã atingida por ataque de Israel são vistos na Cidade de Gaza (27/7). Foto: ReutersSoldados israelenses são vistos durante enterro em Jerusalém de seu companheiro Amit Yeori, morto durante combates em Gaza (27/7). Foto: ReutersFumaça sobe depois de explosão no norte de Gaza (27/7). Foto: ReutersPalestinos se reúnem ao redor de escombros de prédio onde membros de uma mesma família foram mortos em ataque de Israel em Khan Younis (26/7). Foto: APPalestina carrega seus pertences após ter casa destruída (26/7). Foto: ReutersPalestinos choram durante funeral de Eid Fadhelat, 32, que foi atingido por soldados israelenses durante confronto na sexta na Cisjordânia. Foto: APMédicos palestinos retiram corpo de escombros de casa destruída por ataque de Israel em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza (25/7). Foto: APPessoas vão ao velório do palestino Mohammed al-Araj, morto por tropas israelenses, de acordo com médicos da região (25/7). Foto: ReutersPalestino ferido por ataque de Israel contra escola da ONU em Beit Hanoun, norte da Faixa de Gaza, grita em hospital (24/5). Foto: ReutersMenino palestino chora ao ver parentes feridos sendo levados à sala de emergência no hospital de Nasser após ataque em Khan Younis, sul de Gaza (24/7). Foto: APMãe do palestino Mahmoud al-Shawamrah chora durante seu funeral na cidade de Al-ram, Cisjordânia (22/7). Foto: ReutersPalestinos procuram por sobreviventes sob os escombros de uma casa destruída por um míssil israelense na Cidade de Gaza (21/7). Foto: APEquipe de resgate e civis palestinos removem corpo sem vida dos escombros de uma casa destruída por um míssil israelense na Cidade de Gaza (21/7). Foto: APPolicial israelense de fronteira mira sua arma durante confrontos com palestinos que protestam na Cisjordânia contra ofensiva na Faixa de Gaza (18/7). Foto: APTanque de Israel manobra para tomar posição ao longo da fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza (17/7). Foto: APFamiliares reagem à morte de quatro crianças vítimas de ataque aéreo israelense em Gaza (16/7). Foto: ReutersMenina chora enquanto palestinos fogem de suas casas no bairro de Shajaiyeh da Cidade de Gaza City depois de alerta de ataque de Israel (16/7). Foto: APParentes de quatro crianças palestinas que, segundo médicos, foram mortos por ataque de Israel choram na Cidade de Gaza (16/7). Foto: ReutersParentes de quatro meninos mortos na praia em ataque israelense choram durante funeral na Cidade de Gaza (16/7). Foto: APPalestino inspeciona danos a posto de polícia após ataque de míssil israelense que matou quatro meninos da mesma família na Cidade de Gaza (16/7). Foto: APParentes choram enquanto seguram corpo de Sarah Omar el-Eid, 4, que foi morta por ataque de Israel contra Gaza (15/7). Foto: APFumaça sobe após ataque aéreo de Israel contra a Faixa de Gaza (15/7). Foto: APBombeiro israelense inspeciona local atingido por fogo de militantes em Ashdod (15/7). Foto: APPalestino é visto perto de destroços de construção destruída por ataque aéreo israelense em Beit Lahiya, norte da Faixa de Gaza. Foto: APParentes de menina de 4 anos morta em ataque israelense choram durante enterro em Rafah, sul da Faixa de Gaza (15/7). Foto: ReutersParentes de menina de 4 anos morta em ataque israelense choram durante enterro em Rafah, sul da Faixa de Gaza (15/7)
. Foto: ReutersMenino chora morte de criança de 4 anos por ataque israelense em Rafah, sul da Faixa de Gaza (15/7). Foto: ReutersSoldados israelenses dormem no chão ao lado de um veículo blindado fora da Faixa de Gaza (15/7). Foto: ReutersPalestinos se reúnem em mesquita ao redor de corpo de homem morto por ataque aéreo de Israel (14/7). Foto: APMenina descansa no colo do pai depois de fugir de ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza (14/7). Foto: APPalestinos verificam danos em mesquita 
atingida por ataque de Israel durante a madrugada na Faixa de Gaza (14/7). Foto: APFumaça e destroços sobem durante ataque 
aéreo de Israel contra prédio no campo de refugiados de Jabalya, norte da Faixa de Gaza (14/7). Foto: APPalestina reage diante de destroços de sua casa, que a polícia diz ter sido destruída em ataque aéreo israelense em Rafah, sul da Faixa de Gaza (14/7). Foto: ReutersPalestinos fogem de suas casas para se abrigar em escola da ONU na Cidade de Gaza (13/7). Foto: APPalestinos levam corpo de Mohammed Sowelim, militante morto em ataque de Israel a Gaza (12/7). Foto: APIsrael tem à disposição arsenal mais sofisticado e soldados treinados (11/7). Foto: AFPPalestinos carregam seus pertences em uma casa depois de ela ser destruída por ataque de míssil de Israel na Faixa de Gaza (11/7)
. Foto: APIsraelenses em Tel Aviv procuram abrigo enquanto sirenes avisam sobre lançamento de foguete da Faixa de Gaza (11/7). Foto: APCarros destruídos são removidos de posto de gasolina na cidade de Ashdod, Israel, que foi atingido por foguete lançado da Faixa de Gaza. Foto: APParentes de família de oito palestinos mortos em ataque de Israel choram durante velório em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza. Foto: APFumaça sobe depois de ataques aéreos de Israel (10/7). Foto: APPalestinos fazem buscam em destroços de casa destruída onde oito membros da mesma família morreram em ataque de Israel (10/7). Foto: APParentes de oito membros de uma família palestina choram durante velório em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersFumaça sobe depois de ataque contra a Cidade de Gaza (10/7). Foto: APPalestinos se reúnem ao redor de destroços de carro que, segundo a polícia, foi alvo de ataque de Israel no norte da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersPessoas rezam perto de corpos de oito membros de uma mesma família palestina em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersMãe segura menina palestina de 4 anos que funcionários de hospital dizem que foi morta por ataque israelense em Jabaliya, norte da Faixa de Gaza (10/7). Foto: ReutersMísseis israelenses atingem túneis de 
contrabando entre o Egito e a Faixa de Gaza em Rafah, sul da Faixa de Gaza (9/7). Foto: APParentes de cinco membros de uma família do Hamas mortos por Israel choram em sua casa em Beit Hanoun, norte da Faixa de Gaza (9/7). Foto: APFumaça e destroços sobem depois de 
ataque aéreo de Israel na Faixa de Gaza (9/7). Foto: APFoguete disparado por militantes palestinos a partir da Faixa de Gaza é visto em direção a Israel. Foto: APFumaça e fogo sobem de ataque aéreo de Israel em Rafah (8/7). Foto: APPalestinos levam ferido a hospital na Cidade de Gaza (8/7). Foto: APPalestinos fazem buscas em destroços de veículo depois de ataque aéreo de Israel em Gaza (8/7). Foto: APFumaça sobe depois de ataque de míssil de Israel na Cidade de Gaza (8/7). Foto: APPalestinos fazem buscas em destroços de veículo depois de ataque aéreo de Israel em Gaza (8/7). Foto: APPalestinos tentam salvar o que podem de seus pertences de destroços de casa destruída por ataque de Israel em Gaza (8/7). Foto: APPalestinos fazem buscas em destroços de casa destruída por ataque aéreo de Israel em Gaza (8/7)
. Foto: APPalestinos olham casa destruída depois de ataque de míssil de Israel em Khan Younis, Faixa de Gaza (8/7). Foto: APIncursões em Gaza ocorreram em retaliação a ataques com foguetes contra Israel no domingo (7/7). Foto: AFPIluminador do Exército de Israel explode sobre a fronteira entre Israel e Gaza (7/7). Foto: AP

O enfraquecimento recente do Hamas é um dos fatores que vai dificultar a contenção da nova escalada de violência entre Israel e Palestina, analisa do correspondente da BBC em Jerusalém Kevin Connolly.

Após perder apoio - e consequentemente dinheiro - de países como Irã, Síria e Egito, o grupo militante está fragilizado, e a intensificação recente do conflito pode ser uma forma de exigir concessões.

Conflito ameaça região: Chefe da ONU pede cessar-fogo

Oferta: EUA se oferecem para mediar conflito em Gaza

O último cessar-fogo não deu em nada - não apenas por causa do que aconteceu nas últimas semanas, mas porque as mudanças mais amplas no cenário político do Oriente Médio criaram enormes pressões sobre o Hamas.

A ligação entre o sequestro dos três adolescentes israelenses e a escalada repentina de hostilidades com Gaza é bastante simples.

Domo de Ferro: Israel usa arsenal sofisticado contra foguetes palestinos obsoletos

Israel culpou o Hamas pelos sequestros e inundaram a Cisjordânia com soldados que encurralaram centenas de ativistas do Hamas. Os palestinos viram as prisões como uma punição coletiva ao invés de uma verdadeira busca por evidências.

A única ferramenta que o Hamas tinha à sua disposição para responder era o lançamento de foguetes a partir de Gaza - e essas prisões foram motivo suficiente para que o bombardeio se intensificasse.

Primavera Árabe

As mudanças mais amplas no Oriente Médio ajudam a explicar por que um Hamas enfraquecido pode ver um valor estratégico na escalada do conflito com Israel.

Assista: Vídeo mostra ataques aéreos de Israel contra a Faixa de Gaza

A organização foi muito afetada pelas reviravoltas da Primavera Árabe, que deixaram o grupo com poucos aliados e dinheiro.

No passado, o Hamas teve o apoio do Irã e da Síria. Mas o grupo é um ramo da organização sunita Irmandade Muçulmana e - quando ficou do lado de líderes rebeldes sunitas que se opõem ao presidente da Síria Bashar al-Assad e a seus aliados xiitas em Teerã - o Irã respondeu desligando as torneiras financeiras. O Irã costumava doar até US$ 20 milhões por mês - o suficiente para manter em funcionamento o governo em Gaza.

Isso não importava tanto enquanto Mohammed Morsi da Irmandade Muçulmana comandava o Egito. Ele é fortemente identificado com o Hamas e manteve abertos alguns túneis sob a fronteira de Gaza, por onde entram armas e itens básicos de consumo cuja comercialização gera receita para o Hamas por meio de impostos.

Mas o novo governo egípcio de Abdul Fattah al-Sisi considera a Irmandade Muçulmana e o Hamas como organizações terroristas e fechou muito mais túneis.

Desesperado, o Hamas chegou a uma espécie de reconciliação política com o seu rival Fatah, grupo por trás da Autoridade Palestina, que hoje administra a Cisjordânia sob a ocupação israelense.

Até agora, no entanto, essa ligação não trouxe ao Hamas benefícios concretos e subsistem diferenças enormes entre os grupos palestinos rivais.

Exigências para trégua?

O reinício do lançamento de foguetes não vai resolver esses problemas imediatamente. Mas os líderes militantes do Hamas podem estar calculando que a visão de civis palestinos que sofrem sob bombardeio aéreo terrível forçará a Autoridade Palestiniana a prestar maior solidariedade e os governos árabes a mostrarem mais apoio.

O Hamas pode avaliar que havia poucas vantagens em manter a paz uma vez que as hostilidades podem abrir espaço para a exigência de concessões exatamente para encerrar os conflitos.

Israel, por sua vez, está desesperado para interromper os ataques de foguetes e danificar o Hamas.

Para o mundo exterior, os foguetes de Gaza podem parecer ineficazes - muitos são caseiros e Israel consegue contê-los com seu sistema de defesa antimíssil.

Mas os civis israelenses estão preocupados com a intenção por trás dos foguetes, e não com sua eficácia militar. Eles estão totalmente familiarizados com o ritual de correr para o abrigo com os filhos quando ouvem o alerta de 15 segundos - e querem que seu governo coloque um fim nisso.

O problema é que não há maneira fácil. Os sistemas de armas modernos não são totalmente precisos como alguns acreditam e, inevitavelmente, ataques aéreos matam pessoas inocentes.

Israel pode argumentar que está tentando evitar vítimas civis, enquanto o Hamas está tentando causá-las. Mas imagens de televisão de civis mortos em Gaza - especialmente de crianças – influenciam as percepções sobre Israel ao redor do mundo.

Opções difíceis

Fontes israelenses dizem que grupos militantes em Gaza provavelmente têm dez mil foguetes e admitem que não sabem onde alguns - de mais de longo alcance - estão ocultos. Encontrá-los e destruí-los com ataques aéreos pode levar um tempo muito longo. As baixas civis cresceriam, assim como a crítica internacional.

E o envio de tropas terrestres não parece uma opção atraente também. Primeiro, é preciso decidir que escala de operação será lançada - uma série de incursões em depósitos de armas conhecidos? Ou uma grande reocupação de todo o território com todos os perigos e responsabilidade que isso traz?

Haveria mais mortes de civis, tornando-se uma tarefa difícil para a opinião internacional. E haveria baixas militares israelenses também - o que poderia levantar críticas em casa também.

O governo de Israel estabeleceu um tarefa difícil para si ao falar em pôr fim ao lançamento de foguetes de vez, e não apenas se contentar com uma trégua de algumas semanas ou meses.

Isso pode ser muito difícil de conseguir. Muitos dos foguetes em Gaza são armas caseiras. E se Israel fizer uma operação enorme e, em seguida, receber uma chuva de foguetes caseiros uma semana ou um mês depois? Então, Israel terá que empreender uma campanha sem uma estratégia clara de saída no local.

Possíveis mediadores

A imagem de Benjamin Netanyahu no resto do mundo pode ser a do direitista intransigente, mas seu instinto político é, provavelmente, o de balancear entre as visões conflitantes dentro do Israel.

É difícil ver o que seria uma vitória do seu ponto de vista. No momento, parece que não há muito sendo feito nos bastidores para manobrar um cessar-fogo.

Egito e Qatar são os mediadores mais prováveis. Egito tem contatos com ambos os lados e intermediar uma solução aumentaria a sua posição diplomática no Oriente Médio. Por outro lado, pode estar confortável em ver o potencial militar do Hamas se degradar por mais algum tempo.

Portanto, não é difícil de desvendar as grandes mudanças estratégicas e pequenos atos de ódio que conspiraram para provocar esta última rodada de hostilidades. Mas é muito difícil ver qual a combinação de circunstâncias poderá levá-las a um fim.

Leia tudo sobre: mundoofensiva contra gazaisraelpalestinahamas

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas