Em Bagdá, ministério do Petróleo condenou a ação e exigiu que eles se retirem imediatamente para evitar graves consequências

Reuters

Forças curdas conhecidas como peshmerga assumiram o controle de dois poços de petróleo perto de Kirkuk nesta sexta-feira (11) e expulsaram trabalhadores árabes, substituindo-os por pessoal curdo, segundo o ministério do Petróleo em Bagdá e fontes na Companhia de Petróleo do Norte.

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As forças curdas Peshmerga combatem militantes do EIIL em Tel Al Wared, a 20 quilômetros a oeste de Kirkuk, Iraque (junho/2014)
AP
As forças curdas Peshmerga combatem militantes do EIIL em Tel Al Wared, a 20 quilômetros a oeste de Kirkuk, Iraque (junho/2014)


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Eles disseram que os curdos se apropriaram de instalações nos campos petrolíferos de Bai Hassan e Kirkk, norte do país, na madrugada desta sexta. O ministério Nacional do Petróleo em Bagdá condenou a tomada dos poços de Kirkuk e Bai Hassan e pediu que os curdos se retirem imediatamente para evitar "consequências calamitosas".

A ocupação ocorreu um mês depois de as forças curdas tomarem o controle da cidade vizinha de Kirkuk, após a retirada das tropas iraquianas durante a rápida ofensiva de militantes do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), que se apoderou de amplas áreas no norte e oeste do Iraque.

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A violência também elevou a tensão política entre o primeiro-ministro Nuri al-Maliki e líderes curdos, que se retiraram do governo de Maliki, liderado pelos xiitas.

"O Ministério do Petróleo confirma que forças armadas peshmerga junto com alguns civis entraram em estações de produção de petróleo nos campos de Kirkuk e Bai Hassan na madrugada desta sexta-feira e expulsaram trabalhadores", disse um porta-voz do ministério.

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Bloco político

O bloco político curdo não participará mais do governo nacional do Iraque em protesto contra a acusação do primeiro-ministro Nuri al-Maliki de que o governo curdo estava abrigando insurgentes islâmicos em sua capital, disse o ministro de Relações Exteriores.

“Nós suspendemos nossos negócios no governo”, afirmou o ministro Hoshiyar Zebari, que é curdo.

Os curdos disseram na quinta-feira que cancelariam sua participação em reuniões de gabinete. Mas Zebari declarou à Reuters que os ministros curdos estavam agora suspendendo o seu envolvimento no dia a dia nos ministérios de Relações Exteriores, Comércio, Imigração e da Saúde, além do cargo de vice-premiê.

Zebari disse que os curdos continuarão a frequentar o Parlamento, eleito em 30 de abril e que está buscando formar um novo governo em meio a uma insurgência sunita que tomou o controle de parte do território no norte e oeste do Iraque.

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Na quarta Maliki declarou que os curdos estavam permitindo que insurgentes do EIIL, uma ramificação da Al Qaeda, mantivessem bases em Arbil. Zebari disse que o Iraque corre o risco de um colapso se um novo governo inclusivo não for formado em breve, já que “o país está agora dividido literalmente em três Estados: os curdos, o EIIL e Bagdá".

Ele instou os blocos políticos do Iraque a formarem um governo rapidamente. “Há a necessidade de todos os líderes trabalharem juntos e recriarem um novo Iraque, construírem um Iraque federal baseado nos princípios constitucionais".

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