'Mais uma vez, os palestinos se veem entre a irresponsabilidade do Hamas e a dura resposta de Israel', disse Ban Ki-moon

O secretário-geral da ONU disse a uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU nesta quinta-feira que é mais do que urgente evitar outra guerra entre israelenses e palestinos que poderia engolir toda a região, pedindo para ambos os lados chegarem a um cessar-fogo.

Hoje: Israel amplia ofensiva aérea contra o Hamas e número de mortos aumenta em Gaza

Fumaça sobe depois de ataques aéreos de Israel (10/7)
AP
Fumaça sobe depois de ataques aéreos de Israel (10/7)

Quarta: Israel intensifica ataques contra alvos do Hamas na Faixa de Gaza

O embaixador de Israel perante a ONU, Ron Prosor, disse ao conselho que o grupo militante Hamas, que controla a Faixa de Gaza, está "intencional e indiscriminadamente" ameaçando 3,5 milhões de israelenses e que "nenhuma nação, nenhuma população e nenhum governo poderia tolerar isso".

O enviado palestino à ONU, Riyad Mansour, apelou para o conselho "parar o sangramento" e reviver as "esperanças moribundas" para acabar com o conflito e chegar à paz com liberdade. "Falo em nome da sofrida população feminina, que enfrenta uma vez mais uma onda de morte, destruição, trauma e terror", disse.

Terça: Israel aumenta ataques contra Gaza e diz estar pronto para escalada do conflito

Segundo diplomatas, a Jordânia circulou uma declaração à imprensa, que não é vinculante, para a consideração do Conselho de Segurança que pediria o cessar-fogo.

O Exército de Israel lançou na terça-feira a Operação Margem de Proteção contra Gaza, em uma ofensiva que deixou dezenas de mortos e desencadeou os combates mais pesados entre os dois lados desde uma batalha de oito dias em novembro de 2012 . Israel diz que seu objetivo é destruir as capacidades militares do Hamas e impedir o lançamento de foguetes, que conseguiram um maior alcance sobre o território israelense.

As tensões vinham aumentando desde o sequestro de três adolescentes israelenses na Cisjordânia em 12 de junho. Israel acusou o Hamas de estar por trás do sequestro, embora não tenha apresentado nenhuma prova. Depois, passou a reprimir os membros do grupo na Cisjordânia e prendeu centenas. O Hamas respondeu aumentando os lançamentos de foguetes.

Assista: Vídeo mostra ataques aéreos de Israel contra a Faixa de Gaza

A situação deteriorou na semana passada, depois de os corpos dos três terem sido encontrados , descoberta seguida no dia posterior pelo sequestro de um adolescente palestino em Jerusalém — que mais tarde foi encontrado morto queimado , no que os palestinos acreditam ter sido uma vingança. Seis judeus israelenses foram presos.

"É inaceitável para os cidadãos de ambos os lados viver permanentemente com medo do próximo ataque aéreo", disse. O chefe da ONU também afirmou que a ameaça de uma ofensiva terrestre israelense só é evitável se o Hamas parar de disparar os foguetes e morteiros contra Israel.

"Agora não é o momento de mais incitamento e vingança", disse. "Qualquer espiral adicional de violência poderia ter consequências alarmantes imprevistas", afirmou. "Mais uma vez, os cidadãos palestinos são pegos entre a irresponsabilidade do Hamas e a dura resposta de Israel."

Apesar dos apelos, nenhum dos lados mostra qualquer sinal de que suspenderá seu confronto mais pesado desde 2012. Israel diz que o Hamas deve parar o lançamento de foguetes de Gaza contra Israel para que um trégua seja considerada. Os militantes lançaram centenas de foguetes, atingindo toda a extensão de Israel e atrapalhando a vida em todo o país. Ninguém ficou seriamente ferido já que o sistema de defesa Domo de Ferro interceptou ao menos 70 projéteis destinados para os grandes centros populacionais.

Em Israel, o porta-voz militar Peter Lerner disse que Israel atingiu cerca de 500 alvos do Hamas durante todo o dia, enfatizando as redes subterrâneas de túneis e locais de lançamento de foguetes. Isso levou o número total de alvos atingidos para 860 em três dias de ofensiva.

Fumaça sobe depois de ataque contra a Cidade de Gaza (10/7)
AP
Fumaça sobe depois de ataque contra a Cidade de Gaza (10/7)

Lerner afirmou que Israel já mobilizou 20 mil reservistas para uma possível operação terrestre em Gaza, mas, por enquanto, se detém em maximizar sua campanha aérea. Uma invasão terrestre poderia levar a um número maior de baixas entre os civis palestinos e colocaria as forças terrestres israelenses em perigo.

"A opção terrestre precisa ser a última opção e apenas se for absolutamente necessária. É um cuidadoso plano de ação", disse Lerner.

O ministro da Defesa israelense, Moshe Yaalon, afirmou que o andamento da operação acontece como planejado, com Israel atingindo vários interesses do Hamas. "Os sucessos militares até agora foram muito significativos", disse. "Continuaremos até que eles entendam que a escalada não lhes é benéfica e que não toleraremos que foguetes sejam lançados contra nossas cidades e cidadãos."

*Com AP

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