Mais de 60 sequestradas escapam do Boko Haram na Nigéria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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De acordo com líder do governo local de Chibok, Pogu Bitrus, elas fugiram semana passada; governo federal ainda nega rapto

Mais de 60 nigerianas raptadas por extremistas islâmicos há duas semanas conseguiram escapar nesta segunda-feira (7), de acordo com governante local.

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Reuters
Ativistas vestindo vermelho em campanha para 'trazer nossas garotas de volta' perto de Lagos Marina, Nigéria (5/07)


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Forças de segurança nigerianas e funcionários do governo federal, porém, continuam negando os relatos sobre os sequestros em massa em três aldeias do estado de Borno no dia 22 de junho.

O líder do governo local de Chibok, Pogu Bitrus, disse nesta segunda que cerca de 60 mulheres e meninas escaparam entre quinta e sexta-feira dos extremistas. Ele soube da notícia por meio de um representante que se reuniu com algumas das fugitivas e suas famílias em hospital de Lassa, cidade do governo vizinho de Damboa.

Líder dos vigilantes de Maiduguri, capital do Estado de Borno, Abbas Gava disse no domingo que vigias da área relataram a fuga de 63 mulheres e meninas na sexta enquanto seus captores estavam envolvidos em um grande ataque contra quartel militar e quartel-general da polícia na cidade de Damboa.

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Sequestros em pequena escala pelos extremistas do Boko Haram vinham acontecendo há meses, mas atraíram revolta internacional após o rapto de mais de 200 estudantes de uma escola na cidade de Chibok, no estado de Borno, no dia 15 de abril. Cerca de 219 dessas meninas ainda estão desaparecidas.

O fracasso em resgatá-las tem atraído críticas nacionais e do exterior. A milícia exige a libertação de combatentes presos em troca das meninas. O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, supostamente se recusou a considerar uma troca de prisioneiros.

Martha Mark, mãe de Monica Mark, uma das sequestradas em escola nigeriana, chora ao mostrar foto da jovem na casa da família em Chibok, Nigéria (19/05). Foto: APApós possível divisão do grupo de reféns analistas dizem que resgates pode levar anos (8/05). Foto: AFPEstudantes protestam do lado de fora do consulado nigeriano em Nova York, EUA, pelas meninas sequestradas pelo Boko Haram na Nigéria (28/05). Foto: ReutersAluna de uma escola sul-africana, com tradicionais manchas de tinta no rosto, participa de protesto silencioso pelas jovens raptadas na Nigéria (14/05). Foto: APMulher grita durante manifestação incitando o Governo a agilizar o resgate das meninas sequestradas, em Abuja, Nigéria (11/05). Foto: APAtivistas participam da campanha 'Tragam nossas meninas de volta durante vigília realizada no Dia das Mães em Los Angeles, EUA (11/05). Foto: ReutersQuatro estudantes que conseguiram escapar do sequestro feito pelo grupo Boko Haram em escola de Chibok, Nigeria (2/05). Foto: APAbubakar Shekau, suposto líder do grupo extremista Boko Haram, fala sobre o sequestro de estudantes no nordeste na Nigéria (5/05). Foto: APUma mãe não identificada chora durante manifestação com outros pais cujas filhas foram sequestradas em escola de Chibok, Nigéria (29/04). Foto: APManifestante segura cartaz contra os raptos de garotas feito pelo grupo islâmico Boko Haram (5/05). Foto: APManifestantes protestam contra a demora do governo da Nigéria em encontrar as mais de 200 estudantes raptadas de escola em Chibok. Foto: APMulher participa de um protesto exigindo a libertação de meninas da escola secundária que foram raptadas da aldeia de Chibok, Nigéria. Foto: ReutersMulher segura cartaz durante manifestação sobre o sequestro das meninas de uma escola em Chibok, Nigéria (5/05). Foto: Reuters

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Em meio ao impasse, Bitrus disse que os ataques aumentaram em torno Chibok e que o Boko Haram assumiu o controle de algumas aldeias da região e está ameaçando tomar outras. A Associação para o Desenvolvimento da área de Kibaku, uma associação de moradores locais do qual o governante também é presidente, informou que 19 aldeias foram atacadas desde os sequestros de 15 de abril,  mais de 229 morreram e cerca de 100 foram feridos gravemente.

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Em 90% dos casos, houve alertas sobre os ataques – como aconteceu com os sequestros em Chibok - no entanto, militares não tomaram nenhuma medida para evitar a ação, informou a associação por meio de comunicado na sexta.

"Segurança e defesa são feitas principalmente por vigilantes locais (que estão mal equipados) e pela polícia, enquanto os soldados de Chibok sentam e assistem aos moradores impotentes sendo massacrados em suas casas, fazendas e locais de culto", de acordo com o comunicado da associação.

A associação pediu a ajuda da Organização das Nações Unidas.

"A incapacidade ou falta de vontade do governo federal em garantir a segurança adequada para Chibok após o rapto das meninas nos deixa sem opção a não ser recorrer a Organização das Nações Unidas para vir em nosso auxílio e nos proteger da aniquilação iminente", disse o comunicado.

A Associated Press citou originalmente o relato de testemunhas e uma autoridade local dizendo que ao menos 90 haviam sido sequestrados, incluindo cerca de 30 meninos, em três aldeias no dia 22 de junho.

Mais tarde, um policial disse à Associated Press que havia conduzido uma investigação por insistência do governador do estado de Borno e informou que 71 mulheres e meninas haviam sido raptadas, mas não homens. O oficial, que falou sob condição de anonimato porque não está autorizado a dar informações aos repórteres, disse que o relatório nunca foi publicado por causa da negação oficial de que qualquer sequestro havia ocorrido.

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Alguns funcionários também havia questionado o rapto em massa das meninas Chibok, o que foi confirmado no mês passado por uma comissão de investigação presidencial. Mais de 2 mil pessoas foram mortas este ano até agora, no levante de cinco anos, em comparação com estimativa de 3.600 nos quatro anos anteriores.

*Com AP

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