Suposto líder do EIIL exige lealdade em vídeo gravado no Iraque

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Funcionário da inteligência iraquiana diz que homem se parece com Abu Bakr al-Baghdadi; não há confirmação independente

Vídeo publicado neste sábado (5) mostra o suposto líder do grupo extremista Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL), que tem invadido grande parte da Síria e do Iraque, discursando em mesquita iraquiana no que seria uma rara - se não primeira - aparição pública do sombrio militante.

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Reprodução/Youtube
Vídeo mostra o suposto líder do EIIL, Abu Bakr al-Baghdadi, em mesquita de Mosul, Iraque


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As imagens foram divulgadas em ao menos dois sites conhecidos por divulgar conteúdo da milícia, mas não foi possível verificar de forma independente se a pessoa indicada era de fato o líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi. Ele trazia o logotipo da al-Furqan, um braço de mídia dos terroristas.

Por meio da força bruta e astúcia, o EIIL tomou o controle de uma vasta faixa de terra abrangendo a Síria e o Iraque e declarou o estabelecimento de um Estado islâmico ou califado nesses territórios. A milícia proclamou al-Baghdadi líder do Estado e exigiu que todos os muçulmanos jurem lealdade a ele.

"Os mujahedin foram recompensados ​por Deus com a ​vitória depois de anos de jihad. Eles foram capazes de atingir seu objetivo e se apressaram em anunciar o califado e escolher o Imam", diz ele no vídeo, referindo-se ao líder.

"É um fardo aceitar essa responsabilidade de estar no comando", ele acrescenta. "Eu não sou melhor do que você ou mais virtuoso do que você. Se você me ver no caminho certo, me ajude. Se você me ver no caminho errado, me aconselhe e detenha-me. E eu obedecerei tanto quanto obedeço a Deus."

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Vestido de preto, o suposto líder tem olhos escuros, sobrancelhas grossas e uma barba cheia. Ele fala um eloquente árabe clássico, mas com pouca emoção. Na mesquita, dezenas de homens e meninos estão de pé para a oração e uma bandeira preta da milícia foi içada na mesquita. Um homem fica de guarda, com um coldre com arma debaixo do braço.

No início do vídeo, o homem que diz ser al-Baghdadi sobe lentamente ao púlpito na mesquita da segunda maior cidade do Iraque, Mosul, que os extremistas capturaram no mês passado. Em seguida, a chamada para a oração é feita enquanto ele limpa os dentes com um miswak, um tipo especial de vara que devotos muçulmanos usam para a higiene bucal e refrescar seu hálito.

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. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

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Após análise inicial, um alto funcionário da inteligência iraquiana diz que o homem do vídeo parece mesmo ser al-Baghdadi. O funcionário explicou que a chegada de um grande comboio em Mosul em torno do meio-dia de sexta coincidiu com o bloqueio das redes celulares na área. Ele diz que o sinal voltou depois de o comboio partir. O funcionário falou sob condição de anonimato porque não estava autorizado a informar meios de comunicação.

Um morador de Mosul confirmou que as redes móveis caíram em torno do tempo de orações de sexta e voltou horas mais tarde. Ele falou em condição de anonimato por temer sua segurança.

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Outro aspecto do cumprimento das regras de al-Baghdadi ficou claro em uma série de imagens que surgiu na tarde de sábado, mostrando a destruição de pelo menos dez antigos santuários e mesquitas xiitas em território sob o controle dos terroristas.

As 21 fotografias postadas em um site que frequentemente divulga declarações oficiais do grupo extremista mostrou a destruição de Mosul e da cidade de Tal Afar. Algumas das fotos mostram explosivos de demolição em edifícios e uma nuvem de fumaça e escombros. Moradores de Mosul e Tal Afar confirmaram a destruição dos locais. Extremistas sunitas consideram muçulmanos xiitas hereges e a veneração dos santos, apostasia.

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O grupo apreendeu Mosul, segunda maior cidade do Iraque, em junho, no ato de abertura de sua ofensiva relâmpago que provocou a dispersão do Exército iraquiano. Milicianos xiitas e voluntários tentam preencher essa lacuna enquanto o exército regular se esforça para se reagrupar.

Neste sábado, o primeiro-ministro iraquiano Nour al-Maliki retirou o chefe das forças terrestres do Exército e o chefe da polícia federal de seus cargos. Segundo porta-voz militar, o tenente-general Qassim al-Moussawi, o primeiro-ministro Nouri al-Maliki assinou os papéis para aposentar o tenente-general Ali Ghaidan, comandante das forças terrestres do exército, e o tenente-general Mohsen al-Kaabi, chefe da polícia Federal.

*Com AP

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