Forças militares expulsam insurgentes de cidade no leste da Ucrânia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Exército tomou Slovyansk, reduto dos separatistas desde abril; Poroshenko diz estar pronto para outra rodada de negociações

Forças ucranianas afirmam terem obtido sucesso significativo contra insurgentes pró-Rússia neste sábado (5), após persegui-los em um de seus redutos mais expressivos: Slovyansk, no leste do país. Os rebeldes que fugiram da cidade prometeram se reagrupar e manter sua luta.

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AP
Forças do governo ucraniano manobram lançadores de mísseis antiaéreos enquanto os transportam no noroeste de Slovyansk, Ucrânia (4/07)


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Em um comunicado, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, afirmou que as tropas do governo tomaram Slovyansk, uma cidade de cerca de 100 mil habitantes que tem sido centro dos combates entre as tropas de Kiev e os rebeldes pró-russos, após noite de luta.

Poroshenko ordenou que as forças armadas ergam a bandeira da Ucrânia na cidade, que está sob controle dos rebeldes desde o início de abril, quando edifícios administrativos e policiais foram ocupados. Apesar da vitória, Andriy Lysenko, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, disse que operações de limpeza serão mantidas.

"Slovyansk está cercada. Agora estamos realizando uma operação para neutralizar pequenos grupos escondidos em edifícios onde cidadãos pacíficos vivem", explicou aos jornalistas.

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Andrei Purgin, que integra o grupo separatista República Popular de Donetsk disse à Associated Press que os rebeldes estavam deixando a cidade, mas alegou que campanha do exército havia deixado Slovyansk "em ruínas". Purgin alegou que 150 combatentes feridos em Slovyansk estavam em Donetsk para tratamento médico.

"Mais de uma centena de milicianos foram mortos nos últimos três dias", disse Viktor, um nativo de Slovyansk de 35 anos com a perna ferida por estilhaços. "O clima é muito ruim. Parece que perdemos a guerra. E a Rússia não está com pressa em ajudar."

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. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

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Alexei, um motorista que mora em Slovyansk e não quis revelar seu sobrenome por medo de represálias, disse à AP por telefone que ouviu bombardeios durante a noite. Quando o barulho cessou já no início da manhã, ele saiu de sua casa e viu que todos os postos de controle dos rebeldes haviam sido abandonados. Ele contou que houve danos a edifícios no centro da cidade.

Um comandante rebelde conhecido apenas por seu nome de guerra, Pinochet, disse à AP que os rebeldes haviam se mudado para a cidade vizinha de Kramatorsk, a 20 quilômetros ao sul de Slovyansk. Mas fora de Kramatorsk, um repórter da AP viu um posto de controle abandonado e várias centenas de rebeldes, armados e de uniforme, dirigindo em microonibus na direção de Donetsk.

A captura de Slovyansk significa uma grande vitória para o exército ucraniano, que muitas vezes foi criticado por sua longa campanha contra os rebeldes. Na quinta, Poroshenko abalou sua equipe de Defesa nomeando o terceiro ministro da pasta desde a queda do ex-presidente Viktor Yanukovych, em fevereiro.

Alguns rebeldes minimizaram a importância dos avanços na Ucrânia. Pavel Gubarev, o governador da auto-descrita República Popular Donetsk, escreveu na internet que os rebeldes haviam encenado um recuo tático.

"Kutuzov também recuou, como parte do plano", escreveu ele, referindo-se ao general do século 19 Mikhail Kutuzov, creditado por derrotar as forças de Napoleão na Rússia. "Em geral, os russos só se retiram antes de uma batalha decisiva e vitoriosa."

Outros rebeldes pediram publicamente para que a Rússia os ajudasse em sua causa. Em um vídeo publicado na internet na noite de sexta, Igor Girkin, o auto-intitulado "comandante-chefe da República do Povo de Donetsk", disse que seus homens haviam "perdido a vontade de lutar."

"Eles querem viver na Rússia", disse Girkin, também conhecido pelo seu nome de guerra, Igor Strelkov. "Mas quando eles tentaram fazer valer esse direito, a Rússia não quer ajudar."

O Ministério do Exterior russo disse que estava reunindo esforços para oferecer ajuda médica àqueles no leste da Ucrânia, mas não fez menção sobre a derrota dos rebeldes em Slovyansk ou sobre qualquer plano para fornecer ajuda militar a eles. Líderes rebeldes têm implorado por ajuda militar ao Kremlin. Alguns proeminentes nacionalistas russos têm insultado publicamente Putin, acusando-o de covardia.

Poroshenko disse na sexta que estava pronto para realizar mais uma rodada de negociações entre representantes da Ucrânia, Rússia e os rebeldes. Mas após o ataque aos rebeldes deste sábado, não ficou claro se as negociações ainda vão acontecer.

"Essa possibilidade ainda existe", disse Purgin. "As negociações poderiam acontecer em Minsk, porque a situação em Donetsk está complicada."

*Com AP

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