Ex-premiê iraquiano alerta para risco de desmembramento do país

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Iyad Allawi pediu ao candidato à reeleição Nuri al-Maliki que ele não concorra: "Acho que está na hora do Sr Maliki sair de cena

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 O ex-primeiro-ministro iraquiano Iyad Allawi pediu neste sábado (5) ao candidato à reeleição Nuri al-Maliki que ele desista de concorrer a um terceiro mandato sob o risco de desmembramento do Iraque.

Maliki rejeitou na sexta-feira (4) um coro de pedidos similares, desde que militantes de um grupo que agora se autodenomina Estado Islâmico invadiram terras do Iraque e declararam um califado no estilo medieval, nas terras que eles agora controlam no Iraque e na vizinha Síria.

"Acho que está na hora do Sr Maliki sair de cena", disse Allawi à Reuters, em uma entrevista em Istambul.

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"Se ele continuar no poder, acho que haverá problemas significativos no país e muitos aborrecimentos. Acredito que o Iraque, no final das contas, caminhará em direção ao desmembramento, se isso acontecer."

"Decididamente, haverá mais violência, a situação de segurança vai se deteriorar", acrescentou Allawi, um xiita secular que, junto com seus aliados, ficou com 21 assentos na eleição nacional de abril. Durante sua carreira política, Allawi angariou o apoio de grande parte dos sunitas descontentes que se sentiram excluídos do poder durante o governo de Maliki.

A declaração de Maliki na sexta-feira vai complicar os esforços para formar um novo governo para unir o país dividido étnica e religiosamente, uma coisa que o Parlamento não conseguiu fazer essa semana. Isso estende o impasse político que se tornou ainda mais perigoso devido à ameaça premente à integridade territorial do Iraque.

Veja fotos da atuação da milícia no Iraque

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. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

Allawi disse que o Iraque precisa de um caminho que priorize a reconciliação e a construção de instituições, e que isso é mais importante do que a questão de quem será o próximo primeiro-ministro.

"Não é uma questão de mudança de rostos. É questão de se chegar a um acordo sobre o caminho para tirar o Iraque de onde ele está hoje para um futuro melhor. Acho que essa rota precisa incluir duas áreas importantes."

"Uma delas é a questão da reconciliação. A segunda é começar a estabelecer o terreno para construir as instituições do país", acrescentou.

Esperança

Líderes de diversas facções políticas são necessários para criar um governo de unidade nacional comprometido com este caminho, ele disse.

Allawi, que se reuniu com autoridades turcas durante a sua visita, também pediu uma reunião com os vizinhos do Iraque com o objetivo de preservar a sua unidade e evitar que o conflito se espalhe para outros lugares.

Ele também criticou a resposta do governo à insurgência, dizendo que mais ênfase deve ser colocada no trabalho de inteligência e no engajamento político com outras comunidades do Iraque, e que a atividade militar deve se focar em "ataques cirúrgicos" das forças especiais.

"A opção de usar o exército e aeronaves para atingir as províncias não consegue distinguir entre grupos civis e militares ou grupos terroristas; isso pode ser muito perigoso e se voltar contra a situação política."

Allawi disse acreditar que ainda "há esperanças" para que o Iraque sobreviva como um país unificado.

"Ainda não é tarde demais", disse. "Acredito que devemos reverter a situação, caso contrário, o país vai acabar sendo desmembrado, de um jeito ou de outro."

Há anos Allawi tem sido um crítico de Maliki, a quem acusou de agir como Saddam Hussein na tentativa de silenciar a oposição.

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