Mohammed Abu Khdeir, 16, teve 90% do corpo carbonizado, de acordo com procurador-geral palestino; investigação continua

Resultado da autópsia realizada no corpo do adolescente árabe que pode ter sido morto por extremistas israelenses em um ataque de vingança mostra que ele foi queimado até a morte, informou procurador-geral palestino neste sábado (5).

Ontem: Enterro de jovem palestino é marcado por confrontos em Jerusalém

Palestinos carregam o corpo de Mohammed Abu Khdeir, 16, em Jerusalém (4/07)
AP
Palestinos carregam o corpo de Mohammed Abu Khdeir, 16, em Jerusalém (4/07)


Quinta: Israel reforça presença de tropas perto de Gaza em meio ao aumento de tensão

O corpo carbonizado de Mohammed Abu Khdeir, 16, foi encontrado em uma floresta depois dele ter sido sequestrado perto de sua casa em Jerusalém Oriental. Palestinos acusam extremistas israelenses de matar o jovem para vingar a morte de três adolescentes israelenses que haviam sido sequestrados e acabaram sendo mortos na Cisjordânia.

Abdelghani al-Owaiwi disse neste sábado que Abu Khdeir sofreu queimaduras em "90% de seu corpo". A polícia israelense disse que uma investigação ainda está em curso e que ainda não sabe quem matou o menino, nem por que.

Funeral

A polícia israelense entrou em confronto com manifestantes palestinos em Jerusalém na sexta (4), quando milhares seguiram para um cemitério a fim de acompanhar o enterro de um adolescente árabe que os palestinos dizem ter sido morto por extremistas israelenses em um suposto ataque de vingança.

Militantes palestinos dispararam pelo menos seis foguetes e morteiros em direção a Israel, mas o ataque foi considerado brando, se comparado aos das últimas semanas. Nenhum ataque israelense de represália foi registrado nesta sexta, um dia depois de os militares israelenses enviarem soldados para a fronteira sul com a Faixa de Gaza por causa da intensificação de barragens.

Quarta: Palestinos entram em choque com forças de Israel após descoberta de corpo

Uma ambulância levou o corpo de Mohammed Abu Khdeir, 16, envolto em uma bandeira palestina e lenço tradicional a uma mesquita no bairro onde ele morava. Em seguida, o caixão aberto foi levado no meio da multidão para um cemitério.

Durante a procissão, palestinos mascarados atiraram pedras em policiais israelenses de plantão nas proximidades, que responderam com granadas de efeito moral, de acordo com o porta-voz Micky Rosenfeld. Ele disse que mais de 2 mil compareceram ao funeral. A polícia reforçou a segurança dentro e ao redor de Jerusalém enquanto o funeral coincidiu com a primeira sexta de orações do jejum muçulmano Ramadã, que dura um mês.

Rosenfeld disse que a polícia entrou em confronto com centenas de palestinos em Ras al-Amud e Wadi Joz, área oriental da cidade que tem sido abalada por protestos violentos desde que o corpo de Abu Khdeir foi encontrado queimado na quarta em floresta depois que o adolescente foi capturado perto de sua casa em Shuafat , Jerusalém Oriental.

Terça: Dezenas de milhares em Israel participam de funeral de jovens sequestrados

As tensões têm aumentado desde o sequestro de três adolescentes israelenses na Cisjordânia no dia 12 de junho, o que provocou uma caçada humana em massa que terminou com a descoberta de seus corpos no início desta semana.

Israel culpou o Hamas pelos sequestros e lançou uma ofensiva contra o grupo militante islâmico na Cisjordânia, atraindo ataques de foguetes de Gaza e ataques aéreos israelenses em um ciclo de retaliação quase diário. O Hamas, que raptou israelenses no passado, elogiou o sequestro dos jovens, mas não assumiu a responsabilidade pelo ato.

Palestinos acusam extremistas israelenses de matar Abu Khdeir, dizendo que era um ataque de vingança pela morte de três adolescentes israelenses. A polícia israelense disse que uma investigação está em andamento e o motivo pelo crime ainda não foi determinado.

O tenente-coronel Peter Lerner, porta-voz dos militares israelenses, anunciou na quinta que reforços foram enviados para a fronteira com Gaza em uma tentativa de deter a crescente onda de ataques com foguetes. Mas ele insistiu que o movimento era "defensivo".

A morte do menino palestino foi amplamente condenada por líderes israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que prometeu encontrar os agressores.

Grupo nega envolvimento: Israel diz que Hamas 'pagará preço' por morte de jovens

"Nós ainda não sabemos os motivos ou a identidade dos autores, mas vamos descobrir. Vamos trazer justiça aos criminosos responsáveis ​​por esse ato desprezível, seja eles quem for", disse Netanyahu na quinta. "Assassinatos, motins, incitação não têm lugar na nossa democracia."

Nesta sexta, militantes palestinos dispararam pelo menos seis foguetes e morteiros contra Israel, dois dos quais explodiu prematuramente dentro de Gaza, disse o militar. Mas isso foi muito menos do que as dezenas relatadas nos dias anteriores. O militar disse ainda que militantes palestinos dispararam cerca de 140 foguetes contra o sul de Israel nas últimas semanas. A força aérea respondeu com ataques aéreos em cerca de 70 alvos em Gaza, segundo o militar.

Segunda: Israel encontra corpos que seriam de jovens sequestrados

A família de Abu Khdeir ergueu uma grande tenda do lado de fora da casa para aqueles que pretendem prestar condolências pela morte. Eles gritavam palavras como “com nossa alma, com nosso sangue, nós sacrificaríamos qualquer coisa por você (Palestina)" e "Allahu akbar!" ou "Deus é grande."

Acenando uma bandeira palestina e com um lenço tradicional cobrindo o rosto durante o funeral, Shuafat Rami, 20, disse que veio cantar e chorar por seu amigo de bairro. "Francamente, minhas emoções não podem ser descritas. Estou feliz e triste. Estou feliz porque ele morreu como um mártir, mas triste porque eles sequestraram, mataram e depois o queimaram."

*Com AP

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