Polícia acusa americano de deixar filho por 7 horas em carro quente para matá-lo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Promotores descrevem acusado como homem infeliz que trocava fotos de nudez; defesa diz que provas são insuficientes

Promotores disseram que um homem infeliz com seu casamento trocou fotos de nudez com várias mulheres enquanto seu filho morria em um carro quente, em um caso criminal que rapidamente atraiu a atenção em todos os EUA.

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AP
Lágrima escorre no rosto de Justin Ross Harris, pai de menino que morreu depois de ficar, segundo a polícia, por sete horas em um carro quente em Atlanta

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Justin Ross Harris, 33, enfrenta as acusações de assassinato e de crueldade contra uma criança na morte de seu filho Cooper, de 1 ano e 10 meses, que, diz a polícia, foi deixado em um veículo por sete horas quando as temperaturas em Atlanta alcançaram ao menos 27ºC. Segundo o escritório do médico legista, o menino morreu de hipertermia — essencialmente superaquecimento —, caracterizando o caso de homicídio.

Durante uma audiência de três horas na quinta-feira, o promotor Chuck Boring questionou longamente um detetive, destacando evidências que, diz, provam que Harris intencionalmente deixou seu filho em um veículo quente em 18 de junho. Mas o advogado da defesa Maddox Kilgore argumentou que as evidências são insuficientes, afirmando que a morte do menino foi um acidente trágico. Amigos e a família descreveram Harris como um ótimo pai que conversava com seu filho frequentemente.

A polícia prendeu Harris imediatamente após o fim da audiência e o acusou de assassinato pela morte do filho. Como o juiz recusou-se a conceder-lhe uma fiança, Harris ficará preso enquanto a polícia continua sua investigação para apresentar suas descobertas à Justiça.

Harris disse à polícia que, no dia da morte do menino, os dois assistiram a desenhos animados e tomaram o café da manhã no Chick-fil-A. Câmeras de segurança do restaurante mostraram um criança que "parecia bem disposta e feliz", disse uma fonte da investigação. Harris afirmou à polícia que esqueceu de deixar a criança na creche, dirigindo, em vez disso, diretamente para o trabalho.

Reprodução
Justin Ross Harris, 33, diz que esqueceu de levar seu filho Cooper (imagem), de 1 ano e 10 meses, para creche, dirigindo diretamente para o trabalho

De acordo com o advogado Kilgore, Harris enviou uma mensagem à tarde à sua mulher perguntando: "Quando você pegará meu amiguinho?"

Harris se descreveu para a polícia como um pai amoroso que sempre beijava seu filho quando colocava-o na cadeirinha do carro "porque queria que Cooper soubesse que o pai o amava", testemunhou o detetive Phil Stoddard.

Ele relatou que percebeu que o menino ainda estava no carro quando dirigia em direção a um cinema depois do trabalho. Uma testemunha da defesa afirmou que Harris parecia extremamente perturbado depois de parar no estacionamento, tentando fazer massagem cardíaca no menino. "Ele dizia: 'Ó, meu Deus, meu filho está morto, ó meu Deus", afirmou Leonard Madden.

Mas Stoddard, o detetive, disse que os relatos da testemunha não eram consistentes. Harris não fez nenhuma ligação para pedir ajuda, mas estava ao telefone quando os policiais chegaram, relatou. Por duas vezes Harris se recusou a desligar o telefone, como pedia um dos policiais, e foi preso ao fazer um comentário blasfemo. Também de acordo com Stoddard, Harris não demonstrou nenhuma emoção enquanto era interrogado pelos investigadores.

Provas descobertas pelos investigadores revelaram que Harris estava infeliz em seu casamento e praticamente levava uma vida dupla. Ele trocou fotos de nudez com várias mulheres, incluindo ao menos uma menor, mesmo no dia da morte de seu filho enquanto ele estava no trabalho, contou Stoddard.

Nas semanas anteriores à morte do menino, Harris também olhou um site que defende não ter filhos e fez uma pesquisa na internet para "como sobreviver na prisão", disse o detetive.

*Com AP

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