Enterro de jovem palestino assassinado é marcado por confrontos em Jerusalém

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Milhares se reuniram para o funeral de Mohammed Abu Khdeir, de 16 anos; palestinos mascarados atiraram pedras em policiais

A polícia israelense entrou em confronto com manifestantes palestinos em Jerusalém nesta sexta-feira (4), quando milhares seguiram para um cemitério a fim de acompanhar o enterro de um adolescente árabe que os palestinos dizem ter sido morto por extremistas israelenses em um suposto ataque de vingança.

Ontem: Israel reforça presença de tropas perto de Gaza em meio ao aumento de tensão

Reuters
Palestinos carregam o corpo de Mohammed Abu Khudair, 16 anos, durante funeral em Shuafat, subúrbio árabe de Jerusalém


Quarta: Palestinos entram em choque com forças de Israel após descoberta de corpo

Militantes palestinos dispararam pelo menos seis foguetes e morteiros em direção a Israel, mas o ataque foi considerado brando, se comparado aos das últimas semanas. Nenhum ataque israelense de represália foi registrado nesta sexta, um dia depois de os militares israelenses enviarem soldados para a fronteira sul com a Faixa de Gaza por causa da intensificação de barragens.

Uma ambulância levou o corpo de Mohammed Abu Khdeir, 16, envolto em uma bandeira palestina e lenço tradicional a uma mesquita no bairro onde ele morava. Em seguida, o caixão aberto foi levado no meio da multidão para um cemitério.

Durante a procissão, palestinos mascarados atiraram pedras em policiais israelenses de plantão nas proximidades, que responderam com granadas de efeito moral, de acordo com o porta-voz Micky Rosenfeld. Ele disse que mais de 2 mil compareceram ao funeral. A polícia reforçou a segurança dentro e ao redor de Jerusalém enquanto o funeral coincidiu com a primeira sexta de orações do jejum muçulmano Ramadã, que dura um mês.

Terça: Dezenas de milhares em Israel participam de funeral de jovens sequestrados

Rosenfeld disse que a polícia entrou em confronto com centenas de palestinos em Ras al-Amud e Wadi Joz, área oriental da cidade que tem sido abalada por protestos violentos desde que o corpo de Abu Khdeir foi encontrado queimado na quarta em floresta depois que o adolescente foi capturado perto de sua casa em Shuafat , Jerusalém Oriental.

Grupo nega envolvimento: Israel diz que Hamas 'pagará preço' por morte de jovens

As tensões têm aumentado desde o sequestro de três adolescentes israelenses na Cisjordânia no dia 12 de junho, o que provocou uma caçada humana em massa que terminou com a descoberta de seus corpos no início desta semana. Israel culpou o Hamas pelos sequestros e lançou uma ofensiva contra o grupo militante islâmico na Cisjordânia, atraindo ataques de foguetes de Gaza e ataques aéreos israelenses em um ciclo de retaliação quase diário. O Hamas, que raptou israelenses no passado, elogiou o sequestro dos jovens, mas não assumiu a responsabilidade pelo ato.

Iluminador do Exército de Israel explode sobre a fronteira entre Israel e Gaza (7/7). Foto: APAções contra Gaza ocorreram em retaliação a ataques com foguetes contra Israel no domingo (7/7). Foto: AFPTariq Abu Khdeir, cidadão dos EUA que parentes dizem ter sido espancado e preso por policiais israelenses durante confrontos desatados pela morte de Mohammed Abu Khdeir (6/7). Foto: APMilitantes palestinos seguram armas durante coletiva na cidade de Gaza (5/7). Foto: ReutersSuha, mãe de Mohammed Abu Khudair, mostra foto do filho no celular em sua casa em Shuafat, subúrbio árabe de Jerusalém (2/7). Foto: ReutersPalestino usa um estilingue para atirar  pedra em direção à polícia israelense durante confrontos em Shuafat, subúrbio árabe de Jerusalém (2/7). Foto: ReutersPrimeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (D), é visto perto de pais de adolescentes encontrados mortos na Cisjordânia (1/7). Foto: APIsraelense chora durante funeral de três adolescentes israelenses encontrados mortos na Cisjordânia (1/7). Foto: APPalestino inspeciona danos causados na casa de Amer Abu Aisheh, um dos dois palestinos vistos por Israel como suspeitos pelo sequestro e morte de jovens, na Cisjordânia (1/7). Foto: APIsraelenses seguram bandeira com as fotos de três jovens israelenses que desapareceram na Cisjordânia em 12 de junho (29/6). Foto: APPalestinos mascarados simpatizantes do Hamas simulam a prisão de soldados israelenses durante ação em apoio aos palestinos na Cisjordânia (20/6). Foto: ReutersPalestinos se preparam para lançar pedras durante confrontos com soldados israelenses em Jenin, Cisjordânia (19/6)
. Foto: APParentes de palestino morto em ação de Israel choram na casa da família no campo de refugiados de Jalazoun, nos arredores de Ramallah, Cisjordânia (16/6). Foto: APPalestinos carregam corpo de jovem morto em operação de Israel no campo de refugiados de Jalazoun, nos arredores de Ramallah, Cisjordânia (16/6). Foto: APIsraelense chora durante preces em sinagoga por adolescentes desaparecidos na Cisjordânia (15/6). Foto: APFamília palestina observa soldados israelenses durante operação militar de busca por três adolescentes desaparecidos perto de Hebron, Cisjordânia (15/6). Foto: APSoldados israelenses prendem palestino na cidade de Hebron, Cisjordânia, durante buscas por adolescentes desaparecidos (14/6). Foto: APSoldados israelenses se posicionam perto da cidade cisjordana de Hebron enquanto buscam três adolescentes desaparecidos (13/6) . Foto: AP

Segunda: Israel encontra corpos que seriam de jovens sequestrados

Palestinos acusam extremistas israelenses de matar Abu Khdeir, dizendo que era um ataque de vingança pela morte de três adolescentes israelenses. A polícia israelense disse que uma investigação está em andamento e o motivo pelo crime ainda não foi determinado.

O tenente-coronel Peter Lerner, porta-voz dos militares israelenses, anunciou na quinta que reforços foram enviados para a fronteira com Gaza em uma tentativa de deter a crescente onda de ataques com foguetes. Mas ele insistiu que o movimento era "defensivo".

Dia 27: Israel aponta dois militantes do Hamas como principais suspeitos em sequestro

A morte do menino palestino foi amplamente condenada por líderes israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que prometeu encontrar os agressores.

"Nós ainda não sabemos os motivos ou a identidade dos autores, mas vamos descobrir. Vamos trazer justiça aos criminosos responsáveis ​​por esse ato desprezível, seja eles quem for", disse Netanyahu na quinta. "Assassinatos, motins, incitação não têm lugar na nossa democracia."

Nesta sexta, militantes palestinos dispararam pelo menos seis foguetes e morteiros contra Israel, dois dos quais explodiu prematuramente dentro de Gaza, disse o militar. Mas isso foi muito menos do que as dezenas relatadas nos dias anteriores. O militar disse ainda que militantes palestinos dispararam cerca de 140 foguetes contra o sul de Israel nas últimas semanas. A força aérea respondeu com ataques aéreos em cerca de 70 alvos em Gaza, segundo o militar.

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A família de Abu Khdeir ergueu uma grande tenda do lado de fora da casa para aqueles que pretendem prestar condolências pela morte. Eles gritavam palavras como “com nossa alma, com nosso sangue, nós sacrificaríamos qualquer coisa por você (Palestina)" e "Allahu akbar!" ou "Deus é grande."

Acenando uma bandeira palestina e com um lenço tradicional cobrindo o rosto durante o funeral, Shuafat Rami, 20, disse que veio cantar e chorar por seu amigo de bairro. "Francamente, minhas emoções não podem ser descritas. Estou feliz e triste. Estou feliz porque ele morreu como um mártir, mas triste porque eles sequestraram, mataram e depois o queimaram."

Os protestos eclodiram em algumas áreas após as orações muçulmanas, disse a polícia. Centenas de palestinos atiraram pedras contra a polícia, que responderam com granadas de efeito moral, segundo a polícia.

Os palestinos também atiraram pedras no local santo mais sensível em Jerusalém. Um complexo de morros é reverenciado pelos judeus como Monte do Templo, onde supostamente estavam os templos judaicos bíblicos. Esse local é sagrado para muçulmanos como o Haram as-Sharif, ou Santuário Nobre, local onde eles acreditam que o profeta Maomé ascendeu ao céu.

Na estrada principal em Shuafat, ruas e trilhas ferroviárias permaneceram cobertas com restos carbonizados, rochas e grandes latas de lixo.

*Com AP

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