Chamado de Baghdadi, que até tenta eclipsar líder da Al-Qaeda, aparece após grupo ter declarado Estado em terras ocupadas

Abu Bakr al-Baghdadi: os EUA oferecem US$ 10 milhões, ao menos R$ 22 milhões, por informações sobre o líder do EIIL
Reprodução/Youtube
Abu Bakr al-Baghdadi: os EUA oferecem US$ 10 milhões, ao menos R$ 22 milhões, por informações sobre o líder do EIIL

O líder do grupo extremista que tomou boa parte do norte do Iraque e Síria convocou nesta terça-feira os muçulmanos de todo o mundo a se unir à batalha e a ajudar a construir um Estado islâmico no território recentemente conquistado.

Segunda: Rebeldes declaram criação de Estado Islâmico em áreas no Iraque e Síria

Milícia sunita: Entenda o que é o Estado Islâmico do Iraque e do Levante

A fita de áudio de 19 minutos de Abu Bakr al-Baghdadi apareceu dois dias depois de sua organização, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante , ter unilateralmente declarado o estabelecimento de um Estado Islâmico , ou califado, nas terras sob seu controle. O áudio também proclamou al-Baghdadi como califa e demandou que todos os muçulmanos do mundo prometam obediência a ele.

Na declaração, al-Baghdadi deixa clara sua ambição global e se apresenta como líder de todos os muçulmanos. Com a dramática investida do grupo no coração do Oriente Médio, al-Baghdadi, que nasceu no Iraque, age para até eclipsar o líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahri , como a figura mais influente do movimento jihadista.

Galeria: Veja as maiores recompensas oferecidas pela captura de terroristas e políticos

Leia: Saiba quais são as maiores organizações terroristas em atividade no mundo

Ele disse que o Estado islâmico é uma terra para todos os muçulmanos independentemente da nacionalidade, afirmando que ele "devolverá sua dignidade, direitos e liderança". "É um Estado onde o árabe e não árabe, o branco e o negro, o oriental e ocidental são irmãos", disse — um apelo com o objetivo de ampliar sua base de apoio além do Oriente Médio. "Muçulmanos, corram para seu Estado. Sim, é seu Estado. Corram, porque a Síria não é para os sírios, e o Iraque não é para os iraquianos. A terra é de Alá."

Para ajudar a construir o Estado, ele fez um apelo para aqueles com habilidade práticas — acadêmicos, juízes, médicos, engenheiros e pessoas com experiência militar e administrativa — "respondam à necessidade premente dos muçulmanos por eles".

Veja fotos da crise no Iraque:

Impasse: Curdos e sunitas abandonam Parlamento após xiitas não indicarem premiê

Ele também pediu aos combatentes da jihad (guerra santa) que lancem uma escalada dos combates durante o mês sagrado do Ramadã, que começa no domingo. "Neste mês virtuoso ou em qualquer outro mês, não é nenhum instrumento melhor do que a jihad no caminho de Alá, então aproveite essa oportunidade e percorra o caminho dos predecessores justos", disse. "Então às armas, às armas, soldados do Estado islâmico, combatam, combatam."

Al-Baghdadi também conclamou os muçulmanos de todo o mundo a "Se levantar e se posicionar. Porque chegou o momento de vocês se libertarem das algemas da fraqueza e enfrentarem o rosto da tirania."

O áudio foi publicado nos sites militantes em que o grupo divulgou comunicados anteriormente, e a voz se pareceu com a de outros áudios do obscuro al-Baghdadi, que raramente foi fotografado ou apareceu em público.

Saiba mais: Leia todas as notícias sobre a crise no Iraque

O grupo de Al-Baghdadi já serviu como ímã de combatentes jihadistas de todo o mundo árabe, do Cáucaso e de extremistas da Europa e dos EUA — atraídos por uma organização que, em poucos anos, transformou-se de uma afiliada da Al-Qaeda no Iraque em uma força militar transnacional que conquistou e manteve o controle sobre um grande pedaço de território. Zawahri, da Al-Qaeda, expulsou al-Baghdadi da rede terrorista no início deste ano.

Somente no ano passado, o grupo de al-Baghdadi — que mudou seu nome para simplesmente Estado Islâmico, deixando para trás a referência ao Iraque e ao Levante — foi capaz de efetivamente apagar a fronteira entre a Síria e o Iraque e estabelecer as fundações de seu proto-Estado. Em junho, o mês mais mortal no Iraque em anos, mais de 2,4 mil pessoas morreram no país, um reflexo do estrago deixado pelo avanço dos militantes, que capturaram a segunda maior cidade no norte iraquiano, Mosul, então varreram o sul tomando o controle de áreas majoritariamente dominadas por sunitas no norte e oeste do país e se aproximaram de Bagdá.

O avanço dos sunitas parece ter estagnado no Iraque, ao menos por enquanto, ao chegar a áreas majoritariamente xiitas, onde a resistência é mais forte. Mas, na vizinha Síria, o grupo continuou a avançar.

*Com AP

    Leia tudo sobre: estado islâmico
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.