Líder de milícia sunita iraquiana convoca muçulmanos a construir Estado Islâmico

Por iG São Paulo |

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Chamado de Baghdadi, que até tenta eclipsar líder da Al-Qaeda, aparece após grupo ter declarado Estado em terras ocupadas

Reprodução/Youtube
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O líder do grupo extremista que tomou boa parte do norte do Iraque e Síria convocou nesta terça-feira os muçulmanos de todo o mundo a se unir à batalha e a ajudar a construir um Estado islâmico no território recentemente conquistado.

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A fita de áudio de 19 minutos de Abu Bakr al-Baghdadi apareceu dois dias depois de sua organização, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ter unilateralmente declarado o estabelecimento de um Estado Islâmico, ou califado, nas terras sob seu controle. O áudio também proclamou al-Baghdadi como califa e demandou que todos os muçulmanos do mundo prometam obediência a ele.

Na declaração, al-Baghdadi deixa clara sua ambição global e se apresenta como líder de todos os muçulmanos. Com a dramática investida do grupo no coração do Oriente Médio, al-Baghdadi, que nasceu no Iraque, age para até eclipsar o líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahri, como a figura mais influente do movimento jihadista.

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Ele disse que o Estado islâmico é uma terra para todos os muçulmanos independentemente da nacionalidade, afirmando que ele "devolverá sua dignidade, direitos e liderança". "É um Estado onde o árabe e não árabe, o branco e o negro, o oriental e ocidental são irmãos", disse — um apelo com o objetivo de ampliar sua base de apoio além do Oriente Médio. "Muçulmanos, corram para seu Estado. Sim, é seu Estado. Corram, porque a Síria não é para os sírios, e o Iraque não é para os iraquianos. A terra é de Alá."

Para ajudar a construir o Estado, ele fez um apelo para aqueles com habilidade práticas — acadêmicos, juízes, médicos, engenheiros e pessoas com experiência militar e administrativa — "respondam à necessidade premente dos muçulmanos por eles".

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. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

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Ele também pediu aos combatentes da jihad (guerra santa) que lancem uma escalada dos combates durante o mês sagrado do Ramadã, que começa no domingo. "Neste mês virtuoso ou em qualquer outro mês, não é nenhum instrumento melhor do que a jihad no caminho de Alá, então aproveite essa oportunidade e percorra o caminho dos predecessores justos", disse. "Então às armas, às armas, soldados do Estado islâmico, combatam, combatam."

Al-Baghdadi também conclamou os muçulmanos de todo o mundo a "Se levantar e se posicionar. Porque chegou o momento de vocês se libertarem das algemas da fraqueza e enfrentarem o rosto da tirania."

O áudio foi publicado nos sites militantes em que o grupo divulgou comunicados anteriormente, e a voz se pareceu com a de outros áudios do obscuro al-Baghdadi, que raramente foi fotografado ou apareceu em público.

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O grupo de Al-Baghdadi já serviu como ímã de combatentes jihadistas de todo o mundo árabe, do Cáucaso e de extremistas da Europa e dos EUA — atraídos por uma organização que, em poucos anos, transformou-se de uma afiliada da Al-Qaeda no Iraque em uma força militar transnacional que conquistou e manteve o controle sobre um grande pedaço de território. Zawahri, da Al-Qaeda, expulsou al-Baghdadi da rede terrorista no início deste ano.

Somente no ano passado, o grupo de al-Baghdadi — que mudou seu nome para simplesmente Estado Islâmico, deixando para trás a referência ao Iraque e ao Levante — foi capaz de efetivamente apagar a fronteira entre a Síria e o Iraque e estabelecer as fundações de seu proto-Estado. Em junho, o mês mais mortal no Iraque em anos, mais de 2,4 mil pessoas morreram no país, um reflexo do estrago deixado pelo avanço dos militantes, que capturaram a segunda maior cidade no norte iraquiano, Mosul, então varreram o sul tomando o controle de áreas majoritariamente dominadas por sunitas no norte e oeste do país e se aproximaram de Bagdá.

O avanço dos sunitas parece ter estagnado no Iraque, ao menos por enquanto, ao chegar a áreas majoritariamente xiitas, onde a resistência é mais forte. Mas, na vizinha Síria, o grupo continuou a avançar.

*Com AP

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