Petro Poroshenko firmou pacto econômico e comercial com o grupo enquanto o vice-premiê russo fez advertência imediata

O novo presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko , assinou um pacto comercial e econômico com a União Europeia nesta sexta-feira (27), deixando o país mais próximo da Europa e irritando a Rússia, que alertou para "consequências graves".

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Petro Poroshenko, centro, com o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, à esq., e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, em Bruxelas
Reuters
Petro Poroshenko, centro, com o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, à esq., e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, em Bruxelas


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Um radiante Poroshenko chamou a ação de "talvez o dia mais importante para o meu país", desde a sua independência da União Soviética, em 1991.

Tanto a Geórgia quanto a Moldávia assinaram acordos semelhantes, o que aponta para a perspectiva de ampla integração econômica e livre acesso ao mercado da UE, de 500 milhões de habitantes. Os pactos alarmaram o governo russo, que teme perder influência sobre as ex-repúblicas soviéticas.

Esses acordos reforçam o comércio livre das empresas dos três países em qualquer um das 28 nações membros da UE sem tarifas ou restrições, desde que os seus bens e práticas cumpram as normas do bloco. Da mesma forma, os bens e serviços da UE serão vendidos mais baratos e mais facilmente nos países. 

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"Ao longo dos últimos meses a Ucrânia pagou o mais alto preço possível para fazer com que seu sonho europeu se tornasse realidade", disse Poroshenko aos lideres europeus na cerimônia de assinatura em Bruxelas.

O vice-primeiro-ministro da Rússia, Grigory Karasin, reagiu imediatamente dizendo que haveria "graves consequências" para a Ucrânia, segundo informou a agência russa Interfax.

A decisão do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovych de desistir de assinar o acordo com a UE em novembro, preferindo estreitar os laços com Moscou, desencadeou meses de protesto de rua que, por fim, levaram à sua destituição do poder e fuga do país. Logo depois, a Rússia anexou a região ucraniana da Crimeia, o que provocou indignação e sanções dos Estados Unidos e da UE.

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Sanções

Os líderes da União Europeia, por sua vez, decidiram não impor imediatamente novas sanções à Rússia por desestabilizar o leste da Ucrânia. Mas em um comunicado, os líderes disseram que novas sanções já foram elaboradas para que pudessem ser impostas "sem demora" e listou várias demandas para o governo de Vladimir Putin e os rebeldes pró-russos na Ucrânia oriental.

A aproximação entre a Ucrânia e a UE têm sido ofuscada pela oposição russa. Moscou é relutante em ver o declínio de sua influência histórica no país vizinho estratégico, considerado o berço do Estado russo e do cristianismo ortodoxo.

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Georgia já perdeu partes de seu território e da costa do Mar Negro aos rebeldes apoiados pela Rússia depois de uma breve guerra com Moscou em 2008. Putin não fez comentários imediatos sobre o pacto comercial, mas nos últimos dias ele tem sinalizado querer acalmar o conflito.

"A coisa mais importante é garantir o cessar-fogo a longo prazo como pré-condição para negociações significativas entre as autoridades de Kiev e representantes do sudeste (da Ucrânia)", disse Putin nesta sexta.

Novo prazo

Os líderes da UE deram ao governo russo e os rebeldes até segunda-feira para tomarem medidas que melhorem a situação no leste da Ucrânia, incluindo um acordo sobre a verificação do cessar-fogo, a retomada de três postos de fronteira com a Ucrânia, a libertação dos sequestrados e o início de "negociações substanciais" sobre o plano de paz proposto por Poroshenko.

Uma segunda rodada de negociações estava sendo realizada no leste ucraniano nesta sexta entre representantes das regiões tomadas por rebeldes e o governo de Kiev, envolvendo também os enviados da Rússia e da União Europeia, de acordo com as agências de notícias russas.

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O ministro do Interior, Arsen Avakov, disse ao ucraniano Fifth Channel que pelo menos 20 militares foram mortos desde que os rebeldes concordaram com o cessar-fogo, embora não tenha dado mais detalhes sobre esse número. Ele afirma que o governo responderá "duramente e de forma adequada" para todos os rebeldes que não depuserem suas armas até a noite desta sexta.

Violência

Rebeldes tomaram uma base da Guarda Nacional na cidade oriental de Donetsk após batalhas na noite de quinta. Todos os militares foram libertados, exceto o comandante, segundo o site da Guarda Nacional.

Em Bruxelas, Poroshenko não fez menção ao cessar-fogo enquanto assinou triunfante o acordo.

"Que um grande dia!", disse ele. "Talvez o dia mais importante para o meu país, depois do dia da independência."

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Andrei Berezov, um motorista de 30 anos que vive em um subúrbio de Kiev, afirma ser favorável a decisão de Poroshenko em aproximar a Ucrânia da Europa.

"Eu vivi e trabalhei em Madrid. Não há comparação", disse ele. "Não há corrupção."

Já Svetlana Kosenko, uma estudante de 18 anos em uma região ocidental da Ucrânia, disse não acreditar que o país mude da noite para o dia.

"Acho que vai levar um longo tempo", disse ela. "Como se costuma dizer, a esperança é a última que morre e por enquanto, espero que as coisas melhores."

A ONU informou nesta sexta que 110 mil ucranianos fugiram para a Rússia e outros 54 mil fugiram de suas casas, mas permaneceram na Ucrânia enquanto o governo luta com os separatistas, principalmente no leste de língua russa, desde o início deste ano. Longas filas de carros recheados com pertences familiares foram vistos esta semana na fronteira com a Rússia.

*Com AP e Reuters

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