Premiê do Iraque descarta formar governo de emergência

Por iG São Paulo |

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Nouri Maliki rejeitou apelo dos EUA para formar um governo de 'salvação nacional'; conselheiros americanos chegaram ao país

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri Maliki, rejeitou nesta quarta-feira (25) os apelos dos EUA para formar um governo de “salvação nacional” que ajudaria a combater a ofensiva dos rebeldes sunitas no país.

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Reuters
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Maliki advertiu em seu discurso semanal que a ação representaria um "golpe contra a constituição e uma tentativa de acabar com a experiência democrática" porque iria contra os resultados das eleições legislativas realizadas no dia 30 de abril. As forças do governo não estão tendo êxito em recuperar os territórios ocupados pela milícia Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o EIIL, desde o início deste mês.

Enquanto isso, a crise no Iraque está sendo discutida pelos líderes da Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, reunidos em Bruxelas. Eles devem se juntar ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que acaba de voltar de uma visita de dois dias a Bagdá e Erbil.

Inclusão política

Mais cedo, o premiê xiita pediu aos blocos políticos de seu país para se unirem diante da crescente ameaça sunita que tomou regiões do oeste e norte do país, mas ele não deu fez nenhuma promessa concreta de maior inclusão política para a minoria sunita.

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Autoridades norte-americanas têm pressionado para que o próximo governo iraquiano seja mais solidário. Em seu discurso semanal à nação, al-Maliki pediu para "todas as forças políticas conciliem" seus princípios com a democracia constitucional do Iraque.

"Nós precisamos desesperadamente nos unir para derrotar o terrorismo, que tenta destruir nossas conquistas de democracia e liberdade. Devemos deixar nossas diferenças de lado e unir esforços", disse al-Maliki. "O perigo que o Iraque enfrenta exige que todos os grupos políticos conciliem sua base com princípios da nossa democracia constitucional.”

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Membros do Exército feminino treinam habilidades de combate antes de combaterem o Estado Islâmico em acampamento militar no Iraque (18/09). Foto: ReutersMilitar curdo lança morteiros em direção Zummar, controlada pelo Estado Islâmico, em Mosul, Iraque (15/09). Foto: ReutersMilitantes do Estado Islâmico levam soldados iraquianos capturados depois de assumir base em Tikrit, Iraque (junho/2014). Foto: APObama prometeu ofensiva com ataques aéreos na Síria e no Iraque para combater EI (12/09). Foto: ReutersMilitares curdos em tanque enfrentam militantes do Estado islâmico em Mosul, Iraque (7/09). Foto: ReutersMilitante curdo dá cobertura durante confrontos do Estado Islâmico na linha de frente da vila de Buyuk Yeniga, Iraque (4/09). Foto: ReutersMilicianos xiitas do Iraque disparam suas armas enquanto celebram a quebra de cerco do Estado Islâmico em Amerli (1/09). Foto: ReutersGrupo carrega caixão de militante xiita iraquiano da Organização Badr, que foi morto em confrontos com militantes do Estado Islâmico no Iraque (1/09). Foto: ReutersCriança chora em helicóptero militar após ser retirada pelas forças iraquianas de Amerli, ao norte de Bagdá (29/08). Foto: ReutersCurdos e militantes islâmicos lutam no norte do Iraque (12/08). Foto: ReutersIraquianos carregam retratos do primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki enquanto se reúnem em apoio a ele em Bagdá, Iraque (11/08). Foto: ReutersMilhares de iraquianos fugiram com avanço de militantes do EI, inclusive integrantes de minorias religiosas (9/08). Foto: APTropas curdas implantam segurança intensa contra os militantes islâmicos do Estado em Khazer (8/08). Foto: ReutersTropas curdas patrulham em um tanque durante operação contra militantes do Estado Islâmico em Makhmur, nos arredores da província de Nínive, Iraque (7/08). Foto: ReutersParentes choram a morte de homem da YPG, morto durante confrontos com combatentes do Estado Islâmico na cidade iraquiana de  Rabia, na fronteira do Iraque-Síria (6/08). Foto: ReutersVoluntários xiitas do Exército iraquiano se recuperam em hospital após serem feridos em confrontos com militantes do Estado Islâmico em Basra, sudeste de Bagdá (6/08). Foto: ReutersMulher visita túmulo de um parente em cemitério durante as celebrações do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, em Bagdá (28/07). Foto: ReutersSoldado iraquiano perto de corpo de um membro do Estado Islâmico que morreu durante confrontos com forças iraquianas em Tikrit, Iraque (19/07). Foto: ReutersBandeira preta usada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante flamula de delegacia danificada em Mosul, norte do Iraque (1/7). Foto: APVoluntário xiita do Conselho Supremo Islâmico Iraquiano aponta arma durante treinamento em Najaf, Iraque (26/6). Foto: ReutersMembros das forças de segurança iraquianas tomam suas posições durante reforço de segurança no oeste de Bagdá, Iraque (24/6). Foto: ReutersXiitas iraquianos se preparam para patrulhar a aldeia de Taza Khormato, na rica província petrolífera de Kirkuk, no Iraque (22/6). Foto: APCombatentes xiitas levantam suas armas e entoam palavras de ordem após autoridades pedirem ajuda para conter os insurgentes em Sadr, em Bagdá, Iraque (17/06). Foto: APManifestantes gritam em favor do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em frente do governo provincial de Mosul (16/4). Foto: APCombatentes tribais xiitas mostram suas armas enquanto tomam parte de Dujail, ao norte de Bagdá, Iraque (16/06). Foto: ReutersCombatentes tribais xiitas levantam suas armas e gritam palavras de ordem contra sunita Exército Islâmico em Basra, Iraque (16/6). Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL mirando contra soldados à paisana depois de tomar base in Tikrit, Iraque. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque
. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

Quinta: Obama anuncia envio de até 300 assessores militares ao Iraque por milícia sunita

O governo de Al-Maliki está lutando para repelir os avanços liderados pelo EIIL, uma força bem treinada e móvel que pode ter até 10 mil combatentes e aliados dentro do Iraque.

Também nesta quarta, militantes sunitas lançaram ataque em refinaria chave de petróleo iraquiana que eles tentam ocupar há dias, mas acabaram repelidos pelas forças de segurança nacionais, de acordo com o coronel Ali al-Quraishi, comandante das forças armadas iraquianas em cena.

Enquanto isso, dezenas de conselheiros militares norte-americanos recém chegados ao país e forças de operações especiais começam a avaliar as forças iraquianas, em um esforço para fortalecer a capacidade de Bagdá para enfrentar a insurgência. O presidente Barack Obama anunciou na semana passada que enviaria mais de 300 conselheiros para aconselhar as forças de segurança do Iraque.

Saiba mais: Leia todas as notícias sobre o avanço da milícia sunita no Iraque

O contra-almirante da marinha norte-americana John Kirby disse que os conselheiros em Bagdá são compostos por duas equipes de forças especiais e 90 consultores. Outras quatro equipes de forças especiais devem chegar nos próximos dias, disse Kirby.

Com os avanços militantes que praticamente apagaram a fronteira ao oeste do Iraque com a Síria e capturaram território na fronteira com a Jordânia, o foco de al-Maliki tem sido defender Bagdá, cidade com 7 milhões de xiitas repleta de uma tensão crescente. Xiitas temem ser massacrados e ter o santuário al-Kazimiyah destruído caso os combatentes do Estado Islâmico capturarem a capital iraquiana. Moradores sunitas também temem os extremistas.

Galeria: Saiba quais são as maiores organizações terroristas em atividade no mundo

Os militantes prometeram marchar até Bagdá e às cidades xiitas sagradas de Najaf e Karbala, uma ameaça que levou o principal clérigo xiita do país, o aiatolá Ali al-Sistani, a emitir um apelo urgente para os jovens xiitas tomarem suas armas e combaterem a milícia.

*Com BBC e AP

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