Nouri Maliki rejeitou apelo dos EUA para formar um governo de 'salvação nacional'; conselheiros americanos chegaram ao país

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri Maliki, rejeitou nesta quarta-feira (25) os apelos dos EUA para formar um governo de “salvação nacional” que ajudaria a combater a ofensiva dos rebeldes sunitas no país.

ONU: Em menos de um mês, conflito no Iraque deixou cerca de 1 mil mortos

Membros das forças de segurança iraquianas tomam suas posições durante implantação de segurança intensiva no oeste de Bagdá, Iraque (24/06)
Reuters
Membros das forças de segurança iraquianas tomam suas posições durante implantação de segurança intensiva no oeste de Bagdá, Iraque (24/06)


Kerry: Secretário de Estado dos EUA promete apoio 'intenso e duradouro' ao Iraque

Maliki advertiu em seu discurso semanal que a ação representaria um "golpe contra a constituição e uma tentativa de acabar com a experiência democrática" porque iria contra os resultados das eleições legislativas realizadas no dia 30 de abril. As forças do governo não estão tendo êxito em recuperar os territórios ocupados pela milícia Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o EIIL, desde o início deste mês.

Enquanto isso, a crise no Iraque está sendo discutida pelos líderes da Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, reunidos em Bruxelas. Eles devem se juntar ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que acaba de voltar de uma visita de dois dias a Bagdá e Erbil.

Inclusão política

Mais cedo, o premiê xiita pediu aos blocos políticos de seu país para se unirem diante da crescente ameaça sunita que tomou regiões do oeste e norte do país, mas ele não deu fez nenhuma promessa concreta de maior inclusão política para a minoria sunita.

Dia 23: Kerry chega a Bagdá em missão de apoio contra milícia sunita

Autoridades norte-americanas têm pressionado para que o próximo governo iraquiano seja mais solidário. Em seu discurso semanal à nação, al-Maliki pediu para "todas as forças políticas conciliem" seus princípios com a democracia constitucional do Iraque.

"Nós precisamos desesperadamente nos unir para derrotar o terrorismo, que tenta destruir nossas conquistas de democracia e liberdade. Devemos deixar nossas diferenças de lado e unir esforços", disse al-Maliki. "O perigo que o Iraque enfrenta exige que todos os grupos políticos conciliem sua base com princípios da nossa democracia constitucional.”

Veja fotos da ocupação do EIIL no Iraque

Quinta: Obama anuncia envio de até 300 assessores militares ao Iraque por milícia sunita

O governo de Al-Maliki está lutando para repelir os avanços liderados pelo EIIL, uma força bem treinada e móvel que pode ter até 10 mil combatentes e aliados dentro do Iraque.

Também nesta quarta, militantes sunitas lançaram ataque em refinaria chave de petróleo iraquiana que eles tentam ocupar há dias, mas acabaram repelidos pelas forças de segurança nacionais, de acordo com o coronel Ali al-Quraishi, comandante das forças armadas iraquianas em cena.

Enquanto isso, dezenas de conselheiros militares norte-americanos recém chegados ao país e forças de operações especiais começam a avaliar as forças iraquianas, em um esforço para fortalecer a capacidade de Bagdá para enfrentar a insurgência. O presidente Barack Obama anunciou na semana passada que enviaria mais de 300 conselheiros para aconselhar as forças de segurança do Iraque.

Saiba mais: Leia todas as notícias sobre o avanço da milícia sunita no Iraque

O contra-almirante da marinha norte-americana John Kirby disse que os conselheiros em Bagdá são compostos por duas equipes de forças especiais e 90 consultores. Outras quatro equipes de forças especiais devem chegar nos próximos dias, disse Kirby.

Com os avanços militantes que praticamente apagaram a fronteira ao oeste do Iraque com a Síria e capturaram território na fronteira com a Jordânia, o foco de al-Maliki tem sido defender Bagdá, cidade com 7 milhões de xiitas repleta de uma tensão crescente. Xiitas temem ser massacrados e ter o santuário al-Kazimiyah destruído caso os combatentes do Estado Islâmico capturarem a capital iraquiana. Moradores sunitas também temem os extremistas.

Galeria: Saiba quais são as maiores organizações terroristas em atividade no mundo

Os militantes prometeram marchar até Bagdá e às cidades xiitas sagradas de Najaf e Karbala, uma ameaça que levou o principal clérigo xiita do país, o aiatolá Ali al-Sistani, a emitir um apelo urgente para os jovens xiitas tomarem suas armas e combaterem a milícia.

*Com BBC e AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.