Sudão detém cristã um dia depois de libertá-la de corredor da morte

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Segundo advogado, Meriam Ibrahim foi detida com os dois filhos e o marido no aeroporto quando tentava deixar o país

Uma cristã sentenciada à morte no Sudão e mais tarde libertada foi detida em um aeroporto enquanto tentava deixar o país nesta terça-feira, disse seu advogado.

Ontem: Sudanesa condenada à morte por se converter ao cristianismo é libertada

AP
Sentada ao lado de Martin, de 1,5 ano, Meriam Ibrahim segura seu bebé recém-nascido em Cartum, Sudão (5/6)

Maio: Sudanesa grávida de oito meses é condenada à morte por ser cristã

O advogado Eman Abdul-Rahim disse à Associated Press que Meriam Ibrahim, 27, foi presa com seus dois filhos e o marido no aeroporto internacional de Cartum, a capital do país. Abdul-Rahim não deu mais detalhes, e funcionários de segurança não responderam a pedidos de comentários.

Ibrahim, cujo pai era muçulmano, mas foi criada por sua mãe cristã, foi condenada por apostasia por se casar com um cristão. O código penal sudanês proíbe muçulmanos de se converter para outras religiões, crime punível com a morte.

Ibrahim se casou com um cristão do sul do Sudão em uma cerimônia religiosa em 2011. Assim como em muitas nações muçulmanas, as muçulmanas no Sudão estão proibidas de se casar com não muçulmanos, embora os muçulmanos possam se casar fora de sua fé. Pela lei, as crianças têm de seguir a religião do pai.

A sentença atraiu condenação internacional, com a Anistia Internacional chamando-a de "repugnante". O Departamento de Estado dos EUA disse estar "profundamente perturbado" com a sentença e pediu que o governo sudanês respeitasse as liberdades religiosas.

Na segunda-feira, a Corte de Cassação do Sudão descartou a sentença de morte de Ibrahim e a libertou depois de uma apresentação de sua equipe legal.

Leia também: Saiba o que é a sharia, o código de leis do islamismo

O Sudão introduziu a lei islâmica Sharia no início dos anos 1980 son o governo do autocrata Jaafar Nimeiri, contribuindo para o retorno de uma insurgência no em sua maioria animista e cristão sul do Sudão. O sul se separou em 2011 para se tornar a nação mais nova do mundo, o Sudão do Sul.

O presidente sudanês, Omar Bashir, um islamista que chegou ao poder em 1989 em um golpe militar, disse que seu país implementará o Islã de forma mais restrita agora que não tem mais o sul não muçulmano.

Alguns sudaneses foram condenados por apostasia em anos recentes, mas todos escaparam da execução ao renegar sua nova fé.

*Com AP

Leia tudo sobre: sudãocristianismoislamismomeriamsharia

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas